Adolescente teria usado inteligência artificial para manipular foto de três alunas; famílias procuraram a polícia após divulgação entre estudantes

Mãe denunciou aluno que usou IA para criar fotos da filha nua em escola de Vitória Crédito: Fabrício Christ
Um caso de criação e divulgação de falsos "nudes" — fotos que mostram uma pessoa nua — envolvendo estudantes gerou revolta entre famílias em uma escola em Jardim Camburi, Vitória. Segundo a mãe de uma das vítimas, uma adolescente de 14 anos, um aluno manipulou uma foto antiga das colegas usando inteligência artificial para criar imagens falsas de nudez e passou a compartilhar o material entre outros estudantes.
De acordo com a mãe de uma das estudantes, em relato para a TV Gazeta, a situação teria começado após a filha encerrar um relacionamento com o garoto. Os dois estavam se conhecendo, mas a adolescente decidiu não continuar. “Quando o relacionamento ia evoluir para um namoro, ela disse que não queria. Eu acho que essa foi a motivação do crime”, relatou.
Segundo a mulher, após o término o estudante insistiu em retomar o contato e, em algum momento, manipulou a imagem com a ajuda de outro colega. A foto utilizada seria antiga e já estava salva no celular do garoto. “Era uma foto de um ano e meio atrás, das três (amigas) juntas no shopping, sorrindo”, contou.
A mãe afirma que os adolescentes utilizaram inteligência artificial (IA) para remover digitalmente as roupas das meninas na imagem. O material começou a circular dentro da própria escola. “Ele foi mandando um por um e também mostrando para outros alunos”, disse.
O caso chegou ao conhecimento da vítima quando um colega viu a imagem e decidiu alertar uma amiga, que entrou em contato com a adolescente. O impacto emocional foi imediato. A adolescente ficou profundamente abalada ao descobrir a manipulação da imagem. “Ela me disse: ‘Parece que eles tiraram a minha roupa de verdade’. E eu respondi que é exatamente isso, porque é uma violência real”, relatou a mãe.
No dia seguinte, as adolescentes procuraram a direção da escola para relatar o ocorrido e pedir providências. Segundo a mãe, os estudantes envolvidos foram chamados para conversar e admitiram ter manipulado a imagem. “Eles chamaram os pais dos meninos para conversar e deram um dia de suspensão. Disseram que iam lidar com isso de forma educativa”, afirmou.
Sentimento de injustiça
Inconformadas com a situação, as famílias das vítimas decidiram procurar a polícia. “A gente procurou a escola e também a polícia, porque a gente sabe que isso é crime e precisa ser respondido judicialmente”, disse.
A mãe conta que a filha segue emocionalmente abalada com o episódio e relata que o sentimento predominante é de injustiça. “O menino saiu da coordenação dizendo que isso não ia dar em nada. Então é muito triste. Toda vez que elas olham para esses meninos e eles cochicham, ela já pensa que estão falando delas.”
O que diz a Polícia Civil
A Polícia Civil informa, por meio da Delegacia Especializada de Adolescentes em Conflito com a Lei (Deacle), que tomou conhecimento de fatos envolvendo duas adolescentes de 14 anos, cujas imagens teriam sido manipuladas digitalmente e posteriormente divulgadas por outros alunos.
Após conhecimento dos fatos foi registrado um boletim de ocorrência, ocasião em que foram formalizadas as informações iniciais acerca do ocorrido. A partir do registro, foi instaurado procedimento para apuração das circunstâncias narradas, sendo realizadas diligências necessárias para o completo esclarecimento do caso, com a identificação dos envolvidos e análise do material eventualmente utilizado ou divulgado. O estabelecimento escolar está colaborando com as apurações, já tendo encaminhado os documentos requisitados.
Por envolver adolescentes, as informações do procedimento tramitam sob sigilo, nos termos do Estatuto da Criança e do Adolescente, razão pela qual maiores detalhes não podem ser divulgados neste momento. A Polícia Civil reforça que condutas envolvendo manipulação e divulgação não autorizada de imagens podem configurar ilícitos e são objeto de rigorosa apuração.
O que diz a escola
A reportagem demandou via e-mail, ainda na terça-feira, e tenta contato com a unidade de ensino onde o episódio teria ocorrido para saber quais medidas foram tomadas pela instituição. O texto será atualizado caso haja retorno.
Com informações da TV Gazeta

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