Líderes se encontraram na Casa Branca e participaram de almoço de trabalho nesta quinta-feira (7); reunião durou cerca de três horas

Encontro dos presidentes Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva na Casa Branca • Instagram/@lulaoficial
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve chegar ao Brasil nesta sexta-feira (8) após concluir sua agenda com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em em Washington.
A reunião entre os presidentes durou aproximadamente três horas e aconteceu na Casa Branca, onde também almoçaram juntos.
Após o encontro, o mandatário brasileiro concedeu entrevista e respondeu a perguntas de jornalistas brasileiros e estrangeiros. Lula disse, por exemplo, que não acredita que o presidente Donald Trump irá interferir nas eleições brasileiras.
Veja os principais temas da reunião, segundo Lula:
Eleições de 2026
Lula afirmou que não acredita que o presidente Donald Trump irá interferir nas eleições brasileiras, em outubro de 2026.
"Não acredito que [Trump] terá influência nas eleições brasileiras, até porque quem vota é o povo brasileiro. Eu acho que ele vai se comportar como o presidente dos Estados Unidos, deixando que o povo brasileiro defina seu destino [...] Nossa relação é muito boa. Quem vai decidir a eleição brasileira é o povo brasileiro. Não acredito na interferência de quem quer que seja de fora", afirmou.
Ao ser questionado sobre pedir o apoio de Trump na corrida presidencial, o petista respondeu que não há possibilidade de ele "discutir esse assunto com qualquer presidente de qualquer lugar do mundo".
Tarifaço
Lula também afirmou que propôs a Donald Trump um prazo de 30 dias para que equipes do Brasil e dos Estados Unidos debatam sobre tarifas.
"Eu falei assim: 'Trump, vamos fazer o seguinte: vamos colocar um grupo de trabalho. Vamos permitir que esse moço da indústria e comércio do Brasil, junto com teu moço do comércio sentem e, em 30 dias, apresentem para nós uma proposta para que a gente poder bater o martelo".
Pix
O presidente brasileiro afirmou ainda que, durante a reunião em Washington, não houve discussão sobre possíveis alegações de que o Pix funcione como uma barreira aos interesses comerciais dos Estados Unidos, como apontado pelo USTR (escritório de representação comercial da Casa Branca) em abril.
“Uma das razões pelas quais eu trouxe Dario Durigan era porque eu imaginava que Trump queria discutir a questão do Pix. Ele não tocou no assunto, então eu também não toquei”, disse Lula.
Sancionados
Lula disse que entregou, mais uma vez, a lista de nomes sancionados ao governo dos Estados Unidos.
"O presidente da República não tem nada a ver com a quantidade de multas ou quantos anos de prisão. Eu entreguei a lista, porque já tinha entregue a lista uma vez e não foi resolvido o assunto. São muitos ministros que estão aqui, ministros da Suprema Corte, o procurador-geral da República, a filha do ministro Padilha, de 10 anos. De qualquer maneira, entreguei para ele. Se ele não resolver, quando eu me encontrar com ele outra vez, entrego outra vez."
Crime organizado
Lula também propôs a criação de um grupo de trabalho para combater o crime organizado durante a reunião a portas fechadas com Trump.
Ainda segundo o mandatário, não foi discutida a possibilidade de os Estados Unidos rotularem facções criminosas, como o PCC ou o Comando Vermelho, como grupos terroristas.
"Não foi discutido isso [classificar CV e PCC como organizações terroristas]. Esse negócio de dizer que as facções tomaram os territórios das cidades, temos que dizer ao povo brasileiro que o território de um bairro, das cidades, não é de facções criminosas".
Temas internacionais
Lula disse que Trump acredita que a guerra envolvendo o Irã “já acabou”, mas ponderou que “não é o real”.
“Eu acredito muito mais no diálogo do que na guerra. Eu acho que a invasão do Irã, ela vai causar mais prejuízo do que ele está imaginando”, afirmou Lula a coletiva de imprensa na embaixada do Brasil nos EUA.
Na sequência, o presidente brasileiro disse que Trump tem uma visão diferente sobre o conflito.
“Mas tem várias suposições. Ele acha que a guerra já acabou, não é o real. Mas ele acha, eu não vou ficar brigando com ele por causa da visão que ele tem da guerra”, declarou.
Lula também comentou que discutiu temas internacionais com o presidente americano, incluindo Venezuela, Cuba e Irã, e afirmou estar disposto a dialogar sobre qualquer assunto.
“Eu disse para ele que eu tenho interesse em discutir qualquer assunto que ele precisar discutir. Se quiser discutir comigo sobre Cuba, sobre Venezuela, sobre Irã, sobre o que ele quiser, eu estou disposto a discutir”, afirmou.
Durante a coletiva, Lula voltou a defender soluções diplomáticas para conflitos internacionais e disse não ter “vocação belicista”.
Banco Master
Após a coletiva, Lula ainda comentou a quinta fase da Operação Compliance Zero, que teve como um dos alvos o senador Ciro Nogueira (PP-PI). “A Polícia Federal cumpriu uma decisão judicial. Eu espero que todas as pessoas investigadas sejam inocentes”.
“Você percebe que é muito difícil eu falar de uma coisa que - eu estou aqui em Washington e - aconteceu no Brasil. É uma decisão do ministro André Mendonça de que houvesse a operação e ela foi feita”, disse em resposta à CNN Brasil.
A PF (Polícia Federal) deflagrou, nesta quinta, a quinta fase da Operação Compliance Zero, na qual o senador Ciro Nogueira figura como um dos alvos. A investigação apura o suposto envolvimento do político em ações que teriam beneficiado o Banco Master e seu controlador, o banqueiro Daniel Vorcaro.
Reação de Trump
Lula afirmou que pediu para Donald Trump sorrir durante encontro entre os dois líderes e disse que “Trump rindo é melhor que de cara feia”.
“Vocês perceberam que o Trump rindo é melhor que de cara feia. E eu fiz questão de dizer para ele: ‘ria’. É importante, alivia a nossa alma se a gente rir um pouco”, declarou Lula.
"Acabei de concluir minha reunião com Luiz Inácio Lula da Silva, o dinâmico Presidente do Brasil. Discutimos diversos temas, incluindo comércio e, especificamente, tarifas. A reunião foi muito boa", disse o norte-americano nas redes sociais.
"Nossos representantes têm reuniões agendadas para discutir alguns pontos-chave. Outras reuniões serão agendadas nos próximos meses, conforme necessário", escreveu o americano nas redes sociais", concluiu.
Reunião fechada
A reunião entre Lula e Trump sofreu uma alteração repentina no protocolo para cobertura de imprensa.
Segundo apurações da imprensa, a pedido do lado brasileiro, jornalistas foram autorizados a entrar no Salão Oval da Casa Branca somente ao final do encontro.
Quando perguntado sobre a alteração do protocolo, Lula afirmou que já tinha acordado que não conversaria com a imprensa antes da reunião. "Nem eu e nem o presidente Trump precisamos de fotografia. Então eu preferi primeiro fazer a nossa reunião e depois conversar [com a imprensa]. A reunião demorou um pouco demais, certamente porque eu gostei e ele gostou da reunião".
Da Redação / Com informações CNN Brasil

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