Venda de anabolizantes no Brasil cresce 700% em sete anos e acende alerta após morte de influencer



Apesar de proibição do Conselho Federal de Medicina para fins estéticos, mercado clandestino de hormônios avança na internet; casos de complicações cardíacas graves e óbitos expõem os riscos do uso indiscriminado



Venda de anabolizantes no Brasil subiu 700%

A discussão sobre o uso indiscriminado de anabolizantes no Brasil tomou uma proporção maior depois da morte do fisiculturista Gabriel Gânley, aos 22 anos. Em sete anos, a venda desses medicamentos subiu 700%.

O influencer Gabriel Ganley foi encontrado morto e a polícia investiga o caso. O laudo apontou uma doença do coração, que pode ser agravada pelo uso de anabolizantes. Em diversas entrevistas, ele chegou a admitir o uso desse tipo de substância.

A forma tão pública como ele fazia isso cria uma pergunta: como ele conseguia os hormônios? Não há uma forma legal de ele ter feito isso, pois só médicos podem prescrever hormônios, mas não para finalidades físicas ou esportivas. O Conselho Federal de Medicina (CFM) proibiu essa prática em 2023.

Esta é uma história que se repete no meio do fisiculturismo. Bruno Masini, treinador e árbitro da modalidade, relata sua experiência: “Eu comecei a usar esteroide anabolizante justamente para melhorar a minha aparência. ”

As consequências, no entanto, podem ser graves. “Tive um infarto agudo do miocárdio, onde tive que correr para o hospital para fazer um cateterismo”, afirma Masini.

A testosterona é um hormônio com uso médico em casos específicos, como reposição hormonal ou perda de massa muscular por doenças.

O problema reside no uso indiscriminado. Bruno Leandro de Souza, conselheiro federal do CFM, revela que no último ano houve 15 processos relacionados ao assunto. Ao ser questionado se o número é baixo, ele explica:

“É pouco porque o grande número de informações e prescrições relacionadas a este problema não está partindo de médicos, está partindo do uso indevido, dos colegas mesmo de academia, de treino, de fisiculturismo. Na medicina, a gente conseguiu, com a resolução do CFM praticamente abolir ou diminuir muito a prescrição por médicos relacionados a este problema em relação a estas drogas".

Mesmo com as restrições, a venda legal de testosterona - um dos hormônios mais usados como anabolizante, atingiu um recorde no ano passado. De 2024 para 2025, o aumento foi de 20%, e, se comparado a 2018, o aumento é de mais de 700%.

Na internet, nada parece proibido: com a promessa de transformar o corpo rapidamente, anúncios oferecem hormônios sem necessidade de receita, com compras por mensagem e delivery de anabolizante para todo o Brasil.

A fiscalização de produtos ilegais é responsabilidade da vigilância sanitária e da polícia.

A Anvisa disse em nota, que a fiscalização é descentralizada com as vigilâncias estaduais e que monitora anúncios na internet, mas páginas derrubadas voltam ao ar rapidamente em novos endereços.

A Polícia Civil de São Paulo afirmou que, somente este ano, mais de 11 mil produtos irregulares foram apreendidos e uma pessoa foi presa por falsificação e venda clandestina.

Para a Sociedade Brasileira de Endocrinologia, a solução passa por maior atenção da população e das autoridades. Clayton Macedo, diretor da entidade, avalia: “Eu acredito que falta denúncia, falta fiscalização e principalmente falta punição, né? Porque a legislação prevê uma sequência de penalidades e essas penalidades são pequenas perto do lucro que esse mercado gera”.

Com informações do G1 


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