No verão o hipotálamo do cérebro faz com que os vasos sanguíneos próximos à pele se dilatem para que o calor possa escapar
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_da025474c0c44edd99332dddb09cabe8/internal_photos/bs/2026/s/T/ALVH3jRkup7pmu1TWmqg/3861.jpg)
Crise de enxaqueca — Foto: Freepik
Para pessoas com enxaqueca, o verão pode ser uma faca de dois gumes. Você pode conseguir relaxar mais, dormir até mais tarde, aproveitar o sol e passar tempo com a família e os amigos.
Mas outros fatores — como brilho intenso, calor e mudanças no sono e na alimentação — podem tornar as crises de enxaqueca mais prováveis ou mais intensas.
A enxaqueca é um distúrbio neurológico incapacitante que afeta 5 milhões de australianos. Além de uma dor de cabeça pulsátil, pode causar hipersensibilidade à luz, ao som, aos cheiros ou ao movimento.
Os gatilhos das crises variam de pessoa para pessoa, e as mudanças sazonais não afetam todo mundo. Mas, se você percebe que suas crises de enxaqueca pioram ou se tornam mais frequentes no verão, entender o motivo pode ajudar a se preparar.
O efeito do clima quente
Normalmente, quando está quente, você sua mais para regular a temperatura central do corpo. O corpo esfria quando o suor evapora da pele.
No verão, quando o ar está mais quente e há mais umidade, o hipotálamo do cérebro faz com que os vasos sanguíneos próximos à pele se dilatem para que o calor possa escapar.
Mas pessoas com enxaqueca geralmente têm nervos e vasos sanguíneos hipersensíveis. Quando os vasos se dilatam com o calor, isso pode irritar nervos próximos e causar inflamação, que o cérebro da pessoa com enxaqueca interpreta como dor. Isso se deve à resposta ao estresse do cérebro, não a uma infecção.
Desidratação
A sudorese ajuda a regular a temperatura central do corpo, resfriando-o à medida que o suor evapora da pele. Mas quando o ar está quente e úmido, fica mais difícil o suor evaporar e nos resfriar.
Isso pode levar à desidratação — outro gatilho potente.
Por que a desidratação é tão ruim?
Imagine seu cérebro como uma esponja flutuando em líquido cefalorraquidiano dentro do crânio. Se você estiver desidratado, o cérebro encolhe como uma esponja seca e puxa as estruturas às quais está preso ao crânio, o que pode provocar dor.
Se você estiver bem hidratado, o cérebro pode se expandir e preencher o espaço dentro do crânio, havendo menos “tração” e, portanto, menos dor.
Sensibilidade à luz
Para muitas pessoas com enxaqueca, o brilho é mais do que um pequeno incômodo — luzes fortes e reflexos podem causar dor e desencadear crises.
Quando a luz entra na parte posterior do olho, células especiais (células ganglionares da retina) processam esse sinal e enviam mensagens ao centro sensorial do cérebro (o tálamo).
Na enxaqueca, essas vias sensoriais da dor que envolvem o tálamo são hipersensíveis. Qualquer luz extra — ou luzes piscantes ou em movimento — é percebida como dor, e não apenas como brilho, podendo também causar tontura.
O brilho também reduz o contraste dos sinais luminosos que chegam ao olho, fazendo com que o centro visual do cérebro (o córtex visual) tenha que trabalhar mais para processá-los. Certos comprimentos de onda também podem ser mais difíceis de processar (incluindo luz azul e fluorescente ou a luz do sol refletida em telas). Isso pode causar dor.
Rotinas desreguladas
O cérebro de quem tem enxaqueca não gosta de mudanças. Mas dias mais longos no verão podem significar alterações na rotina.
Mudanças que podem desencadear uma enxaqueca incluem dormir em horários irregulares durante as férias, pular ou atrasar refeições ou alterações nos níveis de estresse. Isso inclui novo estresse, aumento do estresse — ou até relaxar após um período estressante.
Mudanças nas informações sensoriais que o cérebro processa também podem piorar a enxaqueca. Isso pode incluir novos cheiros (como protetor solar ou repelente), ruídos mais altos (crianças animadas nas férias) e luz mais intensa ou reflexos.
Até mesmo se exercitar mais do que o habitual pode ser um gatilho para algumas pessoas.
Tempestades
Pólen, umidade e tempestades desencadeiam crises alérgicas em pessoas com asma, rinite alérgica e eczema. Isso faz com que o sistema imunológico libere substâncias químicas chamadas histamina, que podem desencadear crises de enxaqueca em algumas pessoas.
Planos de ação para asma e alergias são duplamente importantes para o bem-estar desse grupo.
Mudanças súbitas na pressão do ar (em aviões e durante tempestades) também podem ser um forte gatilho para algumas pessoas. Seu amigo que diz prever o clima pelos sintomas da enxaqueca pode estar certo.
Conheça seus gatilhos
Independentemente da estação, estar preparado é fundamental.
Mantenha um diário dos dias com dor de cabeça e dos impactos do clima (temperatura, umidade, brilho) ou das atividades (por exemplo, quanto você está socializando ou se exercitando). Neurologistas especialistas em cefaleia podem usar esses dados para criar um plano de enxaqueca direcionado.
No verão, você também pode:
- planejar passeios para os dias ou horários mais frescos
- limitar a exposição ao sol e levar chapéu e óculos de sol; lentes polarizadas ou com filtro FL41 podem ajudar a reduzir o brilho
- carregar garrafas de água e líquidos ricos em eletrólitos para evitar a desidratação
- programar alarmes no celular para dormir e acordar em horários consistentes
- tentar manter refeições regulares e equilibradas, evitando excesso de açúcar, álcool e alimentos ultraprocessados.
Cuidando da medicação
Também é importante planejar e armazenar corretamente sua medicação para enxaqueca, especialmente se você for viajar. Você deve:
- levar os medicamentos para crises de enxaqueca e garantir que estejam dentro do prazo de validade
- verificar se suas prescrições estão atualizadas e se ainda há reposições disponíveis
- proteger os medicamentos do calor. Não os guarde no porta-luvas ou em bolsas expostas ao sol por longos períodos. Medicamentos injetáveis devem ser mantidos na geladeira abaixo de 4 °C até o uso.
Ao viajar, pode ser necessário ajustar o horário das doses ou usar uma bolsa térmica para manter a medicação refrigerada.
Se você acha que é sensível a mudanças sazonais, o ideal é conversar com seu neurologista sobre um plano de manejo da enxaqueca. Isso pode ajudar a identificar e controlar os principais gatilhos, além de prevenir e tratar crises agudas.
Da Redação / Com informações O Globo

.gif)