Morar na Espanha: como funciona a imigração no país que oferece cidadania em dois anos para brasileiros


País é considerado um dos mais seguros do mundo, apesar de desafios como o custo da moradia e o desemprego acima da média europeia. Guia do GLOBO traz informações sobre 36 destinos

Viver pelo Mundo: Na Espanha, o custo de vida é um dos mais competitivos da Europa Ocidental, ainda que varie bastante entre metrópoles e cidades menores — Foto: Arte / O Globo

Esta reportagem faz parte do Guia Viver pelo Mundo, que reúne informações sobre 36 países como salários, vistos, segurança e custo de vida para quem quer morar fora. Acesse a ferramenta.

Idioma acessível e sistema de saúde público universal já fariam da Espanha um destino atraente. Mas o diferencial é outro. Brasileiros podem obter a cidadania espanhola após apenas dois anos de residência legal.


Amplamente considerada um dos países mais seguros do mundo, apesar de desafios como o custo da moradia nas grandes cidades e o desemprego acima da média europeia, a Espanha ocupa a 27ª posição no Global Peace Index 2026. Sua qualidade de vida está entre as mais altas, com IDH de 0,905, e o clima é predominantemente mediterrâneo, com verões quentes e invernos amenos. Como residente legal, o imigrante tem direito ao Sistema Nacional de Salud, com atendimento gratuito e pagamento de apenas parte do custo dos remédios.


Uma pessoa gasta R$ 1.200 com alimentação

O custo de vida é um dos mais competitivos da Europa Ocidental, ainda que varie bastante entre metrópoles e cidades menores. O salário mínimo, chamado de Salário Mínimo Interprofesional (SMI), foi atualizado para € 1.280 (cerca de R$ 7.500).

Já o salário médio gira em torno de US$ 4.600 mensais, com mínimo fixado em US$ 1.500, de acordo com dados ajustados da Paridade de Poder de Compra (PPC). Os órgãos internacionais (Banco Mundial, FMI, OIT e OCDE) que calculam o salário médio utilizam a PPC para garantir uma comparação justa do custo de vida. Em vez de usar o câmbio comercial flutuante, a PPC ajusta o salário à realidade local de cada país. Na prática, o número revela o seu verdadeiro padrão de consumo, mostrando o equivalente ao que essa renda conseguiria comprar nos Estados Unidos.

Prédios no bairro de Jerónimos, em Madri. — Foto: Oscar Del Pozo/AFP

A moradia é o principal peso. Nas grandes cidades, como Madri e Barcelona, o aluguel de um apartamento simples fica em torno de € 1.350 (cerca de R$ 8 mil). Para um custo de vida mais baixo, as cidades de Lugo (Galícia), Zamora (Castilla y León) e Oviedo (Astúrias) são as mais baratas para viver. Lá, o gasto médio mensal para uma pessoa em serviços essenciais gira em torno de € 1.240 (Cerca de R$ 7.300).

O custo com alimentação é considerado justo, com um gasto médio mensal de € 200 (Cerca de R$ 1.200) para quem cozinha em casa. Se a ideia é comer fora, uma refeição em um restaurante padrão custa cerca de € 11 (R$ 64 aproximadamente).

Sobre transporte, a Espanha lançou um passe de € 68 (cerca de R$ 400) por mês que permite viagens ilimitadas em trens regionais (Cercanías), trens de média distância e ônibus estatais por todo o país.


Cidadania em dois anos e as rotas de imigração

O grande diferencial da Espanha para o brasileiro é a nacionalidade. Enquanto a regra geral exige 10 anos de residência, cidadãos ibero-americanos precisam de apenas dois anos de residência legal e contínua para solicitar a cidadania espanhola, com direito à dupla nacionalidade, graças ao convênio ibero-americano previsto no artigo 22 do Código Civil espanhol. Na prática, isso permite ao brasileiro pular a Residência de Longa Duração, que os demais estrangeiros só obtêm após cinco anos.

Para chegar lá, há várias portas de entrada. O visto de Nômade Digital é voltado a quem trabalha remotamente para empresas de fora da Espanha e exige renda mensal de pelo menos o dobro do salário mínimo espanhol, além de um contrato de no mínimo três meses com a empresa estrangeira. Aposentados e rentistas usam o visto de Residência não Lucrativa, indicado para quem tem recursos próprios e não pretende trabalhar no primeiro ano, e que pede a comprovação de cerca de € 28.800 anuais, mais € 7.200 por dependente.

Já quem tem uma oferta de emprego pode entrar pelo visto de Trabalho, dividido entre conta alheia, para quem tem um contrato prévio, e conta própria, para autônomos e empreendedores. E o visto de Estudante, destinado a cursos de graduação, mestrado ou doutorado, exige comprovação de cerca de € 600 mensais e permite trabalhar até 30 horas semanais durante o curso.

Há ainda o Arraigo, uma via excepcional de regularização para quem já está no país de forma contínua e quer obter residência e trabalho sem voltar ao Brasil. O tempo mínimo de permanência exigido caiu de três para dois anos, e há cinco modalidades adaptadas a diferentes perfis, das quais as mais comuns são o Sociolaboral, para quem tem uma oferta de emprego de pelo menos 20 horas semanais, o Social, baseado em vínculos familiares ou integração local, e o Socioformativo, vinculado a cursos técnicos.

No Guia Viver pelo Mundo, é possível comparar a Espanha e outros 35 destinos procurados por brasileiros. A ferramenta reúne informações sobre salários, custo de vida, segurança, qualidade de vida, vistos e regras para quem pretende morar fora.

Com informações do O Globo




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