
Foto: Aleander Gomes / Sicoi PCES
delegado Rodrigo de Mello Toscano, respondendo pela Delegacia de Polícia (DP) de Piúma; o chefe da 10ª Delegacia Regional de Anchieta, o delegado Luiz Carlos Claret Pascoal; delegado-geral da PCES, Jordano Bruno e a oficial investigadora de policial (OIP) Janyele Silva do Vale.
A Polícia Civil do Espírito Santo (PCES), por meio da Delegacia de Polícia (DP) de Piúma, deflagrou, na última sexta-feira (26), a Operação Falsa Esperança, com apoio da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) e da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), para cumprir quatro mandados de prisão preventiva e dois mandados de busca e apreensão contra investigados pelos crimes de organização criminosa e estelionato majorado.
As ações ocorreram simultaneamente nos municípios de Vila Velha (ES) e Muriaé (MG). O grupo utilizava um falso site de arrecadação de doações para vítimas das enchentes no Rio Grande do Sul e, posteriormente, passou a aplicar golpes por meio da oferta de falsos empréstimos, fazendo vítimas em diversos estados do país.
Os detalhes da investigação foram apresentados em coletiva de imprensa realizada nesta segunda-feira (29), na Chefatura da Polícia Civil, em Vitória.
O delegado-geral da Polícia Civil (PCES), Jordano Bruno, destacou que a atuação da instituição tem sido fundamental para identificar e desarticular organizações criminosas especializadas em fraudes eletrônicas. Segundo ele, embora os crimes praticados no ambiente digital tenham registrado crescimento expressivo nos últimos anos, os dados mais recentes demonstram uma tendência de estabilização, reflexo da maior conscientização da população e do trabalho investigativo realizado pela Polícia Civil.
"Temos observado que aquele aumento vertiginoso dos crimes cibernéticos já não ocorre mais. Isso é resultado da maior maturidade e do conhecimento da população, que passou a desconfiar mais de contatos oferecendo vantagens financeiras ou oportunidades aparentemente fáceis. Ao mesmo tempo, a Polícia Civil segue cumprindo seu papel de identificar e desarticular organizações criminosas como esta, que se aproveitava da confiança das pessoas, especialmente em momentos de tragédia e calamidade pública. Felizmente, graças ao excelente trabalho desenvolvido pela Delegacia de Piúma, essas quatro pessoas estão presas", afirmou o delegado-geral.
O delegado Rodrigo de Mello Toscano, respondendo pela Delegacia de Polícia de Piúma, explicou que a investigação teve início após o recebimento de informações encaminhadas pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul. "O ofício apontava que uma organização criminosa havia criado um site falso para arrecadar doações destinadas às vítimas das enchentes no Rio Grande do Sul. Aproveitando-se da solidariedade das pessoas em um momento de grande fragilidade, os investigados simulavam uma campanha beneficente para captar recursos de forma fraudulenta", explicou.
Durante a apuração, os policiais identificaram que, após a retirada do site do ar, o grupo passou a utilizá-lo para oferecer falsos empréstimos. "As vítimas acessavam os links disponibilizados na página e eram direcionadas para um número de telefone controlado pelos criminosos. A partir desse contato, os investigados obtinham dados sensíveis, como CPF e imagens de documentos pessoais, utilizando essas informações para aplicar novos golpes", detalhou o delegado.
Segundo as investigações, o esquema possuía atuação nacional, com vítimas identificadas em pelo menos cinco estados brasileiros. Os valores obtidos ainda estão sendo apurados, mas as análises financeiras revelaram movimentações milionárias. "O apontado como líder da organização realizou movimentações financeiras por intermédio de uma pessoa jurídica que transacionou com mais de 40 pessoas e apresentou movimentação atípica superior a R$ 18 milhões durante o período investigado, entre 2024 e o presente momento", informou Toscano.
Após a conclusão do inquérito e o deferimento das prisões preventivas, os investigados deixaram Piúma na tentativa de dificultar o cumprimento das ordens judiciais. "No mesmo dia em que as prisões foram decretadas, o grupo se dispersou. O líder foi para Vila Velha, enquanto os demais investigados seguiram para Muriaé, em Minas Gerais, justamente para tentar fugir da atuação policial", explicou o delegado.
Com a continuidade das diligências, os policiais conseguiram localizar os suspeitos. "A equipe da Delegacia de Piúma foi dividida. Parte seguiu para Muriaé, onde contou com o apoio da Polícia Civil de Minas Gerais e da Seção de Inteligência local, enquanto outra equipe atuou em Vila Velha com apoio da Core. Todos os alvos foram localizados e presos", disse.
Durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão, foram apreendidos aparelhos eletrônicos, telefones celulares, substâncias anabolizantes e um veículo utilitário esportivo de luxo, adquirido cerca de um mês antes da operação e avaliado entre R$ 190 mil e R$ 200 mil.
As investigações também apontaram que os investigados levavam um padrão de vida incompatível com a renda declarada. "No momento das prisões, eles afirmaram que não estavam trabalhando. Entretanto, residiam em imóveis de padrão elevado, mobiliados com bons equipamentos e eletrônicos, além de possuírem veículo de luxo, situação incompatível com a ausência de atividade profissional, indicando que viviam, muito provavelmente, dos valores obtidos com os golpes", ressaltou Toscano.
Ainda de acordo com o delegado, os investigados já haviam sido alvo de outra ação penal por crimes patrimoniais praticados por meio da internet. "Esse grupo criminoso não é novo nesse tipo de delito. Eles já respondem a uma ação penal anterior por fatos semelhantes ocorridos em Piúma. Na investigação anterior também foi identificada a participação dos pais dos irmãos investigados", acrescentou.
O delegado Rodrigo Toscano ressaltou que a integração entre as forças de segurança foi determinante para o sucesso da operação. "O apoio da Polícia Civil de Minas Gerais, especialmente da equipe de Inteligência de Muriaé, foi fundamental para localizar os investigados naquele estado. Da mesma forma, a Core prestou apoio essencial nas diligências realizadas em Vila Velha, garantindo segurança e eficiência no cumprimento das prisões."
A Polícia Civil orienta que a população mantenha atenção antes de realizar doações pela internet ou fornecer dados pessoais em plataformas digitais. "Não queremos desestimular a solidariedade das pessoas, mas é fundamental conferir a autenticidade dos sites, verificar a chave PIX, confirmar a destinação dos recursos e buscar referências antes de efetuar qualquer transferência. Esse cuidado evita que a boa intenção de ajudar acabe financiando organizações criminosas", alertou o delegado Rodrigo Toscano.
As investigações prosseguem para identificar outras vítimas, rastrear o patrimônio obtido com os crimes e apurar a eventual participação de outros envolvidos no esquema criminoso.

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