Representação feita por ex-noviço aponta discursos discriminatórios durante pregações e transmissões de orações nas redes sociais
Ex-noviço acusa o sacerdote de usar pregações online para classificar a homossexualidade como 'depravação grave' e legitimar a inferiorização das mulheres - Foto: Divulgação
O sacerdote Frei Gilson foi denunciado ao Ministério Público de São Paulo (MPSP) nesta terça-feira (5/5) por supostas falas discriminatórias contra a comunidade LGBT+ e mulheres. A representação foi protocolada pelo ex-noviço e jornalista Brendo Silva, que acusa o religioso de utilizar suas pregações e redes sociais para propagar preconceitos.
A informação, divulgada primeiramente pelo Metrópoles, pode ser considerada apenas como uma representação em análise, e não como ação penal, investigação formal concluída ou condenação, pois até a publicação desta reportagem, não havia divulgação pública localizada do MPSP sobre eventual instauração de procedimento.
O documento entregue aos promotores reúne vídeos em que o padre usa o termo "homossexualismo" e classifica a orientação sexual como "desordem" e "depravação grave". "Liberdade religiosa não é liberdade para odiar", argumentou Brendo Silva no documento. A denúncia também cita pregações onde o religioso defende a submissão das mulheres aos homens.
Alcance digital e histórico de polêmicas de Frei Gilson
A relevância do caso ganha proporção devido à audiência massiva de Frei Gilson da Silva Pupo Azevedo, líder do ministério Som do Monte. O sacerdote é um dos religiosos com maior influência digital no Brasil, conhecido por arrastar milhões de fiéis em orações transmitidas durante a madrugada no YouTube.
Com 75 mil pessoas, o músico e sacerdote carmelita foi a principal atração do Cristo é o Show, evento católico realizado no último domingo (03/05), que quebrou o recorde de público do Mineirão após a reforma.
Ele fez uma pregação no período da tarde e comandou um show à noite. "Não é jogo de futebol que vai acontecer agora, mas o Mineirão está lotado. Sou apenas um servo de Cristo, mas como servo posso dizer para ele: Jesus aqui tem uma grande multidão que veio te escutar a sua palavra", afirmou.
Em abril deste ano, a senadora Soraya Thronicke (PSB-MS) criticou o frei após a viralização de um vídeo de uma das pregações. A parlamentar acusou o sacerdote de misoginia ao repudiar um discurso no qual ele defende a submissão feminina aos homens.
Enquadramento legal e próximos passos no MPSP
O MPSP deverá realizar uma análise preliminar para decidir se instaurará um procedimento investigativo formal por meio do Gecradi, grupo focado em reprimir delitos de intolerância. A apuração inicial avaliará o contexto dos vídeos para identificar possíveis crimes de discriminação ou se a notícia-fato será arquivada.
Desde 2019, o Supremo Tribunal Federal (STF) equiparou a homofobia e a transfobia ao crime de racismo. No estado de São Paulo, manifestações atentatórias por orientação sexual também são punidas por meio da Lei Estadual 10.948/2001.
Inicialmente, o religioso e sua equipe não se manifestaram oficialmente sobre as acusações.
Fonte: O Tempo

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