Descoberta em sítio de Tabuleiro do Norte trouxe despesas ao agricultor que buscava água e agora espera retorno

Testes indicaram que se trata de uma mistura de hidrocarbonetos com propriedades semelhantes às do petróleo extraído em terra na Bacia Potiguar • IFCE
A confirmação de que o líquido escuro que jorrou no quintal de um sítio é petróleo cru, divulgada na terça-feira (19), trouxe esperança para a família do agricultor Sidrônio Moreira, morador de Tabuleiro do Norte, no interior do Ceará. No entanto, Saullo Moreira, filho do agricultor, afirma que, até o momento, a família não recebeu nenhum retorno financeiro.
“Ele nunca recebeu nada relacionado a isso, não. Pelo contrário, ficou com o empréstimo para pagar. O banco conseguiu adiar algumas parcelas para, de alguma forma, ajudar a família”, disse Saullo sobre a obra realizada pelo pai, que resultou na identificação do petróleo.
A intenção de Sidrônio era encontrar água para abastecer o sítio. Porém, segundo o filho, a descoberta do petróleo acabou trazendo prejuízos e nenhum retorno financeiro até agora.
“Eu falo em prejuízo porque o pai gastou para cavar o poço. A procura dele era por água. Então, de certa forma, ele investiu um dinheiro que não teve o retorno esperado. Mas a gente espera que, se tudo correr bem, se todas as etapas forem concluídas e der tudo certo, a gente receba algum valor”, explicou.
Além da ausência de compensação financeira, Saullo afirmou que a família enfrenta dificuldades com a falta de água e teme que a situação se agrave após o período chuvoso.
“Sobre a falta de água hoje, nós estamos sendo abastecidos e estamos num período de inverno, de chuvas. Então, neste momento, não está sendo um grande problema. Porém, a gente sabe que, daqui a dois ou três meses, quando parar de chover, aí sim vai haver um problema maior. Porque, sem chuva, os animais consomem mais água, e a gente não tem plantação justamente por conta dessa falta de água também”, destacou.
Nessa terça-feira (19), a ANP (Agência Nacional do Petróleo) confirmou que a amostra coletada pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE) e disponibilizada à agência era, de fato, petróleo cru.
A ANP informou que enviou o relatório da análise, no dia 20 de maio, ao proprietário do terreno, Sidrônio Moreira.
Segundo o relatório de ensaio encaminhado pela ANP à família do agricultor, a amostra é caracterizada como “uma mistura majoritária de hidrocarbonetos”, composta por elementos químicos como níquel e vanádio, frequentemente associados a esse tipo de material. O documento também identificou características físico-químicas compatíveis com petróleo pesado.
Saullo Moreira finalizou dizendo que espera que toda a situação seja resolvida o mais rápido possível.
“Na verdade, a gente só quer que isso se resolva logo. É meio ruim porque não existe uma data específica para os estudos e para as próximas etapas. Então, a gente fica naquela expectativa: será que vem logo? Será que essa história vai esfriar?”, concluiu.
Fonte: CNN Brasil

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