Avó que deu à luz a própria neta fala sobre relação das duas hoje: "Sempre haverá um vínculo um pouco diferente"


Julie, hoje com 57 anos, se ofereceu para ser barriga solidária da própria filha em 2019 — e a neta, Briar, nasceu no ano seguinte

Uma avó de Chicago, dos Estados Unidos, viralizou ao ser barriga solidária para a filha e dar à luz a própria neta. Cinco anos depois, a rotina da família continua longe de ser convencional. "Desde o começo, nunca tratamos isso de outra forma. Sempre foi assim", afirma a mãe da menina, Breanna Lockwood, à revista americana People.

Julie e Breanna com a família — Foto: Reprodução/People

A jornada que culminou no nascimento de Briar, hoje com 5 anos, foi marcada por muita emoção para todos os envolvidos. Breanna contou que sempre soube que queria ser mãe, mas ela e o marido, Aaron, enfrentaram uma série de obstáculos para realizar esse sonho. Ao longo da jornada, passaram por uma gravidez ectópica, quatro transferências de embrião sem sucesso e três abortos espontâneos.

"Fizemos tratamentos de fertilidade intensivos por cerca de quatro anos, até chegarmos a um ponto em que sentimos que não havia mais opções", relembra. Segundo Breanna, seguir pelo caminho da barriga de aluguel também era uma alternativa cara e difícil. Foi então que sua mãe decidiu se oferecer para gerar o bebê.

"Minha mãe me acompanhou em algumas consultas de fertilidade. Ela viveu todo esse processo ao meu lado e sempre me apoiou em cada etapa", conta Breanna. "Foi ela quem disse que poderia fazer isso por nós e se ofereceu para gerar o bebê."


'Talvez eu possa fazer isso por ela'

Em 2019, Julie, hoje com 57 anos, se ofereceu para ser barriga solidária da filha depois que Breanna perdeu um par de gêmeos durante o terceiro aborto espontâneo e recebeu o diagnóstico de síndrome de Asherman, condição caracterizada pela formação de tecido cicatricial no útero, que pode comprometer a fertilidade.

Os bebês estavam sem batimentos cardíacos, e eu fiquei tão devastada quanto ela. Lembro de estar dirigindo para casa e pensar: 'Talvez eu possa fazer isso por ela'", relembra a avó.

Julie, que trabalha em um supermercado, conta que esperou a filha "se recuperar" antes de sugerir a ideia. No início, porém, Breanna não acreditava que aquilo fosse realmente possível por causa da idade da mãe.

Com o tempo, no entanto, até o médico responsável pelo tratamento de fertilidade — que inicialmente também demonstrou receio — passou a considerar a possibilidade. "Lembro de perceber que ele começou a mudar de ideia. Era como se estivesse pensando: 'Ela correu a Maratona de Boston, é extremamente atlética e nem parece ter a idade que tem'", recorda Breanna.

Depois de passar por uma série de exames, Julie acabou sendo aprovada em todos os critérios exigidos para atuar como barriga solidária. "Ela provavelmente teve um desempenho até melhor do que eu teria", brinca Breanna, que hoje é criadora de conteúdo e se dedica integralmente aos cuidados da casa e da família.

Em 25 de fevereiro de 2020, a família recebeu a notícia de que a transferência do embrião havia sido bem-sucedida. Para Julie, a gravidez durante a pandemia de Covid-19 teve um lado positivo. "Quando a pandemia paralisou tudo, em março, eu pude ficar em casa, porque ainda estava trabalhando até então", explica. "Consegui descansar, dormir e me dedicar totalmente à gestação."

Breanna conta que, por ser considerada imunossuprimida, Julie foi afastada do trabalho e pôde tirar licença com base na legislação trabalhista dos Estados Unidos.


'Eu nunca tive a intenção de viralizar'

Anúncio da gravidez — Foto: Reprodução/People

O que nenhuma das duas imaginava, porém, era a repercussão que a história teria depois que decidiram compartilhar a gravidez nas redes sociais, em junho de 2020. "Eu nunca tive a intenção de viralizar. Só estava feliz por finalmente poder contar ao mundo que estávamos esperando um bebê", lembra Breanna. "Publiquei a notícia apenas no meu Facebook, mas alguns amigos começaram a pedir: 'Você pode deixar a publicação compartilhável? Quero postar na minha página. Essa história é incrível.'"

Quando acordou na manhã seguinte, Breanna percebeu que a história havia se espalhado por toda a internet. Embora muitas mensagens fossem de apoio, ela também passou a receber críticas. Ela descreve aquele período como "muito avassalador".

"Já era um momento assustador para mim, porque a gravidez ainda estava apenas na metade", conta. "Eu estava ansiosa, torcendo para que tudo desse certo e para que o bebê nascesse saudável. Lidar com toda aquela exposição ao mesmo tempo foi muito difícil."

Julie contou que também sentiu o peso da exposição pública durante a gestação. "Parecia que eu estava sendo observada o tempo todo", diz. "Foi um pouco estressante. Eu tinha a sensação de que o mundo inteiro estava esperando e acompanhando a chegada desse bebê."

Ao longo do terceiro trimestre da gestação, Julie diz que sentiu uma pressão ainda maior e mal podia esperar pela chegada de Briar. Quando entrou em trabalho de parto, porém, os médicos perceberam que os batimentos cardíacos da bebê apresentavam alterações. Diante da situação, decidiram realizar uma cesariana de emergência. Briar nasceu em 2 de novembro de 2020.

Breanna e Briar atualmente — Foto: Reprodução/People


Chegada de Brynn

Breanna conta que Briar, hoje com 5 anos, conhece toda a história de seu nascimento. "Para ela, isso não é novidade nem algo extraordinário. É simplesmente a história dela", afirma. Desde o nascimento de Briar, a família cresceu. Em setembro de 2024, Breanna deu à luz sua segunda filha, Brynn. A gravidez, no entanto, também foi marcada por desafios.

"Nós queríamos muito outro bebê e, depois da gestação da minha mãe, seguimos tentando com outra barriga de aluguel", conta. "Ela era uma pessoa maravilhosa. Criamos um vínculo muito forte e tivemos uma ótima experiência juntas, mas, infelizmente, ela sofreu três abortos espontâneos enquanto tentava gerar nosso bebê."

Quando se sentiram prontos para tentar novamente, o casal procurou o obstetra e ginecologista Mohamad Irani, da Weill Cornell Medicine, em Nova York, que conseguiu ajudar Breanna a engravidar. No entanto, a alegria durou pouco: ela sofreu outro aborto espontâneo em agosto de 2023. "Aquele era o nosso bebê milagre", relembra. "Depois veio a perda tardia da gestação, e isso foi devastador. Achei que nunca conseguiríamos nos reerguer."

Apesar da dor, Breanna decidiu tentar mais uma vez. Sob os cuidados do mesmo médico, conseguiu engravidar novamente e, dessa vez, deu à luz Brynn. Sobre aumentar ainda mais a família, o casal afirma que ainda não descartou a possibilidade de ter outro filho, mas prefere refletir com calma antes de tomar uma decisão.

Julie afirma que ama as três netas de maneiras diferentes — seu filho também é pai de uma menina —, mas reconhece que sempre terá uma ligação única com Briar. "As outras netas ainda nem falam direito, então é natural que exista algo especial entre nós", diz. "Acho que sempre haverá um vínculo um pouco diferente entre mim e ela."

Briar e Brynn com os pais — Foto: Reprodução/People

Com informações da revista Crescer



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