Brasileira luta para não ser deportada e separada de filho de 11 anos, sobrinho de secretária de Trump, diz advogado




Bruna Caroline Ferreira vive nos EUA desde os anos 1990, conta advogado ao g1. Brasileira teve filho com o irmão de Karoline Leavitt, atual porta-voz da Casa Branca, e foi presa pelo Serviço de Imigração.

Bruna com o filho, Michael Leavitt Junior — Foto: Arquivo Pessoal

A brasileira Bruna Caroline Ferreira, 33 anos, que mora nos Estados Unidos há 27, luta para não ser deportada e separada de seu filho de 11 anos, relatou ao g1 o advogado de defesa dela, Todd C. Pomerleau.

Bruna foi presa pelo Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE, na sigla em inglês) no dia 12 de novembro. O caso repercutiu no final do mês após a imprensa dos EUA descobrir que o pai do filho dela é irmão da atual secretária de imprensa do governo Donald Trump, Karoline Leavitt.

Bruna e o pai da criança, Michael Levitt, não estão juntos, e compartilhavam a guarda de Michael Leavitt Junior, que tem cidadania americana. Após a prisão, o filho está com o pai e não tem contato com a mãe, diz o advogado.

Pomerleau explicou que Bruna está detida na Louisiana, no sul dos EUA, a mais de 2 mil km de casa em New Hampshire, no norte do país. Ela aguarda o julgamento que pode levar à deportação.

Segundo ele, a brasileira também está sem contato com a mãe, que mora no país, e com quem tem se comunicado via telefone.

Outro lado: Em entrevista à rádio WBUR, Michael Leavitt disse que a única preocupação dele é a segurança e o bem-estar do menino. Já a porta-voz Karoline Leavitt e a Casa Branca não comentaram o caso.

O advogado afirmou ao g1 que Bruna tem status legal nos Estados Unidos por meio do programa Ação Diferida para Chegadas na Infância — ou "DACA", na sigla em inglês. Apesar disso, o ICE comenta que ela estava com visto de turista expirado desde 1999.

Segundo o advogado, o fato de ter um filho menor de idade que nasceu nos EUA, deveria ajudar no processo.

"Ela está nos EUA há 27 anos, tem família com green card (a mãe) e filho cidadão, o que aumenta o impacto se houver separação (causada pela iminente deportação)", diz Pormeleau. "Bruna possui diferentes caminhos para o green card e seu caminho atual é o mais direto, embora tenha levado muito tempo para chegar até aqui", continua.

O advogado considerou a prisão de Bruna como "desnecessária e injustificável". No entanto, um porta-voz do ICE disse em nota que ela tem antecedentes criminais, incluindo uma prisão por agressão — informação contestada por Pomerleau.

O advogado também ressaltou que diferentes agências processam formulários de imigração, e que o caso de Bruna estava próximo do fim - mas sua detenção deve interromper o processo.

No caso dela, o processo que pode correr mais rápido é o de deportação, "já que o governo paga por isso", disse Pomerleau.

Segundo ele, o governo americano opta pode deixar os detentos o menor tempo possível nas prisões para imigrantes, a fim de que se gaste menos com eles. "Ela poderia obter o green card em quatro a seis meses e depois pedir cidadania, além de poder renovar o DACA, embora isso não resulte em green card", afirma.

Ele destacou ainda que ela estava com "aproximadamente 75% do processo encaminhado, com toda a papelada enviada, aguardando perguntas e aprovação", que agora podem não acontecer.


O julgamento para a deportação de Bruna ainda não tem data para acontecer.

Karoline Leavitt foi nomeada secretária de imprensa da Casa Branca em janeiro e atua como porta-voz do presidente Donald Trump. Tradicionalmente, o titular do cargo concede entrevistas diárias a repórteres que cobrem o governo, comenta temas específicos e detalha a agenda presidencial.


Foto: G1


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