Pais apostam em supervisão, filtros e limites para equilibrar tecnologia e segurança digital
Foto: Canva ProDizem que a maternidade é um eterno doar-se. E para muito além do carinho, dos beijos e abraços, a proteção é uma das maiores constantes na vida de uma mãe. Afinal de contas, o cuidado e o zelo são duas das maiores formas de se expressar amor que existem.
Não à toa, muitas vezes as mães são representadas nas artes como leoas, líderes, sempre alertas e vigilantes no que diz respeito à proteção de seus pequenos.
Nos dias de hoje, em que a internet se tornou parte quase indissociável da vida em sociedade e família, o cuidado precisa ser triplicado. É necessário estar de olho no que os filhos acessam e consomem na rede. Desde pequenas, as crianças precisam ser ensinadas sobre responsabilidade em relação a onde clicam e com quem conversam.
Uma mãe que conhece muito bem este tipo de relação é a publicitária Denise Targueta Ferreira, de 36 anos, moradora de Domingos Martins, Região Serrana do Espírito Santo.
Denise é mãe de duas crianças: Francisco, de 8 anos e Celeste Maria, de apenas um aninho. E como bom desbravador do mundo, assim como toda criança, Francisco já acessa a internet, mas sempre sob a atenção da mãe.
Isso porque, como ela mesmo conta, Francisco acabou tendo contato muito cedo com telas, o que precisou ser diminuído para que o desenvolvimento do pequeno não fosse afetado.
Quando ele era bebê, virei mãe solo muito cedo. Foi um rompimento muito repentino, mãe de primeira viagem, então o uso de tela acabou sendo natural. A primeira infância dele teve muito contato com acesso à internet, o que gerou um prejuízo muito grande.Denise Targueta, publicitária e mãe de Francisco e Celeste
Apesar do primeiro contato, ela relata que Francisco nunca teve acesso irrestrito à internet. Bem como não tem nenhum aparelho só dele.
Denise conta que por ter sido exposto muito cedo às telas, Francisco passou por algumas dificuldades no que dizia respeito à autorregulação, até mesmo na escola. O problema foi resolvido após um período “detox” de contato com a internet.
Controle parental
Como criança inteligente e ativa, Francisco tem interesses que, muitas vezes, vão além do esperado para um menino de 8 anos.
Segundo Denise, no ano passado, o filho desenvolveu interesses por história, se tornando um mini-especialista em Idade Média, além de outros acontecimentos históricos do Brasil e do mundo. O pequeno, inclusive, é “autoproclamado youtuber”, como diz a mãe.
Com esses interesses crescentes, os pais decidiram que Francisco poderia acessar, com o controle deles, conteúdos que agucem a criatividade do menino.
Reprodução/Arquivo Pessoal“Nossa realidade é muito conectada, e ano passado entendemos que cortar totalmente o acesso à internet não seria o melhor caminho. Então deixamos ele assistir a conteúdos que têm relevância e limitamos o tempo. Ele ficou mais calmo, mais solícito e muito mais criativo”, contou.
Além disso, ela relata que Francisco utiliza apenas serviços de streaming com controle parental. O que ajuda, e muito, a manter os olhos no que o pequeno consome na internet.
“Meu esposo trabalha de home office, então fica de olho no que ele assiste na televisão. O acesso ao celular é só quando nós estamos por perto, e os jogos de computador não têm acesso aos chats”, relatou.
Rede social não é lugar de criança
Apesar das liberdades, feitas para não tolher o aprendizado e imaginação do filho, na casa de Denise uma regra é clara: o acesso a redes sociais é só para os adultos.
Isso porque os aplicativos não são apropriados para o uso de crianças. Ali existem conteúdos que não devem e nem podem ser expostos para elas, como a própria Denise explica.
Além disso, por meio das redes, não é tão simples filtrar com quem a criança se comunica, o que se mostra como um perigo real nos dias de hoje.
Não é algo para criança. Nós sempre fazemos uma comparação aqui: deixar uma criança solta nas redes sociais é tão perigoso quanto largar essa criança sozinha em uma estrada movimentada com muitos carros e caminhões.
Francisco acessa a conta da mãe no Youtube, mas quando passa tempo demais em frente às telas, a própria Denise dá um jeito de invadir o aplicativo e “cortar as asinhas” do filho, para que se concentre nos seus afazeres diários, como a escola.
Não raro, ela o surpreende com mensagens em pleno vídeo “Francisco, saia do youtube!” aparece em letras garrafais na tela.
Tudo no tempo certo
O tempo passa rápido e num piscar de olhos as crianças se tornam pré-adolescentes e, com essa mudança batendo à porta, Francisco já diz aos pais que quer muito ter um celular. Mas segundo a própria Denise, este ainda não é o momento certo para deixar um aparelho na mão do menino.
Ela e o filho conversam diariamente e ela e o marido estudam todas as possibilidades de oferecer essa tecnologia a ele, mas no momento certo.
Reprodução/Arquivo PessoalDepois que completou 8 anos, os pais liberaram algumas responsabilidades para ele. Hoje, Francisco vai e volta sozinho da escola, assim como da padaria. Esta foi a forma encontrada por Denise e o marido de fazer o pequeno entender a maturidade no dia a dia.
