Dados do Sebrae apontam avanço da formalização e aumento da renda entre donos de negócios com mais de 60 anos
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Márcia Abrahão decidiu empreender após perder o emprego e hoje trabalha como concierge, oferecendo acompanhamento personalizado na Grande Vitória. Foto: Reprodução/TV Vitória |
Cerca de 90 mil pessoas com 60 anos ou mais comandam o próprio negócio no Espírito Santo, segundo um levantamento do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas).
O estudo Empreendedorismo Sênior Sob a Ótica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD Contínua) mostra que o empreendedorismo entre esse público vem crescendo nos últimos anos, acompanhado pelo aumento da formalização das empresas e pela permanência dos brasileiros no mercado de trabalho por mais tempo.
De acordo com a pesquisa, os empreendedores seniores registraram, no último levantamento, rendimento médio de R$ 7.458, o maior da série histórica.
O estudo também aponta que, entre 2015 e 2025, houve crescimento de dois pontos percentuais na participação de pessoas com mais de 60 anos à frente de empresas formalizadas.
Mudança demográfica impulsiona o empreendedorismo
Segundo a gestora do Programa Plural no Sebrae, Juliana Castro, esse cenário acompanha uma mudança demográfica e também de comportamento da população.
A longevidade dessa população já acontece. Países como França e Espanha já vivem essa realidade há mais tempo, e o Brasil caminha na mesma direção. A tendência é que não exista mais aquele estereótipo da pessoa idosa que fica em casa sem participar da vida econômica.
São pessoas que querem se conectar, se relacionar, buscar qualificação, usar tecnologia e continuar produzindo.
O empreendedorismo acaba sendo uma oportunidade para transformar toda a experiência acumulada ao longo da vida em um negócio.Juliana Castro, gestora do Programa Plural no Sebrae
Uma das pessoas que representa essa tendência é a concierge Márcia Abrahão. Depois de perder o emprego, ela decidiu abrir o próprio negócio e passou a oferecer serviços personalizados na Grande Vitória, acompanhando idosos em consultas e exames, auxiliando passageiros em aeroportos e rodoviárias e atendendo turistas.
Segundo Márcia, a decisão de empreender garantiu uma nova fonte de renda e permitiu reorganizar a vida financeira.
Quando eu perdi meu emprego, como que eu ia fazer? (…) Com a minha renda de concierge, graças a Deus, eu posso pagar muito bem as minhas despesas.Márcia Abrahão, concierge
Além do atendimento personalizado, ela investe em qualificação para acompanhar clientes com diferentes necessidades, como pessoas em tratamento de Alzheimer, e mantém o negócio formalizado como microempreendedora individual (MEI).
Empreendedores mais velhos assumem mais responsabilidades
Os empreendedores brasileiros assumem mais responsabilidades familiares à medida que envelhecem. O estudo aponta que 67% dos empreendedores seniores ocupam a posição de chefe de domicílio, enquanto entre os jovens essa participação é de apenas 37%.
Em sentido contrário, a condição de filho no domicílio é muito mais comum entre os empreendedores mais jovens. O estudo revela que 35,5% dos jovens empreendedores vivem como filhos na residência, percentual que cai para apenas 0,7% entre os idosos.
A análise da série histórica, no entanto, mostra uma mudança no perfil dos empreendedores seniores ao longo dos últimos anos. Em 2012, 78% deles eram chefes de domicílio, índice que recuou para 67% em 2025. No mesmo período, aumentou a participação daqueles que vivem na condição de cônjuge, passando de 18% para 27%.
Formalização ainda é desafio
Apesar da evolução em indicadores como escolaridade e renda, os empreendedores com 60 anos ou mais ainda enfrentam desafios importantes.
O levantamento aponta que os seniores foram o grupo etário que registrou o menor avanço em formalização dos negócios e em proteção previdenciária na última década.
O resultado indica que, embora os empreendedores mais velhos tenham ampliado sua qualificação e capacidade de geração de renda, eles ainda avançam em ritmo mais lento quando o assunto é acesso aos benefícios da formalização e à cobertura previdenciária, fatores considerados importantes para garantir maior segurança financeira na aposentadoria e na continuidade dos negócios.
Com informações de Folha Vitória



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