Acordo deve aumentar acesso a tratamento contra câncer no SUS; entenda


Termo assinado pelo Ministério da Saúde estabelece compromisso para produção local de imunoterapia

Segundo estudo, dois ciclos de uma imunoterapia combinada, antes da cirurgia, aumenta a chance de cura em pacientes com melanoma - FatCamera/Getty Images

O Ministério da Saúde assinou com o Instituto Butantan e a farmacêutica MSD na última quinta-feira (26) um termo de compromisso para o estabelecimento da Parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP) da imunoterapia pembrolizumabe para pacientes em tratamento contra o câncer.

Esse acordo ampliará o acesso ao tratamento para pacientes oncológicos no SUS (Sistema Único de Saúde), aumentando, também, as opções terapêuticas contra o câncer para além da quimioterapia.

A imunoterapia permite que o próprio sistema de defesa do paciente reconheça as células cancerígenas e as combata, oferecendo aos pacientes respostas mais eficazes contra a doença com menos efeitos colaterais.

A expectativa é que, por meio do acordo, o medicamento atenda mais de 13 mil pessoas por ano em cinco indicações: câncer de colo de útero, esôfago, melanoma, mama triplo-negativo e pulmão. Juntos, esses tumores apresentam um impacto significativo no cenário oncológico brasileiro.

No caso do câncer de mama, o triplo-negativo é o subtipo mais agressivo, sendo mais comum em mulheres jovens - com menos de 40 anos - e negras. Já o câncer de colo de útero mata cerca de 20 mulheres diariamente no país, sendo o mais mortal até os 35 anos.

“Quando essas mulheres adoecem, há consequência direta no sustento e na dinâmica familiar, ampliando o efeito social da doença e causando um impacto significativo para o país”, explica Renan Ozyerli, VP e Diretor Geral da MSD Brasil.

Além disso, o melanoma metastático é o câncer de pele mais agressivo e responde por grande parte das mortes por câncer de pele. Já a maioria dos pacientes com câncer de esôfago é diagnosticada em estádio avançado, quando a letalidade é alta, mesmo com os tratamentos disponíveis no SUS.

"Estamos entusiasmados em adicionar um novo projeto de grande porte à nossa sólida parceria de longo prazo com o Instituto Butantan. O projeto vai levar nossa tecnologia de ponta com o objetivo de alcançar melhores desfechos para pacientes oncológicos no Brasil", afirma Ozyerli.

Com a assinatura do acordo, o pembrolizumabe será produzido em São Paulo, no parque fabril do Instituto Butantan, por meio de transferência de tecnologia com a MSD.

Após o acordo, a PDP prevê a transferência progressiva de tecnologia, incluindo etapas de fabricação, garantia da qualidade, qualificação de processos e capacitação técnica, com observância integral das exigências regulatórias aplicáveis. A transferência está prevista para ser concluída em até 10 anos.




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