Outdoors, inclusive, é a dica do empresário para que procura por companhia
Atual placa instalada por Valentim no Rio de Janeiro — Foto: Acervo pessoalCarlos Valentim encontrou uma namorada. A informação pode parecer boba ou sem importância, mas não para quem conhece o empresário que, em junho de 2024, espalhou cerca de 100 outdoors pelo Rio de Janeiro, respondeu a mais de 20 mil mensagens — nas contas dele — e apareceu no Mais Você, de Ana Maria Braga, tudo em busca de uma companheira. Depois de quase dois anos do início da saga, chegou Rosilene, sua atual noiva. Agora, o homem que ficou conhecido pela frase “Procura-se uma namorada” voltou aos outdoors, mas desta vez, o anúncio traz uma foto do casal e uma mensagem de desfecho: “Enfim, encontrei a namorada”.
A ideia dos outdoors nasceu depois de uma tentativa frustrada de encontrar alguém pelos aplicativos. Viúvo, Valentim conta que passou cerca de quatro anos sozinho e chegou a usar plataformas como Tinder e Badoo, mas diz não ter se adaptado. Como já anunciava sua empresa de portões automáticos em placas espalhadas pela cidade, decidiu usar a mesma estratégia para a vida amorosa.
“Do nada, acordei umas 7h da manhã e pensei: outdoor vai me dar resultado”, afirma. A princípio, ele queria colocar 70 placas, mas a gráfica conseguiu produzir 50. O anúncio trazia sua foto, acompanhado de Mel e Pretinha, suas duas cachorras, além do perfil nas redes sociais e a frase que o tornaria conhecido no Rio. “Pensei: uma mulher passa de carro, vê meu outdoor e pensa: o cara botou outdoor, isso é caro. Se ele fez isso, quer compromisso sério, não quer bagunça”.
A empreitada não foi barata, já que cada campanha envolve custos de produção gráfica, aluguel das placas e escolha dos pontos de veiculação, que variam conforme a região da cidade. O empresário cita que áreas como Recreio, Zona Norte e Avenida Brasil, locais onde sua foto ficou estampada, têm custos diferentes e afirma que o “combo” de 50 outdoors fica em torno de R$ 40 mil.
Procura-se uma namorada
Placa instalada em 2024, quando o empresário começou as buscas — Foto: Acervo pessoalAs placas foram distribuídas principalmente em áreas de grande circulação do Rio de Janeiro, como a Avenida Brasil. O retorno veio rápido. Em cerca de uma semana, Valentim diz ter ganhado entre 500 e 600 seguidores nas redes sociais. Depois, circulou em programas de TV, como o Mais Você. “Começou tudo ali”, lembra.
Com a exposição, vieram as mensagens. Muitas. Valentim calcula ter recebido cerca de 20 mil contatos de mulheres interessadas, curiosas ou apenas atraídas pela repercussão da história. “Chegava mensagem de tudo quanto é jeito. Nem sabia que dava para fazer chamada de vídeo no meu perfil”, conta. “Do nada, tocava, atendia, era chamada de vídeo”.
Apesar da quantidade de mensagens, o namoro não veio de imediato. Valentim diz que conversou com várias pessoas, mas não encontrou alguém com quem quisesse seguir. Em dezembro de 2024, fez uma nova rodada de outdoors, agora com a frase “A saga continua”. Também deu entrevistas e manteve a busca pública. “Foi aparecendo, aparecendo, mas nenhuma daquelas deu certo. Aí foi quando conheci a Rosilene”.
A história de amor
A noiva, segundo ele, acompanhava a história há algum tempo. Viu entrevistas, podcasts e publicações nas redes, mas esperou o momento certo para se aproximar. “Ela usou uma estratégia. Me viu, mas escolheu esperar a hora certa”.
A primeira mensagem veio pela rede social, um dia antes do aniversário dela, por volta do fim de agosto de 2025. Valentim conta que Rosilene mandou uma foto ao lado do irmão e disse que ele era fã do “homem do outdoor”.
“Ela jogou o irmão na fogueira”, brinca. “Na verdade, ela achou que eu nem ia responder”. Ele respondeu. Os dois começaram a conversar e Valentim cumpriu uma promessa que havia feito durante a busca: se a conversa fluísse com alguém, levaria a pessoa para comer comida japonesa. “Levei ela para o rodízio. Foi onde começou tudo. Rolou química e estamos aí até hoje”.
Rosilene e Valentim no primeiro encontro — Foto: Arquivo pessoalAmor de cão
Hoje, os dois estão noivos. O casamento, segundo Valentim, está previsto para maio do ano que vem, antes do Dia dos Namorados. Em vez de presentes tradicionais, ele quer pedir sacos de ração aos convidados, para doar a animais. “Todo mundo dá fogão, geladeira. Quero ver quem compra saco de ração para ajudar os bichos”.
A causa animal também faz parte da história. Valentim se define como protetor, ajuda canis, faz doações e usa a visibilidade para apoiar feiras de adoção. A relação com os animais vem da infância na roça, onde cresceu cercado por cachorros, patos e galos.
Ao mesmo tempo, ele assume uma contradição: tem medo de cachorro. “Sou protetor de animais e tenho medo de cachorro. Sou o único no mundo”, brinca. Segundo ele, o medo pode estar ligado a uma mordida que sofreu quando criança, episódio que o levou a tomar dezenas de injeções.
Dicas para quem quer namorar
A fama repentina também trouxe algumas questões. Valentim diz que algumas pessoas acharam que ele tinha enriquecido por aparecer na televisão ou por bancar campanhas em outdoors. Ele afirma que segue levando uma vida humilde.
“Sou uma pessoa muito simples. Agora mesmo estou de chinelo, bermuda e meu bonezinho”. Mesmo assim, diz que a exposição valeu a pena. Sem os outdoors, acredita que não teria conhecido a companheira. “Se não fosse a mídia, se eu não tivesse aparecido, eu não sairia com a Rosilene”.
Para quem ainda procura um relacionamento, Valentim dá um conselho no mesmo tom direto que o levou às placas do Rio. “Tem a dica de botar um outdoor: procura-se uma namorada. Pode botar cinco, dez ou até um. Mas tem que escolher a dedo. Não pode desistir, tem que ir até o final.”
Com informações da GQ

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