VÍDEO: Chefe do PCC que namora delegada presa ensinava tortura a jovens da facção



As investigações em andamento sobre a atuação do Primeiro Comando da Capital (PCC) em Roraima revelaram que um dos líderes do grupo criminoso, Jardel Neto Pereira da Cruz, conhecido como “Dedel”, estava instruindo adolescentes ligados à facção em práticas de tortura, conforme mostram vídeos que circulam nas redes sociais e que passaram a integrar o conjunto de provas das autoridades. 

Nos vídeos, Dedel aparece orientando jovens membros da organização sobre como aplicar agressões físicas, como golpes com um pedaço de madeira nas mãos de uma vítima — uma ação associada às chamadas punições do chamado “tribunal do crime” da facção.

Jardel é apontado pelas forças de segurança como um dos chefes do PCC na região Norte do país, com histórico de envolvimento em recrutamento de menores e articulação de ações violentas em nome da organização. Em 2021 ele foi preso em Roraima pela Polícia Federal por recrutar adolescentes para o grupo, e chegou a ser condenado a oito anos de prisão em regime semiaberto por tráfico de drogas e associação criminosa. 

Mesmo após a condenação e a concessão de saídas temporárias, ele voltou a ser preso no final de 2023 no município de Marabá (PA). Relatórios de inteligência indicam que, quando estava foragido, continuou operando no Conjunto Habitacional Vila Jardim, na zona Oeste de Boa Vista, onde pressionava membros da facção a adotar ações mais agressivas e podia ter influenciado a promoção de ataques contra autoridades do sistema de Justiça e forças de segurança locais. 

O caso ganhou ainda mais repercussão porque Dedel é namorado da delegada da Polícia Civil de São Paulo, Layla Lima Ayub, que foi presa em operação do Ministério Público de São Paulo (MPSP) que investiga a infiltração de integrantes do PCC em estruturas do Estado. A investigação aponta que Layla teria mantido relações pessoais e profissionais com membros da facção e atuado de forma irregular em processos, inclusive participando de audiências de custódia mesmo após sua posse como delegada. 

As autoridades também apuram crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro relacionados ao casal, incluindo a suspeita de aquisição de um estabelecimento comercial em São Paulo com recursos de origem ilícita, possivelmente ocultos por meio de terceiros. A Justiça autorizou prisões temporárias e mandados de busca e apreensão em São Paulo e no Pará no âmbito dessas investigações.




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