Aline Bressanini Rozanski contraiu uma grave infecção e precisou retirar as próteses. Os seios ficaram deformados e ela teve dificuldade para amamentar a filha. "Muito difícil", desabafa à CRESCER. Saiba mais!
ATENÇÃO, IMAGENS FORTES!
A criadora de conteúdo Aline Bressanini Rozanski, 30, de Blumenau (SC), estranhou quando percebeu uma pequena bolinha em um dos seios após colocar implantes de silicone. Com o tempo, a alteração aumentou e se transformou em um buraco. Ela procurou atendimento médico, mas foi informada de que era algo "comum".
A situação, no entanto, piorou: o seio passou a apresentar forte odor, além de sangramento e presença de pus. Foi quando Aline decidiu buscar uma segunda avaliação e descobriu que estava com uma infecção bacteriana e precisaria retirar as próteses.
Segundo ela, a cirurgia alterou o formato dos seios e até afetou a amamentação dos seus filhos. "Foi muito difícil entender tudo o que estava acontecendo", diz, em entrevista à CRESCER.
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Aline teve uma complicação após o parto — Foto: Reprodução/Instagram
A saga até o diagnóstico
Segundo Aline, a cirurgia, realizada em agosto de 2022, foi tranquila e pareceu ter sido um sucesso. "Fiz a mastopexia com colocação de prótese e também a lipoaspiração", afirma. No início, tudo estava bem. Mas, em janeiro de 2023, Aline reparou uma bolinha, parecida com uma espinha, no seio esquerdo. "Entrei em contato com o cirurgião, que me passou antibiótico e começou a falar que era normal e que iria fechar", diz.
Depois disso, o buraco foi abrindo e crescendo cada vez mais. Cerca de um mês depois, ela resolveu marcar uma consulta. "Ele fechou o buraco com uma sutura, sem anestesia, e eu não senti absolutamente nada, para ter noção de como estava a minha pele em volta. Ele também me deu alguns curativos e me passou mais antibióticos", lembra.
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Surgiu um buraco no seio de Aline — Foto: Arquivo pessoal
Os dias foram passando e o buraco aumentando. "Meu casamento estava marcado para agosto de 2023 e eu precisava fazer um retoque da lipo. Insisti até que agendaram, já era abril. Fiz o retoque, mas não mudou nada, porque minha queixa continuou. Então ele fechou meu seio esquerdo, que estava aberto", conta.
Uma semana depois da cirurgia, Aline reparou que o seio começou a ficar vermelho e quente. Ela continuava em contato com o médico, que seguia recomendando remédios. "Até que, do nada, simplesmente meu seio explodiu. Não parava de sair pus e sangue, com cheiro de podre. Eu tinha que colocar absorvente e não dava conta de conter tudo o que saía. Mandei tudo para ele, mas ele só passou mais remédio e disse que iria fechar, porque tinha inflamado e que era bom sair a secreção para drenar", diz.
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Depois que o seio "explodiu" — Foto: Arquivo pessoal
'Eu não tinha noção do perigo'
Preocupada, Aline resolveu buscar uma segunda opinião e recorreu à medicina hiperbárica — especialidade que utiliza oxigênio puro a 100% em uma câmara pressurizada, o que ajuda a acelerar a cicatrização e combater infecções. "Agendei uma consulta e, quando o médico viu meu seio, ficou espantado com o estado em que estava. Ele pediu uma cultura, um exame para saber se havia alguma bactéria ali, antes de iniciar o tratamento com a medicina hiperbárica", conta.
Quando saiu o resultado, descobriram uma bactéria super-resistente. "O médico disse que não teria como eu pegar em casa", afirma. "Ele me explicou que não adiantaria eu fazer o tratamento porque a bactéria estava na prótese. Isso já era junho de 2023. Meu casamento seria em agosto", diz.
O profissional orientou que ela retirasse as próteses o quanto antes, destacando que ela não poderia mantê-las até o casamento. "Meu mundo caiu. Eu fiquei arrasada. Mesmo falando tudo isso para o meu cirurgião, em nenhum momento, ele falou que deveríamos tirar a prótese. Se ele tivesse falado, eu teria tirado e poderia ter colocado novamente depois", recorda.
"Eu não tinha noção do perigo. Eu não imaginava que aquilo poderia chegar naquele ponto. Foi um dos piores momentos da minha vida, em meio ao que deveria ser um dos momentos mais felizes. Foi muito difícil emocionalmente", acrescenta.
'Meu seio ficou completamente deformado'
Cerca de 20 dias antes do casamento, Aline estava com dois buracos no seio. "Um era o que já tinha e o outro abriu depois que o cirurgião fechou meu seio no retoque da cirurgia. Comecei a sentir dor e parecia que os buracos estavam maiores. Então fui em outro médico e queriam me internar para tomar medicação", diz.
