VÍDEO: Anac notifica Portela e Liesa por voo em drone

Homem voando na comissão de frente da Portela — Foto: Alexandre Cassiano

A Agência Nacional de Aviação Civil noticiou a Portela e a Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa) depois de a agremiação de Oswaldo Cruz e Madureira colocar um componente da comissão de frente "voando" num drone. A performance levantou a Marquês de Sapucaí no domingo, primeiro dia de desfiles do Grupo Especial.

Em nota, a Anac ressaltou que é proibido transportar pessoas, animais e artigos perigosos usando drones. "O equipamento não foi desenvolvido para essa finalidade e pode causar acidentes, inclusive, fatais", acrescentou. Procuradas pelo GLOBO, a Liesa disse não ter sido notificada, até o momento, e a Portela ainda não se manifestou.

A agência detalhou que a norma RBAC-E nº 94, além de proibir o transporte de pessoas, determina que o operador de drones respeite uma distância mínima de 30 metros horizontais — "o piloto não pode, em hipótese alguma, colocar vidas em risco", ressaltou. A Anac ponderou que a existência de uma barreira mecânica "suficiente forte" para isolar e proteger outras pessoas poderia suprir a falta dessa distância mínima. "Entretanto, não foi o que se viu na Marquês de Sapucaí", pontuou.

Após o desfile, a Anac disse ter oficiado a escola e a Liesa e solicitado o apoio no reforço às instruções relacionadas à proibição do uso de drones tripulados. A agremiação também foi cobrada a fornecer informações adicionais à autoridade brasileira que estabelece regras para o uso de aeronaves do tipo.

"A Agência também solicitou que a escola informe o modelo do equipamento utilizado, número de série, comprovação de registro do equipamento junto à Anac, dados do piloto remoto da aeronave. A Portela tem dez dias para encaminhar as informações", destacou a Anac.

Depois de um desfile "caótico", com problemas no último carro alegórico e uma chegada conturbada à dispersão, Portela confirmou que o carnavalesco André Rodrigues pediu demissão. A saída foi em comum acordo. O substituto ainda não foi anunciado.


'Voo' na Sapucaí

A Portela entrou na Avenida com o enredo “O mistério do príncipe do Bará — a oração do negrinho e a ressurreição de sua coroa sob o céu aberto do Rio Grande”, um recorte conduzido por uma fábula do Batuque, religião afro-brasileira de culto aos orixás, popular na região Sul do país. A escola apostou em uma comissão de frente que conta a história do Batuque em um ambiente 3D. Um dos destaques foi o homem voando com o auxílio de um equipamento especial.

A fábula que inspira o enredo traz dois personagens principais, o Negrinho do Pastoreio e o Bará (Exú), principal orixá do culto do Batuque. Segundo o carnavalesco André Rodrigues, esses personagens contaram um para o outro partes da negritude, a identidade negra, normalmente pouco identificada com o Sul do Brasil.

A escola apostou no universo 3D em sua Comissão de Frente.

— Estamos trazendo o Batuque através de um ambiente 3D, para que que todo mundo possa se sentir dentro da comissão de frente — revelou Cláudia Mota, coreógrafa da escola em conjunto com o marido Edifranc Alves.

Os 29 bailarinos entraram na Sapucaí preenchendo o espaço com um grande elemento cênico branco que fará uma imersão "como se fosse um livro".

Ficha técnica
  • Presidente: Junior Escafura
  • Carnavalesco: André Rodrigues
  • Intérprete: Zé Paulo Sierra
  • Mestre-sala e porta-bandeira: Marlon Lamar e Squel Jorgea
  • Mestre de bateria: Vitinho
  • Rainha de bateria: Bianca Monteiro

Letra do samba enredo da Portela em 2026

"O mistério do Príncipe do Bará - a oração do Negrinho e a ressurreição de sua coroa sob o céu aberto do Rio Grande"

É Bará, É Bará, ôô!
Quem rege a sua coroa, Bará?
É o rei de Sapaktá
Aláfia do destino no Ifá!
Tem mistério que incandeia
Pro batuque começar
Sou mistério que incandeia
Pra Portela incorporar
Vai, Negrinho vai fazer libertação
Resgatar a tradição
Onde a África assenta
Ô, corre gira, vem revelar
O reino de Ajudá
O pampa é terra negra em sua essência
Alupo, meu Senhor, Alupô!
Vai ter xirê no toque do tambor
Alumia o Cruzeiro chave de encruzilhada
É macumba de Custódio no romper da madrugada
Curandeiro, feiticeiro
Batuqueiro precursor
Pôs a nata no gongá (ô, iaiá!)
Fundamento em seu terreiro
Resiste a fé no orixá
Da crença no mercado
Ao rito do Rosário
Ainda segue vivo o seu legado
Portela tu és o próprio trono de Zumbi
Do samba, a majestade em cada ori
Yalorixá de todo axé
Enquanto houver um pastoreio
A chama não apagará
Não há demanda que o povo preto não possa enfrentar
Ae Oni Bará! Ae Babá Lodê!
A Portela reunida carregada no dendê
Sob o céu do Rio Grande
Tem reza pra abençoar
O príncipe herdeiro da coroa de Bará!

Composição: Valtinho Botafogo / Raphael Gravino / Gabriel Simões / Braga / Cacau Oliveira / Miguel Cunha / Dona Madalena.

Fonte: O Globo


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