“Lista suja” do trabalho escravo é atualizada e inclui Amado Batista e BYD


Cadastro federal passa a ter mais de 600 empregadores; casos recentes resultaram no resgate de mais de 2 mil trabalhadores

Trabalho análogo à escravidão — Foto: Wellyngton Souza/Sesp-MT

O governo federal atualizou nessa segunda-feira (6) a chamada “lista suja” do trabalho escravo, documento oficial que reúne empregadores flagrados submetendo trabalhadores a condições análogas à escravidão em todo o país.

Nesta nova atualização, 169 empregadores foram incluídos no cadastro, sendo 102 pessoas físicas e 67 empresas. Entre os nomes que passam a integrar a lista estão o cantor Amado Batista e a montadora chinesa BYD. Com isso, o total de registros ativos chega a cerca de 613.

Os casos analisados ocorreram entre os anos de 2020 e 2025 e abrangem 22 unidades da federação. Minas Gerais lidera o número de inclusões, seguido por estados como São Paulo, Bahia, Paraíba e Pernambuco.

De acordo com os dados divulgados, as ocorrências mais frequentes estão ligadas a atividades como serviços domésticos, criação de bovinos para corte, cultivo de café e construção civil — setores historicamente associados a fiscalizações por irregularidades trabalhistas.

Ao todo, os novos registros resultaram no resgate de 2.247 trabalhadores que viviam em condições degradantes, com jornadas exaustivas, falta de direitos básicos e, em alguns casos, restrição de liberdade.

Um dos casos que motivaram inclusão na lista envolve a empresa BYD, após a identificação de 220 trabalhadores chineses em situação irregular durante a construção de uma fábrica em Camaçari, na Bahia. As investigações apontaram que os funcionários estavam alojados em condições precárias, sob vigilância e com passaportes retidos, além de enfrentarem jornadas exaustivas e ausência de descanso semanal.

Após a repercussão, a empresa informou que as irregularidades foram cometidas por uma construtora terceirizada e afirmou ter encerrado o contrato com a prestadora de serviços. Posteriormente, foi firmado um acordo que envolveu o pagamento de indenizações e medidas de reparação.

Já no caso do cantor Amado Batista, as autuações ocorreram em propriedades rurais no estado de Goiás, onde trabalhadores foram encontrados em condições consideradas irregulares durante fiscalizações realizadas em 2024.

Imagens mostram condições de trabalho em obra da BYD na Bahia — Foto: Arquivo Pessoal

Além das inclusões, a atualização também retirou 225 empregadores que completaram o período de dois anos no cadastro, prazo padrão de permanência na lista. No entanto, regras mais recentes permitem a saída antecipada em casos específicos, como a assinatura de termos de ajustamento de conduta com compensação às vítimas.

Criada em 2004, a “lista suja” é divulgada semestralmente pelo Ministério do Trabalho e Emprego, com o objetivo de dar transparência às ações de combate ao trabalho escravo contemporâneo no Brasil. A inclusão de nomes ocorre somente após a conclusão de processo administrativo, sem possibilidade de recurso.

Desde a criação do Grupo Especial de Fiscalização Móvel, em 1995, mais de 68 mil trabalhadores já foram resgatados em situações semelhantes em todo o país, resultado de operações que envolvem diversos órgãos públicos, como auditoria fiscal, Ministério Público e forças de segurança.

A divulgação do cadastro é considerada uma das principais ferramentas de enfrentamento ao trabalho escravo no Brasil, além de servir como base para políticas públicas e restrições de crédito a empregadores envolvidos nesse tipo de prática.

Com informações do G1




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