Antes da retirada dos implantes — Foto: Arquivo pessoal"Eu já estava com resistência a tantos antibióticos que tinha tomado durante meses. Foi então que entrei em contato com meu cirurgião e falei que gostaria de tirar a prótese. Foi um dos piores dias da minha vida, porque, ali, eu caí na real de tudo o que estava acontecendo. E o cirurgião ainda teve a coragem de olhar para mim e perguntar por que eu tinha deixado chegar àquele estado. Essa é uma frase que eu nunca vou esquecer", acrescenta.
Ela tinha a opção de tirar apenas uma das próteses, mas optou por retirar as duas. "Depois da cirurgia, acordei e só sabia chorar. Depois, em casa, eu estava arrasada e muito triste. Eu não queria nem que meu marido visse meu seio. Foi um sentimento horrível. Meu seio ficou completamente deformado, com uma diferença muito grande entre os dois lados, porque ele apenas retirou as próteses e fechou, sem fazer uma reconstrução", lamenta.
"Foi uma experiência que mudou muito a minha vida e afetou não só o físico, mas também a minha autoestima e a forma como eu passei a enxergar meu próprio corpo", acrescenta. Aline ficou com os buracos abertos no seio por cerca de seis meses até a cirurgia.
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Após a retirada dos implantes — Foto: Arquivo pessoal
'Não consegui amamentar'
Pouco depois, Aline engravidou e a sua filha, Betina, que nasceu em 9 de outubro de 2024. Ela teve uma grande surpresa: as cirurgias afetaram a amamentação. "No seio que teve os buracos e toda a complicação, não consegui amamentar. Isso acabou deixando ainda mais evidente a diferença entre os dois lados", diz.
A mãe descobriu que não tinha leite nesse seio porque a bebê não estava ganhando peso. "Como o bico do seio esquerdo era mais formado, eu acabava oferecendo mais esse lado, achando que estava tudo certo. E ela não ganhava peso. Foi horrível e muito frustrante, principalmente porque a pediatra chegou a falar que eu não estava dando mama para a minha bebê, sendo que ela ficava literalmente grudada em mim o dia inteiro", lembra.
"Eu estava fazendo tudo o que achava que precisava fazer, dando o peito o tempo todo, e mesmo assim ela não estava conseguindo ganhar peso. Naquela época eu me senti muito culpada, sem entender o que estava acontecendo", acrescenta.
Agora, ela engravidou novamente e já sabe que também poderá enfrentar dificuldades na amamentação. "Estou mais conformada. Estou vivendo essa segunda gestação de uma forma muito diferente da primeira. Hoje, com a Betina, já tenho uma experiência maior e consigo aproveitar muito mais cada fase, apesar de também ter os desafios e as inseguranças de uma gravidez", diz.
Com 33 semanas de gestação, ela espera ansiosamente para a chegada de Enrico. "Eu amo a maternidade e sinto, de verdade, que nasci para isso. É muito especial acompanhar a Betina crescendo e, ao mesmo tempo, esperar pela chegada do Enrico. Ainda parece que não caiu a ficha de que vou ser mãe de dois! É uma mistura de ansiedade, medo, felicidade e muita gratidão", finaliza.
É comum que ocorram complicações após implante de silicone?
Segundo Larissa Sumodjo, cirurgiã Plástica da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, a infecção ao redor do implante de silicone é uma complicação muito pouco frequente. "Ocorre em cerca de 1% a 2,5% dos casos, sendo mais frequente em cirurgias reparadoras do que em procedimentos puramente estéticos", diz.
"Esse tipo de infecção geralmente começa por causa de bactérias que já vivem naturalmente na pele e que, durante a cirurgia, acabam entrando em contato com o implante. É um risco inerente a qualquer cirurgia desse tipo", acrescenta.
O problema maior é que, uma vez que essas bactérias “grudam” na superfície do implante, elas podem formar uma espécie de película protetora (chamada de biofilme), que dificulta a ação de antibióticos e do próprio sistema de defesa do corpo, como explica Larissa Sumodjo. "É por isso que, quando a infecção se instala, às vezes o tratamento com antibióticos não é suficiente", destaca.
A manifestação da infecção pode apresentar sintomas variados. Veja os mais comuns:
- Vermelhidão
- Dor
- Febre
- Acúmulo de líquido
- Saída de secreção purulenta
O tratamento varia de acordo com a intensidade dos sintomas. "A literatura médica revela que a maioria dos pacientes tratados apenas com antibióticos conseguem evitar uma nova cirurgia. Em quadros mais persistentes, uma cirurgia muitas vezes é considerada, sendo que preservar ou retirar o implante dependerá do quadro clínico e gravidade da infecção", diz.
É possível que essas complicações afetem a amamentação, como no caso de Aline. "A possibilidade de haver problemas com amamentação após uma infecção da mama estará relacionado ao eventual prejuízo causado ao tecido e aos ductos pelo processo de infecção/cirurgia", esclarece Larissa Sumodjo.
"A forma que temos de reduzir bem esse risco, é seguindo protocolos de prevenção de infecção que devem ser seriamente adotados pelos hospitais onde realizados a cirurgia, além de cuidados intra-operatórios específicos", finaliza.
Com informações da Revista Crescer

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