Durante a apresentação do coletivo, o tripé de apoio se abriu, e um integrante, montado num superdrone iluminado, decolou e sobrevoou os demais bailarinos.
Detalhe do drone tripulado da Portela — Foto: Leo Franco/AgNews
A comissão de frente da Portela trouxe um “drone gigante” — e tripulado.
Durante a apresentação do coletivo, o tripé de apoio se abriu, e um integrante, montado num superdrone iluminado e com uma máscara, decolou e sobrevoou os demais bailarinos.
Na narrativa, era a redenção do Negrinho do Pastoreio, que após uma vida de provações se torna o príncipe herdeiro da coroa de Bará.
“A gente quis trazer o drone para poder fazer o negrinho voar, porque ele se liberta”, contou a coreógrafa Cláudia Mota.
O público aplaudiu bastante a inovação da Águia. Quem estava nas frisas e nos degraus mais próximos à pista também sentiu a potência das hélices do equipamento.
O que representa
Dividida em 4 atos, a comissão de frente apresentou o enredo a partir do diálogo entre o orixá Bará e o Negrinho do Pastoreio, personagens que conduzem a narrativa da escola.
Na encenação, Bará, senhor dos caminhos no Batuque gaúcho, pede ao Negrinho que encontre uma história perdida na névoa. O menino retorna com a trajetória de Príncipe Custódio, liderança religiosa que, segundo a tradição afro-gaúcha, organizou o Batuque no Rio Grande do Sul e se tornou símbolo de resistência negra no estado.
A apresentação mostra a chegada de Custódio ao sul do país, sua atuação religiosa e política e o assentamento de Bará no Mercado Público de Porto Alegre, espaço considerado sagrado pelos praticantes. A partir desse ponto, a narrativa destaca a formação das nações do Batuque e a consolidação da religião como expressão de identidade e sobrevivência da população negra gaúcha.
“Energizado pela dança dos orixás e ancorado pelo assentamento de Bará por parte do Príncipe Custódio, o Batuque rompe fronteiras. É nesse momento que o Negrinho do Pastoreio retorna. Encantado, fica para trás o sofrimento e a lembrança da perda dos cavalos”, diz a sinopse.
O Negrinho do Pastoreio
A lenda do Negrinho do Pastoreio é uma das mais conhecidas do folclore do Rio Grande do Sul.
Ela conta a história de um menino negro escravizado que vivia em uma estância. Órfão, ele era maltratado pelo senhor. Um dia, recebeu a tarefa de cuidar de um grupo de cavalos, mas um dos animais desapareceu. Acusado de descuido, o menino foi castigado com violência. Em algumas versões, é deixado em um formigueiro para morrer.
No dia seguinte, o senhor volta ao local e encontra o menino vivo, sem ferimentos, ao lado da Virgem Maria, enquanto os cavalos reaparecem. O garoto, então, desaparece e passa a ser visto como uma figura encantada.
Segundo a tradição popular, o Negrinho do Pastoreio ajuda a encontrar objetos perdidos. Quem perde algo deve acender uma vela e fazer um pedido. Quando o objeto é encontrado, a pessoa agradece ao Negrinho com outra vela.
A lenda é interpretada por pesquisadores como uma narrativa que expõe a violência da escravidão no Sul do Brasil e, ao mesmo tempo, transforma o menino em símbolo de proteção e esperança.
Com informações do G1


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