Medicamentos experimentais podem reproduzir parte dos efeitos do exercício, mas especialistas ressaltam que nenhum deles imita a ação da atividade física no organismo
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As drogas atuam apenas sobre um entre centenas de mecanismos promovidos pelos exercícios. — Foto: Magnific
Semana passada, duas novas terapias, ambas experimentais, ganharam destaque com a promessa de se tornarem "pílulas do exercício". Ainda que consigam passar em mais testes e chegar ao mercado, especialistas frisam que nenhuma irá, de fato, substituir a atividade física. Sobretudo o treinamento de força, para a preservação e o ganho de massa e função muscular.
E o motivo é simples, explicam especialistas. As drogas atuam apenas sobre um entre centenas de mecanismos promovidos pelos exercícios. Poderão proporcionar alguns benefícios, mas as academias e os ginásios, e não as farmácias, continuarão a ser os lugares a ir para cuidar da saúde muscular.
— O exercício faz uma remodelação no metabolismo. Ele atua sobre numerosas funções do organismo e não apenas um ou dois alvos — afirma Clayton Macedo, coordenador do Ambulatório de Endocrinologia do Exercício da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e da diretoria da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM).
Foco nas canetas
Um dessas pílulas, por ora, é chamada apenas pela sigla ENV-308. Foi desenvolvida pelo laboratório americano Enveda e seu público-alvo é gente que usa canetas emagrecedoras e não quer perder músculos. Como informa um release da própria Enveda, este é o primeiro remédio projetado para imitar Lac-Phe testado em humanos.
O Lac-Phe é um hormônio liberado pelos músculos em resposta ao exercício de alta intensidade. Nesse primeiro teste, a ENV-308 foi bem tolerada por 88 voluntários saudáveis. E não causou problemas gastrointestinais, o efeito colateral mais comum das canetas.
Segundo o laboratório, o ENV-308 reduziu a leptina circulante, um sinal de que pode atuar contra a obesidade. Em estudos com animais, o ENV-308 preservou o músculo durante a perda de peso e preveniu o reganho quando se parou de usar a caneta.
Mas faltam mais testes. E mesmo que seja aprovado, o remédio não substituirá o exercício para o aumento de músculos. Especialistas dizem que poderá complementá-lo e será especialmente útil para usuários de canetas.
Implante de músculo
Já cientistas chineses inventaram uma espécie de implante "vivo" para estimular o aumento de massa muscular. Publicado na Nature Aging, em agosto, o estudo foi realizado com camundongos e o alvo é desenvolver uma terapia para pessoas que perderam os movimentos.
Os resultados são promissores, mas o líder da pesquisa, Ng Shyh-Chang, do Instituto de Células-Tronco e Medicina Regenerativa de Pequim, explicou que o implante foi projetado para imitar a atividade física em pessoas que não podem se exercitar.
O implante consiste numa cultura de 6 milhões de miócitos (células musculares) capaz de formar sua própria rede de mini vasos sanguíneos. O implante pulsa continuamente, mesmo quando os camundongos estão dormindo. Não é o que se possa considerar cômodo.
Nos camundongos, o implante aumentou a massa muscular, melhorou a função imunológica e reverteu danos hepáticos. Testes em pessoas com mobilidade reduzida estão previstos para 2027.
Outro coautor, Tang Hong-Wen, da Escola de Medicina Duke-NUS, em Cingapura, disse que o músculo contraído atua como um órgão endócrino que beneficia outros tecidos, ressaltando, porém, que o adesivo é um paliativo, que não substitui o exercício real.
Tang ressalta que o adesivo deve ser considerado como algo que imita alguns aspectos do exercício, em vez de substituí-lo. "O exercício tem muitos outros efeitos – incluindo efeitos cardiovasculares, neuromusculares, mecânicos e de carga óssea – que um pequeno enxerto muscular subcutâneo não consegue reproduzir totalmente", salientou ele na Nature.
Com informações do O Globo

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