Mãe que escreveu livro para ajudar os filhos a lidarem com a morte do pai será julgada pelo assassinato


O marido de Kouri Richins, Eric Richins, morreu em 2022. Exames identificaram uma dose de fentanil em seu organismo cinco vezes superior à dose letal. Acusação diz que a mulher já havia tentado envenená-lo antes. Ela nega as denúncias.

Um ano após a morte do marido, Kouri Richins, uma mãe de três filhos, publicou por conta própria o livro infantil “Are You With Me?” (Você está comigo). Segundo ela, isso ajudou as crianças a lidar com a perda repentina do pai.

O livro foi promovido em 2023 uma emissora de TV em Utah, nos Estados Unidos, e recebeu elogios. Semanas após a publicação, Richins foi presa pela morte do marido e acusada de assassinato. O julgamento começa na próxima segunda-feira (23) e deve durar um mês. Um júri de 12 pessoas decidirá seu destino.

Richins, de 35 anos, enfrenta quase três dezenas de acusações relacionadas à morte do marido, incluindo homicídio qualificado, tentativa de homicídio, falsificação, fraude imobiliária e fraude de seguro.

Kouri Richins, uma mãe de três filhos de Utah que escreveu um livro infantil sobre como lidar com o luto após a morte do marido e que mais tarde foi acusada de envenená-lo. — Foto: AP/Rick Bowmer

Os promotores afirmam que a mulher matou o marido, Eric Richins, em casa, em março de 2022, colocando fentanil em um coquetel que ele bebeu. Eles alegam que ela estava muito endividada e o matou por ganho financeiro, enquanto planejava um futuro com outro homem com quem tinha um relacionamento extraconjugal.

Ela se declarou inocente. Seus advogados de defesa, Wendy Lewis, Kathy Nester e Alex Ramos, disseram estar confiantes de que o júri decidirá a favor de Richins após ouvir sua versão dos fatos.

“Kouri esperou quase três anos por este momento: a oportunidade de ter os fatos deste caso ouvidos por um júri, livre da narrativa da promotoria que dominou as manchetes desde sua prisão. O que foi dito ao público pouco se assemelha à verdade”, disse sua equipe jurídica em um comunicado.

Nenhum comprimido de fentanil foi encontrado na casa de Richins, e o traficante da empregada doméstica disse que estava preso e em processo de desintoxicação quando confessou aos detetives, em 2023, ter vendido fentanil a Lauber. Posteriormente, em depoimento sob juramento, ele afirmou ter vendido apenas o opioide OxyContin.

A prisão causou grande comoção à época e cativou os entusiastas de histórias de crimes reais nos anos seguintes. Antes elogiado como uma leitura comovente, seu livro tornou-se, desde então, uma ferramenta para a promotoria argumentar que ela cometeu um assassinato premeditado.


Documentos alegam dois envenenamentos

Na noite da morte do marido, Richins ligou para o 911 para relatar que o havia encontrado "frio ao toque" aos pés da cama, de acordo com o boletim de ocorrência.

Ele foi declarado morto e, posteriormente, o legista constatou em seu organismo uma dose de fentanil cinco vezes superior à dose letal. Opioides, incluindo o fentanil, podem causar reações alérgicas graves.

Segundo documentos da acusação, essa não foi a primeira tentativa dela contra a vida dele. Um mês antes, no Dia dos Namorados, Eric Richins contou a amigos que teve urticária e desmaiou depois de dar uma mordida em um sanduíche que Richins havia deixado para ele.

Ela havia comprado o sanduíche na mesma semana em que, segundo a polícia, também comprou comprimidos de fentanil da empregada doméstica da família.

Kouri dedicou livro ao marido, Eric — Foto: Reprodução Facebook/Via BBC

Após injetar em si mesmo a EpiPen do filho e tomar um comprimido de Benadryl, um medicamento para alergia, Eric Richins acordou de um sono profundo e ligou para um amigo dizendo: "Acho que minha esposa tentou me envenenar", relatou o amigo em depoimento por escrito.

Um dia depois do Dia dos Namorados, Kouri Richins enviou uma mensagem de texto para seu suposto namorado: "Se ele pudesse simplesmente ir embora... a vida seria perfeita."


Testemunhas-chave

O amigo Eric Richins ligou naquela noite e a governanta, que alega ter vendido as drogas para a esposa dele, pode ser uma testemunha-chave no julgamento que se aproxima. Outros nomes podem incluir familiares e o homem com quem Kouri Richins supostamente tinha um caso.

A principal testemunha da acusação, a governanta Carmen Lauber, disse à polícia que deu a Richins comprimidos de fentanil que comprou de um traficante alguns dias antes do Dia dos Namorados.

Mais tarde, naquele mês, Richins teria dito à governanta que os comprimidos que ela havia fornecido não eram fortes o suficiente e pediu que ela conseguisse um fentanil mais forte, de acordo com os documentos da acusação.

Espera-se que os advogados de defesa argumentem que Lauber não forneceu fentanil a Richins e que mentiu em busca de proteção legal. Lauber não foi acusada no caso, e os detetives afirmaram em uma audiência anterior que ela recebeu imunidade.


Dinheiro como motivação

Os documentos da acusação indicam que Eric Richins se reuniu com um advogado especializado em divórcio e um consultor de planejamento patrimonial em outubro de 2020, um mês depois de descobrir que sua esposa havia tomado decisões financeiras importantes sem o seu conhecimento. Ela tinha saldo negativo em sua conta bancária, devia mais de US$ 1,8 milhão a credores e estava sendo processada por um deles, de acordo com os autos do processo.

Os promotores afirmam que Kouri Richins acreditava erroneamente que herdaria os bens do marido conforme os termos do acordo pré-nupcial. Ela também teria aberto diversos seguros de vida em nome do marido sem o conhecimento dele, com benefícios que totalizam quase US$ 2 milhões, segundo a acusação.

Ela ainda é acusada de falsificar pedidos de empréstimo e de reivindicar fraudulentamente benefícios de seguro após a morte do marido.


Fonte: G1


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