Padre é investigado no ES por suspeita de desvio de dízimos; Justiça mantém inquérito


Religioso nega que tenha desviado dinheiro de fiéis

Decisão da Justiça determina prosseguimento do inquérito policialTsarenko/Freepik

Um padre do Espírito Santo é investigado por suspeita de participação em um esquema de desvio de recursos provenientes dos dízimos de uma igreja. A Justiça negou um pedido de habeas corpus apresentado pelo defesa do religioso e manteve o andamento do inquérito policial que investiga o caso. A reportagem teve acesso à decisão judicial.

Ainda na decisão, com assinatura disponibilizada parcialmente em 9 de julho, o magistrado recomenda à Polícia Civil que conclua as diligências e apresente o relatório final com celeridade.

Como a investigação ainda está em fase de inquérito policial, sem denúncia oferecida pelo Ministério Público Estadual (MPES) ou abertura de ação penal, A Gazeta optou por preservar a identidade dos investigados e o município onde os fatos são apurados. O processo tramita sob segredo de Justiça.

A Polícia Civil e o MPES foram procurados para fornecer mais informações sobre a investigação. Até a conclusão desta reportagem, autoridade policial não havia respondido aos questionamentos encaminhados à assessoria de imprensa da corporação. O Ministério Público, por sua vez, somente confirmou que o caso é tratado em sigilo.

Não foi possível localizar os advogados do suspeito, mesmo mediante consulta na base de dados da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). O espaço segue aberto para eventuais esclarecimentos.

Ex-funcionário teria confessado desvio de dinheiro de fiéis

Segundo os autos, a investigação começou após suspeitas de desvios de valores provenientes dos dízimos da igreja. Durante o inquérito, um ex-funcionário confessou participação nos furtos e afirmou à Polícia Civil que o padre teria colaborado com o esquema, inclusive liberando acesso ao local em que o dinheiro era depositado. O religioso nega qualquer envolvimento.

No pedido à Justiça, a defesa alegou que o inquérito se estende desde 2022 sem conclusão e sustentou que não existem provas suficientes para justificar a continuidade da investigação, afirmando que a suspeita se baseia apenas no depoimento do ex-funcionário.

Ao analisar o caso, o juiz entendeu que o depoimento do investigado que confessou os furtos representa, neste momento, um indício suficiente para manter a investigação em andamento. O magistrado ressaltou que a verificação da veracidade dessa versão depende da análise aprofundada das provas, o que não pode ser feito por meio do habeas corpus apresentado pela defesa do suspeito.

Embora tenha mantido o inquérito, o juiz observou que a investigação já dura mais de três anos e recomendou que a Polícia Civil conclua as diligências pendentes e encaminhe o relatório final ao Ministério Público, que decidirá se apresenta denúncia à Justiça ou pede o arquivamento do caso.


Fonte: A Gazeta




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