Moeda de 2.000 anos foi usada por engano para comprar passagem de ônibus


Objeto guardado por mais de 70 anos pelo neto de um contador de passagens traz entalhes ligados à cultura de uma das maiores civilizações da Antiguidade

Kat Baxter, curadora de arqueologia e numismática dos Museus e Galerias de Leeds, segura a antiga moeda fenícia que agora está em exibição no Centro de Descobertas de Leeds — Foto: Divulgação/Conselho Municipal de Leeds

Uma moeda fenícia, com mais de 2 mil anos de idade, vale mais ou menos uma passagem de ônibus? Para pesquisadores dos Museus e Galerias de Leeds, na Inglaterra, trata-se de um tesouro perdido que foi entregue acidentalmente por um passageiro a um motorista de ônibus na década de 1950.

Cunhada por cartagineses (herdeiros do povo fenício), no século 1 a.C., no que é hoje a cidade espanhola de Cádiz, a moeda foi doada à instituição de pesquisa por Peter Edwards, neto de James Edwards, ex-caixa chefe do Leeds City Transport que trabalhava como contador de passagens há décadas atrás.

A história curiosa foi compartilhada em comunicado do Conselho Municipal de Leeds publicado em 9 de março.


Tem troco?

James Edward tinha o trabalho de recolher as passagens dos motoristas de ônibus e bondes e, ao final do dia, contá-las. Em algumas situações, os trocados poderiam vir em formas inusitadas: moedas inelegíveis, falsas ou estrangeiras que não podiam ser trocadas. Ele levava essas moedas para casa e as presenteava para Peter, que guardou boa parte delas por mais de 70 anos.

“Não fazia muito tempo desde o fim da guerra, então imagino que os soldados tenham retornado com moedas dos países para os quais haviam sido enviados. Nenhum de nós era colecionador de moedas, mas ficamos fascinados por sua origem e simbologia – para mim, elas eram um tesouro”, diz Peter no comunicado.

O caso da moeda fenícia veio à tona a partir da curiosidade do neto de James em saber a origem do objeto. Foi através da investigação de suas características que ele conseguiu descobrir se tratar de uma moeda produzida há mais de 2 mil anos no que havia sido um assentamento cartaginês na costa espanhola, conhecido como Gadir.

Apesar de ter mais de 2 mil anos, a moeda tem seus entalhes bem conservados, elementos que foram peças chaves para Peter Edwards descobrir a origem da moeda — Foto: Divulgação/Conselho Municipal de Leeds


Doação de uma relíquia

A moeda apresenta em uma de suas faces o rosto do deus Melqart, divindade fenícia semelhante a figura grega de Hércules, com sua pele de leão. No comunicado, explica-se que algumas moedas fenícias traziam imagens gregas para torná-las mais atraentes para os comerciantes.

No outro lado, pode-se observar a gravura de dois peixes atuns-rabilho (Thunnus thynnus) que podem simbolizar a importância da atividade pesqueira em Gadir milênios atrás, de acordo com matéria do site Live Science.

Mesmo que as explicações sobre como a moeda chegou na Inglaterra não sejam claras, Peter se diz satisfeito em fazer a doação ao museu para que ela possa ser estudada e integrar a ampla coleção de moedas antigas da instituição.

“Meu primeiro pensamento ao descobrir sua origem foi que gostaria de devolvê-la a uma instituição onde pudesse ser estudada por todos, e os Museus e Galerias de Leeds gentilmente se ofereceram para lhe dar um bom lar. Meu avô ficaria orgulhoso de saber, assim como eu, que a moeda está voltando para Leeds”, diz.

Com informações da revista Galileu



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