Café com limão e mais: veja riscos de tendências de emagrecimento

Dietas extremas, café com limão e outros truques perigosos que viralizam no TikTok — Foto: Freepik

Vídeos que prometem emagrecimento rápido, sem esforço e com soluções improvisadas se multiplicam no TikTok e vêm moldando a relação de milhões de usuários com o próprio corpo. Impulsionadas por algoritmos que privilegiam engajamento e resultados visíveis, práticas sem respaldo científico — como dietas extremamente restritivas, jejuns prolongados e "truques" caseiros — passam a circular como estratégias simples e eficazes para perder peso, apesar dos riscos envolvidos.

Entre os exemplos mais recentes estão conteúdos que associam café com limão a um suposto efeito acelerador do metabolismo, embora não exista comprovação científica de que a combinação contribua para a perda de gordura. Outra tendência que ganhou espaço é a aplicação de óleo de rícino no abdômen, divulgada como solução para "secar" a barriga, mesmo que especialistas esclareçam que o produto atua apenas na hidratação da pele, sem impacto sobre a gordura corporal.

Também chamou atenção a disseminação do chamado "Ozempic caseiro". Em vídeos com milhões de visualizações, criadores passaram a recomendar o uso de laxantes como alternativa para emagrecimento rápido. A adesão foi tão expressiva que provocou escassez desses medicamentos em farmácias de alguns países e levou entidades médicas a emitirem alertas públicos.

Para Gabriel Almeida, especialista em emagrecimento e saúde metabólica, o sucesso dessas tendências está ligado à promessa de soluções imediatas para um processo que, na prática, é complexo e gradual. "O emagrecimento passou a ser tratado como performance. O corpo virou vitrine, e o resultado imediato vale mais do que a saúde", afirma.

Do ponto de vista clínico, o médico alerta que essas práticas não promovem emagrecimento sustentável e podem expor o organismo a riscos como desidratação severa, distúrbios hormonais, alterações cardíacas e agravamento de transtornos alimentares. "O corpo não responde bem a soluções violentas. Ele cobra esse preço", diz.

Segundo o Dr. Gabriel, um dos maiores problemas é a normalização desses comportamentos nas redes sociais. "Quando o extremo vira tendência, ele deixa de ser exceção e passa a ser visto como estratégia aceitável", destaca. Esse movimento é reforçado pelos algoritmos, que tendem a entregar mais conteúdos semelhantes a usuários que interagem com esse tipo de vídeo.

Para o especialista, enfrentar esse cenário exige mais do que a remoção pontual de publicações. "Essas tendências refletem uma cultura que supervaloriza o resultado imediato e ignora o processo. Nenhum vídeo curto substitui acompanhamento médico, alimentação equilibrada e respeito ao corpo", conclui.

Fonte: O Globo


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