Ex-fenômeno dos bailes funk, DJ Japa detalha nova fase da carreira gospel


Da fama e excessos à conversão, DJ Japa agora estuda Teologia e ressignifica sua trajetória na música; 

Keylla Kawano, a DJ Japa Crédito: Vitor Jubini

O que antes era movido a festas, holofotes e ganhos acima de R$ 100 mil por mês em meio a bebidas e substâncias ilícitas, hoje é estruturado por fé, propósito e uma nova fase de vida. Convertida ao cristianismo, Keylla Kawano, a DJ Japa, deixou as batidas do funk e agora toca sobre o amor de Jesus Cristo no gênero gospel.

Com carreira iniciada no Espírito Santo em meados de 2017, Japa viveu o auge tocando em casas badaladas em todo o território capixaba e de outros pontos do Brasil, reunindo milhares de jovens em eventos de diferentes portes. Mesmo com o sucesso e com a fama, sentia o cansaço de uma vida que hoje classifica como vazia e sem sentido.

“Eu cheguei em um espaço completamente machista no mundo da música, mas eu conquistei todo tipo de público e tive minha carreira consolidada. Porém, depois de um tempo, parece que a música tinha morrido”, lembra.

Apesar de frequentar a igreja na juventude, com o passar dos anos nos palcos Keylla percebeu que precisava se reencontrar com a fé. Convertida e batizada ao cristianismo desde janeiro de 2025, agora a artista tem uma agenda de religiosidade e de novos eventos, como casamentos, aniversários, retiros espirituais e de mais momentos com o filho Kevin, de apenas três anos.

Pouco tempo depois do lançamento do single “Dimas, o ladrão” e prestes a lançar mais uma faixa gospel, intitulada de “É Ele” — que vai ao ar nesta segunda-feira (1º) —, a artista conversou com HZ, detalhou a mudança brusca nos rumos da carreira e contou sobre a fase embalada por uma nova sonoridade.

Nascida em São Paulo e criada na zona norte da capital paulista pela mãe solo, Japa chegou ao Espírito Santo há 12 anos. No Estado, conheceu artistas do mundo do funk que abriram as portas para um talento até então desconhecido, mas que já dava sinais de potencial nos bastidores.

“Eu sempre fui movida a música. No começo, eu era promoter de festas e fui até modelo de clipes, mas comecei a me aprofundar na música quando comecei a atuar com produção de beats. Era uma coisa que eu já gostava e aí me encontrei”, lembra.

No começo, ela foi auxiliando outros DJs capixabas com o setlist de shows e até mesmo usando equipamentos improvisados para tocar. Antes da entrada no mundo musical, Japa chegou a trabalhar em feiras, no comércio da família, em salão de beleza e até em uma rede de fast food, mas era realmente na música em que encontrava o que parecia ser a felicidade necessária para se estabelecer profissionalmente.

“A música sempre fez parte da minha vida em todos os momentos, sejam eles tristes, felizes, alegres, dentro ou fora da igreja. A música sempre reinou na minha vida, sempre queimou no meu coração”, diz Japa.

Com o sucesso, conheceu artistas de renome nacional, foi cercada por pessoas que acreditava querer o sempre o seu bem e não tinha preocupações com gastos e outros compromissos.

"Eu ganhava mais de R$ 100 mil por mês, estava nos melhores lugares, viajava para onde eu queria e comia nos melhores restaurantes"

Apesar disso, após quase oito anos nos palcos, em meados de 2024 a artista sentiu que era hora de parar. “Estava voltando de um show quando encostei a cabeça na janela do carro e disse: ‘Estou cansada, não aguento mais’”. A virada de chave começou ali.

“Eu tinha tudo, mas parecia que faltava algo. E era a presença d’Ele. A música abre portais e tem o poder de te trazer ansiedade, depressão e também tem o poder de trazer felicidade. Mas eu entendi que a adoração que eu fazia era para Satanás, não era para Deus”, conta.

Desde então, decidiu que era hora de mudar de ares. Em janeiro deste ano veio o batismo e, em abril, o último show da agenda contratual. A saída dos palcos foi anunciada após uma apresentação em Cariacica, na Grande Vitória.

“Este é meu último show. Renunciei aos palcos, eu conheci Jesus”, disse a jovem, na ocasião.

Mesmo com o sucesso acumulado nos últimos anos, Japa afirma não ter sofrido ao deixar os holofotes, mas, sim, que teve um encontro com Jesus para se reinventar. Tal encontro, cita, também se explica por um momento em que esteve entre a vida e a morte após uma overdose sofrida aos 15 anos.

“Quando mais nova, eu saí de um coma à base de oração. No caso dos palcos, Ele me arrancou de onde eu estava e me posicionou. Acredito que toda a renúncia que fiz foi para viver os propósitos do Senhor e para isso é preciso se desapegar daquilo que construiu com as próprias mãos”, avalia.

A mudança veio de dentro para fora. Mas, antes disso, eu já me sentia vazia. Eu tinha todos os fãs, eu tinha bebida, eu tinha dinheiro, eu tinha os meus amigos. Eu tinha tudo estruturado, mas eu estava vazia

Mãe do pequeno Kevin, e agora vivendo uma nova fase, Keylla afirma que vê no filho a esperança de uma geração mais próxima de Jesus. Afinal, foi justamente em um encontro de jovens cristãos em São Paulo que teve ainda mais certeza do novo rumo escolhido na vida.

“Vejo que meu filho é um ser que preciso proteger, porque ele é o elo mais fraco. Quando ele veio, perante a medicina, eu nem poderia ser mãe, mas ele veio. Então sei que fico mais próxima de Deus quando o assunto é meu filho”, afirma.

Keylla e o filho Kevin, atualmente com três anos Crédito: Reprodução/@japadjofc

Reestruturada profissionalmente e também mais próxima da família, outro esforço da jovem veio nos estudos. Atualmente Keylla cursa o primeiro período de Teologia com o auxílio da igreja que frequenta.

Para ela, a volta aos estudos também permite o avanço do autoconhecimento e melhora a relação com a religiosidade. “É isso que busco. A bíblia diz que você pede e Ele te dá, pois é uma fonte viva que nunca acaba. Então, você mergulhar que sempre tem mais”, complementa a artista.

A decisão de continuar no mundo da música com um novo formato de trabalho também veio da troca de experiências com outros cristãos. No encontro de jovens em São Paulo, Japa afirma ter tido uma confirmação sobre a sequência na carreira por meio de um outro participante.

“Eu ia até trocar de nome, não ia mais usar Japa. Mas um irmão que nunca vi na vida veio até mim e disse: ‘Você é da música? Deus manda te dizer que é para você ir, que você pode continuar. Ele vai te dar as melodias e as letras’”, lembra.

Segundo ela, todo o processo foi necessário para a reinvenção e para o reencontro consigo mesma. “Encontrei meu chamado e ninguém tira de mim. Hoje quem manda em mim é Ele. Antes eu me mandava e fazia do jeito que eu queria, mas hoje é do jeito que Ele quer. Aquilo que Deus levanta, ninguém consegue derrubar”, conclui Japa.

Fonte: A Gazeta


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