“Ele sabe que no momento certo terá mais acesso à internet, mas à medida que acharmos que isso é possível, monitorando tudo até que ele possa assumir a responsabilidade do que faz e ter mais privacidade”, disse.
Cuidado como forma de amor
Para muitas crianças e adolescentes, muitas vezes as limitações impostas pelos pais podem parecer exagero, até mesmo uma preocupação exacerbada.
Apesar disso, esses gestos de cuidado são fundamentais para um crescimento saudável, até porque, pais também já foram jovens e sabem melhor que os pequenos como funciona o mundo.
Reprodução/Arquivo PessoalAfinal de contas, quem é millenial sabe muito bem que quando a internet se popularizou no Brasil, era muito comum passar finais de semana inteiros conversando com estranhos na rede mundial de computadores.
“Para você criar a consciência numa criança, que já nasceu mexendo no celular, o que é bom e ruim na internet, que para eles é a mesma coisa que energia elétrica para a gente, é muito difícil. E esse é um desafio da nossa geração, que via de regra, é extremamente preocupada com isso”, disse.
Denise relata que este é, justamente, um dos grandes desafios do amor: a imposição de limites.
E é por isso, segundo ela, que se torna uma das mais importantes, pois poucas frases no mundo se parecem tanto com “eu te amo” quanto “eu me preocupo com você”.
E eu acho que a parte mais difíceis do amor, e talvez uma das mais importantes, é agir com sabedoria na imposição de limites. Nem sempre dá certo. A gente faz o melhor pode com os recursos disponíveis no momento.
Saiba como proteger os filhos na internet
Como o acesso dos filhos à internet acaba sendo inevitável, o empresário e colunista do Folha Vitória, Jackson Galvani, gerente de tecnologia da informação (TI), dá algumas dicas sobre como manter os filhos seguros no ambiente virtual.
Ele explica que o primeiro passo é o diálogo, o famoso “conversar antes de proibir”. O especialista alerta que a melhor forma de fazer isso é informar as crianças sobre os riscos sem gerar pânico.
O especialista relata que filhos que conversam com os pais pedem ajuda quando algo errado acontece, a dica é: pergunte o que eles fazem online, sem julgamento.
Assim como Denise, Jackson recomenda controle parental no que os filhos consomem, pois eles ajudam a filtrar conteúdos impróprios e limitar o tempo de tela.
Sinais de alerta
- O especialista também pontuou alguns sinais de que algo pode estar errado e é preciso ficar atento a eles. Alguns dos principais são:Esconde a tela quando você chega perto
- Fica agitado, triste ou irritado após usar o celular
- Recebe mensagens em horários incomuns
- Fala com pessoas que você não conhece
Por conta disso, o especialista afirma que é necessário diálogo, mas também orientação, para que os filhos saibam identificar perigos.
Ensine que nem tudo que aparece online é verdade. Fakes, golpes, estranhos pedindo fotos, mostre exemplos reais para que eles saibam reconhecer. A melhor proteção não é o app mais sofisticado. É a criança saber que pode contar com você sem medo de julgamento. Cuide do digital como cuida do resto, com presença e amor.Jackson Galvani
Tanto o Google como a Apple, responsáveis pelos sistemas Android e iOS, possuem ferramentas que permitem aos pais controlar e limitar o tempo de tela de seus filhos no celular ou tablet. Veja abaixo como configurar:
- Nos aparelhos Android:Em “Configurações”, clique em “Bem-estar digital e controles parentais” e depois em “Controles parentais”;
- Depois disso, escolha a conta que pertence à criança e clique em “Supervisionar conta”, pressione “Próxima” para seguir e insira o e-mail e senha da conta do Google que pertence ao responsável que fará a supervisão;
- Após isso, basta confirmar a senha da conta da criança e avançar, pressionando “Permitir” para que o celular do responsável possa administrar o celular da criança;
- No final, basta configurar as permissões e limites da maneira que quiser e confirmar a operação clicando em “Concluído”. É possível ativar filtros para sites adultos nas pesquisas do Google e no uso do Google Chrome e também limitar o tempo de tela em aplicativos específicos ou de maneira geral.
- Existe também o aplicativo Family Link, que permite que os responsáveis vinculem mais de uma conta, para poder estabelecer os controles adequados de tempo de uso e conteúdo apropriado para cada um dos filhos, além de conferir a localização em tempo real dos dispositivos.
Nos aparelhos iOSNo
- celular da criança ou adolescente (se ela tiver), vá em “Ajustes”, clique em “Tempo de Uso” e selecione “Conteúdo e privacidade”;
- Clique em “App Store, Mídia, Web e Jogos” e configure cada opção individualmente, definindo tempo de uso para cada aplicativo, ativando restrições de idade para sites ou aplicativos.
Para controlar a atividade a partir do seu próprio aparelho da Apple:
- Acesse “Ajustes” em seu próprio aparelho, clique no seu nome e selecione “Família” para criar um grupo de Compartilhamento Familiar;
- Após criar um perfil para a criança ou adicionar um perfil já existente, é só selecionar essa conta para configurar os limites e restrições desejados. Com essa opção também é possível acompanhar a localização em tempo real de todos os dispositivos que fazem parte do grupo.
Com informações da folha vitória

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