Arruda comandava a corporação desde 2018; até o momento, não foi anunciado quem assumirá o comando da Polícia Civil do Espírito Santo

José Darcy Arruda é delegado-geral da Polícia Civil do Espírito Santo. Foto: Dyhego Salazar/Folha Vitória
O delegado José Darcy Arruda pediu exoneração do cargo de chefe da Polícia Civil do Espírito Santo após mais de sete anos à frente da instituição. A informação foi divulgada nesta sexta-feira (3) pelo governador do Estado, Ricardo Ferraço, por meio de comunicado oficial.
Segundo o governador, o afastamento ocorre por razões de saúde e pela aposentadoria do delegado. Arruda comandava a corporação desde 2018 e esteve à frente de ações estratégicas voltadas ao enfrentamento da criminalidade no Estado.
Em nota, o governador agradeceu o trabalho realizado pelo delegado durante o período em que esteve na chefia da Polícia Civil. Ele destacou o compromisso com a segurança pública e os avanços institucionais alcançados ao longo da gestão.
"Registro meu reconhecimento e agradecimento pelo trabalho realizado ao longo desse período, marcado pelo compromisso com a segurança pública e por importantes avanços institucionais. Sua atuação contribuiu para fortalecer a Polícia Civil e para os resultados que o Espírito Santo vem alcançando na redução da criminalidade", escreveu Ricardo Ferraço, governador do Espírito Santo
O governador também desejou pronta recuperação ao delegado e informou que o governo iniciará o processo de avaliação de nomes para assumir a chefia da corporação.
“A partir de agora, iniciaremos a avaliação de nomes e perfis para a condução da instituição, com responsabilidade e foco na continuidade do trabalho que vem sendo desenvolvido”, declarou.
Até o momento, não foi anunciado quem assumirá o comando da Polícia Civil do Espírito Santo.
Darcy Arruda se manifesta nas redes sociais sobre a exoneração
Após oficializar o pedido de exoneração do cargo de chefe da Polícia Civil, o delegado José Darcy Arruda publicou um posicionamento nas redes sociais para comentar a decisão. No texto, ele afirmou que o desligamento marca o encerramento de um ciclo após mais de sete anos à frente da corporação.
Arruda informou ainda que a saída do cargo ocorre por razões de saúde e pela proximidade da aposentadoria. Segundo ele, a decisão também foi tomada devido à necessidade de se dedicar ao tratamento médico, após um novo diagnóstico de câncer, que exigirá a realização de um procedimento cirúrgico nos próximos dias.
Na publicação, o delegado ressaltou que deixa a instituição estruturada e com investimentos realizados em tecnologia, inteligência e valorização profissional, além de agradecer a confiança do governo e o trabalho desenvolvido pelos profissionais da segurança pública ao longo de sua gestão.
Arruda revelou em 2025 luta contra o quarto câncer
Em entrevista concedida ao Folha Vitória em 2025, o então chefe da Polícia Civil, José Darcy Arruda, falou publicamente sobre o tratamento contra o quarto câncer enfrentado desde 2021. Na ocasião, ele relatou ter passado por cirurgias, sessões de quimioterapia e radioterapia, além de enfrentar metástases no pulmão e um tumor na amígdala.
Durante a conversa, o delegado descreveu momentos críticos da doença e afirmou que chegou a temer pela própria vida. “Eu senti o gosto da morte na minha boca”, declarou na entrevista, ao relembrar uma das fases mais difíceis do tratamento.
Polêmica nas investigações da Operação Turquia
Dias antes de pedir exoneração do cargo, o delegado José Darcy Arruda também esteve no centro de um episódio que gerou repercussão na área da segurança pública. Um advogado anunciou que pretende processar o Estado e o então chefe da Polícia Civil após a divulgação do nome de um delegado que atuava como testemunha em uma investigação sigilosa.
O caso está relacionado à Operação Turquia, que apura o possível envolvimento de policiais civis com o crime organizado e o tráfico de drogas. Segundo a defesa, a identidade do delegado deveria ter sido preservada por questões de segurança, mas teria sido tornada pública após declarações do chefe da corporação.
A situação resultou em questionamentos e abriu um novo capítulo de tensão institucional às vésperas da saída de Arruda do comando da Polícia Civil. Em nota, a Polícia Civil afirmou que que as informações sobre o caso não estão sob sigilo.

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