
Uma força-tarefa envolvendo médicos e agentes da Guarda Civil Municipal paralisou o trânsito da capital capixaba na tarde da quinta-feira (16) para garantir o transporte rápido de um coração doado. O órgão foi levado do Hospital Estadual de Urgência e Emergência até um avião fretado com destino a São Paulo em apenas 12 minutos, percorrendo um trajeto de oito quilômetros durante o horário de pico.
O processo de captação do coração durou cerca de 40 minutos e foi conduzido por uma equipe do Instituto do Coração de São Paulo, chefiada pelo cirurgião cardiovascular Ronaldo Honorato Barro dos Santos. Em declaração aos veículos de imprensa, ele agradeceu à família do doador pelo gesto solidário e destacou que a decisão permitiu também a doação do fígado, rins e córneas para outros pacientes no Espírito Santo.
Operação mobilizou equipe médica e autoridades
O cirurgião informou que o receptor do coração é um paciente em estado grave, que estava há muito tempo na fila de transplante e dependia de um dispositivo mecânico de assistência circulatória. Ele fez um apelo público para que mais pessoas considerem a doação de órgãos. “Doe seus órgãos”, completou o médico.
Além da equipe médica, a operação contou com o apoio estratégico da Guarda Civil Municipal de Vitória, que enviou motos e uma viatura para abrir caminho pelas avenidas Vitória, Reta da Penha e Adalberto Simão Nader. O coordenador do Grupamento Tático Operacional, Fagner Pinheiro, afirmou que a missão foi cumprida com sucesso e agradeceu pelo apoio geral. “Deu certo, o coração chegou. Agora é viajar e fazer o que há de ser feito”, declarou.
Guarda Civil garante agilidade recorde no trânsito
| Equipe da Guarda Municipal com o cirurgião cardiologista Ronaldo Honorato após captação de um coração no antigo Hospital São Lucas, em VitóriaTarciane Vasconcelos |
O inspetor Francismar Caloffi, que atuou como batedor, definiu a função como “o melhor trabalho do mundo”. Ele destacou a emoção de participar da força-tarefa, que exigiu manobras para garantir a passagem da equipe mesmo com a resistência de alguns condutores. “Nesse momento, infelizmente nem todos têm sensibilidade para entender o pedido de passagem”, disse Pinheiro.
O trajeto de oito quilômetros foi percorrido em doze minutos exatos, com o coração chegando ao antigo aeroporto de Vitória, onde uma aeronave fretada já aguardava para seguir a São Paulo. Até a última atualização desta reportagem, não havia informações sobre a chegada do órgão ao destino ou a realização da cirurgia de transplante.
A ação reafirma a importância da logística integrada entre saúde pública e forças de segurança para salvar vidas, especialmente em procedimentos que dependem de tempo mínimo para preservar o órgão. A família do doador, que optou por não se identificar, autorizou a doação de múltiplos órgãos, beneficiando pacientes que aguardavam na fila de transplante no estado.
Da Redação / Com informações A Gazeta

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