Infarto durante o treino? Saiba reconhecer os sinais e como agir

Infarto durante o treino? Saiba reconhecer os sinais e como agir a tempo — Foto: Freepik

Praticar atividades físicas é essencial para a saúde e traz diversos benefícios para o corpo e a mente. No entanto, durante o treino, o organismo pode apresentar sinais de mal-estar. Por isso, é fundamental ouvir o próprio corpo e estar atento aos sinais de alerta.

Em alguns casos, esses sintomas podem indicar algo mais grave, como um infarto. Saber identificá-los precocemente pode ser decisivo para evitar complicações e garantir um atendimento rápido e eficaz.

Por isso, o gshow conversou com dois cardiologistas para explicar como identificar esses sinais e o que fazer nessas situações.

Vitor Bruno Teixeira de Holanda, médico cardiologista e coordenador do serviço de emergência cardiológica do Hospital das Clínicas Gaspar Vianna, alerta que o principal sinal é a clássica dor no peito, geralmente em aperto, que pode surgir até mesmo após o esforço.

Já Thaíssa Monteiro, cardiologista do Grupo Valsa Saúde, acrescenta que, durante os exercícios, os sinais podem ser sutis e perigosos. Entre os principais, os médicos destacam:
  • Falta de ar desproporcional ao esforço
  • Tontura intensa ou sensação de desmaio
  • Suor frio e excessivo, sem relação com o calor do ambiente
  • Náusea ou vômito súbitos
  • Cansaço extremo e incomum, diferente do desgaste habitual do treino
  • Sensação de queimação ou ardência, que pode ser confundida com problemas gástricos
  • Dor em aperto no queixo ou nos ombros

"O sinal mais importante é quando qualquer um desses sintomas aparece de forma súbita, intensa ou diferente do que a pessoa já sentiu antes", destaca Thaissa.

Existe diferença entre dor muscular comum e dor cardíaca?

Segundo Vitor, há diferenças, mas nem sempre é fácil identificá-las.

"As dores musculares, geralmente, aumentam quando fazemos pressão no lugar da dor, por exemplo, quando apertamos com a mão, pioram com alguma posição, por exemplo, quando senta ou deita. Já a dor anginosa, ou seja, aquela do infarto, não tem posição que cause melhora."

Thaíssa reforça com uma dica prática: se você apertar a região dolorida com os dedos e a dor não se alterar, isso é um sinal de alerta.

“A dor muscular costuma piorar com a palpação; a dor cardíaca, não.”

Ao suspeitar de infarto durante o treino, qual deve ser a primeira atitude?

"Na suspeita de um infarto, esteja onde estiver e na situação que estiver, a primeira atitude será sempre procurar uma emergência imediatamente, sem retardar a ida ao hospital por nenhuma outra medida", alerta Thaissa.

Ela destaca ainda que, quanto mais rápido o atendimento, melhores são as chances de resposta e o prognóstico. "Na dúvida, trate como infarto: é muito melhor ir ao hospital e receber alta com tudo bem do que ignorar um sinal e se arrepender depois."

Os especialistas também ressaltam a importância da preparação dos ambientes de treino. Profissionais de Educação Física devem estar capacitados para reconhecer e agir em situações de emergência, e academias devem contar com um desfibrilador automático externo (DEA) em local visível e de fácil acesso.

Após um infarto, posso voltar a treinar?

Infarto durante o treino? Saiba reconhecer os sinais e como agir a tempo — Foto: Freepik

Vitor conta que sim e destaca que, no hospital onde atua, a retomada das atividades físicas acontece de forma precoce, em alguns casos, cerca de 12 horas após o tratamento do infarto. Segundo ele, essa abordagem acelera a recuperação e reduz o risco de novos episódios, tese que também é endossada por Thaíssa.

"Estudos mostram que quanto mais cedo se inicia a reabilitação cardiovascular, maiores são os benefícios", destaca a médica.

Quais cuidados são necessários ao retornar?

A volta aos exercícios deve ser gradual e sempre acompanhada por profissionais de saúde. Entre as principais recomendações estão:
  • Manter a pressão arterial e a frequência cardíaca controladas
  • Evitar, no início, exercícios intensos, como futebol, corrida e treinos funcionais
  • Priorizar atividades leves a moderadas, como caminhada e musculação orientada
  • Observar atentamente a resposta do corpo durante o exercício
  • Não retomar a prática por conta própria, sem avaliação e supervisão médica
  • Manter mudanças no estilo de vida, como alimentação equilibrada, controle do estresse, abandono do tabagismo e sono de qualidade

Com informação e atenção aos sinais do corpo, é possível praticar exercícios com mais segurança e cuidar da saúde do coração a longo prazo.



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