'Exterminador de moradores de rua': homem é preso por matar sete pessoas no ES e BA


Marcelo Campos de Jesus, 37 anos, foi preso após matar um homem na Serra com golpes de pedaço de concreto. Na investigação, a polícia descobriu que ele é procurado por outras seis mortes na Bahia.

O homem preso por matar um morador em situação de rua na Serra, Grande Vitória, em abril, é apontado pela polícia como um "exterminador de moradores de rua". Marcelo Campos de Jesus, de 37 anos, é investigado pelo assassinato de outras seis pessoas na Bahia entre novembro de 2025 e abril de 2026.

A última vítima de Marcelo foi Vanilson Pereira, de 50 anos. Ele foi assassinado com golpes na cabeça com uma placa de concreto, enquanto dormia, no bairro Planalto Serrano, em 27 de abril. O crime foi flagrado por câmera de segurança (assista abaixo).

Vanilson chegou a ser socorrido e enviado ao hospital, onde ficou dias internado. Mas ele não resistiu e veio a óbito na noite de terça-feira (5).

"Marcelo agia como uma espécie de exterminador de moradores de rua", descreveu o delegado Rodrigo Sandi Mori. Depois de cometer o crime, o suspeito foi preso no dia seguinte, em 28 de abril.

Na investigação, a polícia descobriu outros homicídios praticados pelo "serial killer", principalmente na Bahia, onde ele já estava sendo procurado. A maioria das vítimas são moradores em situação de rua.

Marcelos Campos de Jesus, 37 anos, investigado pela morte de moradores de rua no Espírito Santo e na Bahia. — Foto: Divulgação/Polícia Civil do ES


Veja os outros assassinatos cometidos por Marcelo:
  • Homicídio (09/11/2025): vítima Marilene da Ressurreição Lopes, de 42 anos, encontrada em área de vegetação com lesão na cabeça causada por instrumento contundente;
  • Homicídio (15/11/2025): vítima identificada como Valdemar da Silva, pessoa em situação de rua, que morreu após agressões físicas. Ele chegou a ser socorrido ao Hospital Costa das Baleias, mas faleceu dias depois;
  • Duplo homicídio (16/02/2026): vítimas Jandira Luz Nascimento, de 51 anos, e Djalma Vilela Pereira, de 50 anos, encontrados mortos com lesões na cabeça provocadas por instrumento contundente;
  • Homicídio (02/04/2026): vítima do sexo masculino, não identificada, encontrada morta em uma borracharia, apresentando lesões na face, possivelmente causadas por um pedaço de madeira;
  • Homicídio (07/04/2026): vítima do sexo masculino, não identificada, localizada em um abrigo de ponto de ônibus às margens da BR-101, nas proximidades de um estabelecimento comercial, com sinais de agressão na cabeça provocadas por pauladas.

Motivação para o último assassinato

Segundo o delegado Pedro Henrique, as imagens analisadas pela polícia mostram que Marcelo observou o local antes do ataque a Vanilson e se certificou de que não havia testemunhas por perto antes de agir.

O bloco de concreto usado no crime foi retirado pelo suspeito de um bueiro próximo ao local onde a vítima dormia, em uma calçada.

"O Marcelo, a todo instante, olha ao seu redor para verificar se não tinha alguma pessoa passando que pudesse ver a sua ação. Ao ver que estava sozinho com a vítima vulnerável, impossibilitada de qualquer defesa, ele retira esse bloco de concreto do chão e arremessa violentamente contra a cabeça de Vanilson", disse o delegado Pedro Henrique.

Após o ataque, Marcelo retirou a carteira que estava no bolso traseiro da vítima. Dentro dela havia apenas R$ 12, valor que foi levado pelo suspeito. Em seguida, segundo o delegado, ele deixou o local caminhando tranquilamente, "como se nada tivesse acontecido".

"É importante também mencionar que, antes de retirar essa carteira, para deixar uma cena de crime bem limpa, ele pega o bloco de concreto utilizado para arremessar na cabeça de Vanilson e o reposiciona no bueiro, para evitar qualquer suspeita das pessoas que pudessem passar por ali", completou o delegado.

No interrogatório, Marcelo disse que comprou bala e chips com o dinheiro roubado. "O que mostra total desprezo pela vida alheia", ressaltou o adjunto da DHPP da Serra.

Vanilson Pereira tinha 55 anos e estava em situação de rua há 30 anos, no Espírito Santo. — Foto: Reprodução/TV Gazeta


Morte após 7 dias internado

Vanilson Pereira, 50 anos, que foi brutalmente agredido com um pedaço de concreto enquanto dormia, em 27 de abril, morreu na noite da última terça (5), após ficar quase dez dias internado. O crime foi flagrado por uma câmera.

Nas imagens, é possível ver que o agressor se prepara para o crime. Ele olha para os lados, pega uma tampa de bueiro que está encostada na parede e ataca o homem, que dormia virado para o muro. Em seguida, o homem checa os bolsos da roupa da vítima e foge.

Vanilson Pereira tinha 55 anos e saiu da casa onde vivia há 30 anos. Segundo a mãe dele, Eva Pereira, de 80 anos, o filho entrou em depressão depois que o irmão dele morreu em um acidente de trânsito. A partir daí, a vítima começou a usar drogas e não retornou.

"O que eu pude fazer para tirar ele da rua e ajudar, eu fiz. Até a última hora. Portanto, estou aqui acompanhando o último passo", relatou a mãe de Vanilson, em frente ao IML de Vitória.

A mãe da vítima, que mantinha contato com o filho, também contou que ficou sabendo do crime pela televisão, assistindo ao jornal.

"Eu tava assistindo ao jornal. Eu vi e ainda pensei: 'Será que é o Vanilson?'. Eu falei: 'Não, não é'. Ele estava virado para o lado do muro e o rapaz veio pelas costas. Aí, na hora que deu a pedrada nele, ele só esticou as pernas, acho que de tanta dor. Aí, no outro dia, foi que eu fiquei sabendo que era ele", disse Eva.

Segundo ela, o suspeito de cometer o crime teria sido preso no dia seguinte ao ataque, em 28 de abril. A Polícia Civil confirmou a prisão do suspeito, mas não deu mais detalhes nem divulgou a identidade.

Eva também disse não saber a motivação do crime. "Ele não era um menino ruim, o que ele podia fazer de bem para as pessoas, ele fazia".







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