Identificar fatores de risco precocemente é um dos principais passos para chegar à velhice com mais saúde e qualidade de vida; saiba as dicas dos especialistas
Longevidade exige identificar problemas precoces de saúde e mudar hábitos para viver melhor — Foto: Getty ImagesViver por muitos anos já não é mais a única meta de quem busca por longevidade. A prioridade passa a ser chegar à velhice com autonomia e qualidade de vida. Com os avanços da medicina, tornou-se possível identificar precocemente alterações no organismo e agir antes que elas evoluam para doenças mais graves. Mas afinal, quais deles realmente fazem diferença para quem quer envelhecer bem?
Segundo a endocrinologista Jaqueline Fernandes, especialista em longevidade, ter uma boa qualidade de vida na velhice significa identificar fatores de risco antes deles causarem problemas. “Muitas das doenças que aparecem com 60 ou 70 anos começam a ser desenvolvidas lá pelos 30 ou 40, de forma silenciosa”, explica em conversa com a GQ Brasil.
Desde cedo, é necessário monitorar fatores como a glicemia, colesterol e função renal para identificar problemas como diabetes e doenças cardiovasculares, que são as principais causas de morte no Brasil e no mundo.
Por isso, ela destaca exames como a glicemia e a hemoglobina glicada, que avaliam o risco de diabetes; o perfil lipídico, especialmente colesterol LDL, apolipoproteína B e lipoproteína(a), importantes para estimar o risco cardiovascular; exames de função renal, como creatinina e urina; além do hemograma e da proteína C reativa ultrassensível, que auxilia na estratificação do risco cardiovascular.
Há também a necessidade de fazer exames de rastreio pré-câncer, como colonoscopia, mamografia e os preventivos de colo do útero e próstata, para certificar que não há o princípio de alguma doença mais grave. Com os homens, a atenção deve ser redobrada, já que a médica observa que pacientes do sexo masculino tendem a somente procurar tratamento quando começam a ter sintomas de doença.
“É preciso realizar exames preventivos indicados para cada faixa etária e sempre conversar com um médico para fazer uma avaliação global de todos esses fatores que influenciam na expectativa de vida do homem”, ressalta.
Mudança de hábitos
Apesar dos exames serem um fator essencial de identificação de problemas no organismo, é necessário passar por uma avaliação médica completa para saber o que é preciso fazer para reverter quadros anormais. “Fazer exames não previne doenças, e sim agir sobre os resultados. Só faz diferença quando leva a mudanças no estilo de vida ou ao tratamento adequado”, diz.
“Hoje sabemos que a pressão arterial, a composição corporal, a quantidade de massa magra, a circunferência abdominal e o estilo de vida dizem muito sobre a expectativa de vida de uma pessoa”, ressalta.
Uma pessoa de 35 anos com obesidade, diabetes ou histórico familiar de doenças cardiovasculares pode necessitar de um acompanhamento médico mais próximo do que uma pessoa de 60 anos que cuidou da saúde por toda a vida. Isso porque, segundo a especialista, a medicina de longevidade não trata apenas a idade cronológica.
“Nós avaliamos o risco de cada indivíduo e isso determina quais exames serão necessários e qual a frequência deles. Os exames representam apenas uma pequena parte para atingir a longevidade, mas o que realmente muda a expectativa de vida são os hábitos de cada um”, explica.
Para ter uma vida de qualidade, é necessário ter uma alimentação equilibrada, praticar atividades físicas regularmente, principalmente exercícios de força para preservar massa magra e muscular. Além disso, dormir por volta de sete horas por noite, controlar o estresse, não fumar, evitar o excesso de álcool e manter um peso saudável têm mais impacto na saúde do que qualquer exame isolado.
“Não basta viver mais, é preciso preservar essa saúde metabólica. Então muitas pessoas têm um peso aparentemente normal, mas apresentam excesso de gordura visceral, perda de massa muscular magra, resistência à insulina e inflamação silenciosa. É por isso que uma avaliação individualizada faz tanta diferença”, comenta a especialista.
Com informações do GQ

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