Após fazer laqueadura no parto, mãe descobre nova gravidez três meses depois: “Só sabia chorar”


Influenciadora da Bahia, mãe solo de quatro filhos, vive gestação de alto risco após engravidar mesmo com laqueadura bilateral realizada durante cesárea

A influenciadora Mylla Pimentel, 31, de Camaçari (BA), passou por uma laqueadura durante a última cesárea e acreditava que não teria mais filhos. Apenas três meses depois, quase teve um surto ao descobrir uma nova gravidez. A situação causou surpresa e medo, já que, além de tudo, é uma gestação considerada de alto risco.

Três meses depois, mãe descobriu que estava grávida de novo — Foto: Reprodução/Instagram

Mãe solo, ela já tem Maria Júlia, 9 anos, Havi Luiz, 7, Fernanda, 3, e Maitê, 11 meses. Agora, espera Eloah. Segundo Mylla, a laqueadura foi realizada durante o parto da filha mais nova por recomendação médica. “Já era para ter feito essa laqueadura na terceira cesárea, porque não pode fazer muitas cesáreas e os riscos vão aumentando”, explica, em entrevista a CRESCER.

O plano era ter feito a laqueadura no terceiro parto, mas não tinha autorização. Na época, a lei que permite que uma mulher faça o procedimento sem autorização do companheiro ainda não estava em vigor.

Na última gestação, o procedimento foi considerado necessário. Mylla relata que assinou o termo autorizando o procedimento antes do parto. “Tenho um documento que afirma que foi feita uma laqueadura bilateral, que corta as duas trompas e cauteriza”, afirma.

Mesmo com a cirurgia, Mylla conta que percebeu algo diferente pouco tempo depois. “Não estava com sintomas, foi instinto de mãe. Fiz o teste e já estava com cinco semanas”, explica. Ela descobriu a nova gravidez no dia 7 de novembro de 2025. “Eu precisei ser acolhida pela psicóloga. Não aceitei, só sabia chorar”, lembra.

Além do susto, ela afirma que não esperava engravidar novamente, especialmente por ser mãe solo. “Eu tinha colocado na minha cabeça que não ia mais ter bebê, que não ia mais me colocar em risco. Eu tinha sido abandonada grávida e não estava tendo contato com nenhum homem”, conta. Após o período de resguardo, porém, ela conheceu uma pessoa e acabou engravidando.

A gravidez atual exige cuidados intensivos. Mylla está com 30 semanas e faz pré-natal de alto risco. “Sou hipertensa, estou com diabetes gestacional e tenho muitas cesáreas anteriores”, pontua. Além disso, há suspeita de outras complicações. “Estou com placenta prévia confirmada e suspeita de placenta acreta”, diz. Por causa disso, o parto deverá ser antecipado. “Se confirmar a acreta, o prazo é 34 semanas. Caso não confirme, 36 semanas”, afirma.

A placenta prévia é quando, por algum motivo, a placenta não se insere de forma correta dentro do útero. Existem diversos tipos de placenta prévia, no entanto, o tipo que encobre o colo do útero, apresenta mais riscos de dar início ao acretismo, que é quando a placenta adere na parede uterina. Por conta de todas estas condições, Mylla não pode entrar em trabalho de parto. Diante do histórico de cesáreas e das complicações, a equipe médica considera uma histerectomia, que é a retirada do útero, após o parto.

A influenciadora também relata o impacto psicológico da situação. “Estou em crise de ansiedade. É muita informação para uma cabeça só”, lamenta. Como se não fosse sucifiente, ela diz que tem recebido muitas críticas nas redes sociais. “Os julgamentos vêm de outras mulheres e mães”, diz.

Grávida e com bebê no colo — Foto: Reprodução/Instagram

Outro susto aconteceu ao descobrir o sexo do bebê. “Até o mês passado, achamos que era menino. Agora soube que é menina. Como sou mãe solo, não sei como vou trocar enxoval e cuidar de dois bebês”, afirma.

Apesar do medo, Mylla tenta manter a fé. “Com o tempo comecei a me adaptar e coloquei na minha cabeça: se Deus mandou, é porque sou capaz”, conclui.


Laqueadura pode falhar?

A laqueadura, também conhecida como ligadura de trompas, é um procedimento cirúrgico para impedir a gravidez de forma permanente. Durante a operação, as trompas de Falópio, que são tubos finos que conectam os ovários ao útero, são interrompidas. Isso impede a fecundação, uma vez que as trompas (também chamadas de tubas uterinas) são cortadas e suas extremidades são amarradas ou cauterizadas. Assim, o caminho dos óvulos é bloqueado, impossibilitando a fertilização pelos espermatozoides.

O primeiro ponto a ser considerado ao escolher fazer o procedimento é estar ciente de que existem outros métodos contraceptivos que podem ser reversíveis e têm altas taxas de sucesso, lembrando que nenhum deles é 100% eficaz. A laqueadura apresenta taxa de falha de 0,1% a 0,5%, porcentagem semelhante à do implante hormonal (0,1%) e ao DIU hormonal (0,1%-0,4%), de acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês), dos Estados Unidos, e com o Manual de Anticoncepção, da Febrasgo.

Com informações da revista Crescer



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