Manchas, perda de firmeza, alterações ao redor dos olhos e mudanças no contorno estão entre as transformações que podem modificar a aparência ao longo do tempo
Passagem do tempo muda o rosto? Veja 5 sinais que vão além da pele — Foto: MagnificQuando se fala em envelhecimento do rosto, as rugas costumam ser o primeiro sinal lembrado. Mas a passagem do tempo pode alterar outras características, muitas vezes de maneira mais sutil. Mudanças na firmeza, no contorno, na pigmentação, na região dos olhos e na textura da pele também interferem na aparência e podem surgir mesmo quando as linhas de expressão ainda não são tão marcadas.
"A aparência envelhecida resulta de uma combinação de mudanças que acontecem na pele e também em estruturas mais profundas, como a perda de firmeza, alterações no contorno, manchas, alterações ao redor dos olhos e redução da qualidade e da luminosidade da pele. Uma pessoa pode ter poucas rugas e, ainda assim, apresentar manchas, flacidez, alterações no contorno facial ou uma pele com textura e luminosidade diferentes das observadas em uma face mais jovem", explica a dermatologista Mônica Aribi.
A percepção também varia de uma pessoa para outra. Por isso, olhar para cada característica separadamente ajuda a entender o que mudou ao longo do tempo, sem reduzir o envelhecimento a um único aspecto.
1. Manchas e mudanças na uniformidade da pele
As alterações de pigmentação podem modificar bastante a aparência do rosto. Elas não surgem necessariamente apenas a partir dos 40 ou 50 anos e podem ter origens diferentes, o que torna importante identificar a causa antes de definir qualquer conduta.
"O melasma, por exemplo, pode surgir ainda na idade adulta jovem e costuma atingir principalmente regiões como bochechas, testa e buço. Já as melanoses solares estão relacionadas ao efeito cumulativo da exposição à radiação ultravioleta ao longo da vida. As manchas podem ter causas muito diferentes e precisam ser avaliadas antes de qualquer tratamento. No caso do melasma, por exemplo, não falamos em cura definitiva, mas em controle e melhora. A fotoproteção continua sendo fundamental, porque a exposição à radiação pode favorecer a persistência ou a piora do quadro", esclarece Mônica.
Além da pigmentação, a exposição solar acumulada ao longo dos anos pode contribuir para outras alterações relacionadas à qualidade da pele. Por isso, a avaliação dermatológica considera não apenas a aparência da mancha, mas também seu histórico e suas características.
2. Flacidez e perda de definição
A redução da firmeza é outra mudança que pode alterar o desenho do rosto. Com o passar dos anos, há modificações na estrutura e na organização do colágeno e da elastina, além de transformações nos tecidos mais profundos.
"Com o envelhecimento, ocorrem alterações na estrutura e na organização do colágeno e da elastina, além de mudanças em tecidos mais profundos da face. O resultado pode ser percebido pela perda de definição do contorno, surgimento de áreas de flacidez e alteração da posição dos tecidos", afirma a dermatologista.
Nem sempre a queixa chega ao consultório com o nome de flacidez. Muitas vezes, a percepção é de que a mandíbula está menos marcada ou de que a parte inferior do rosto parece mais pesada. São mudanças que podem acontecer gradualmente e que não necessariamente vêm acompanhadas de rugas profundas.
3. Bolsas e mudanças ao redor dos olhos
A região dos olhos também tem peso importante na maneira como o rosto é percebido. Bolsas nas pálpebras inferiores, excesso de pele e alterações no contorno podem contribuir para uma aparência de cansaço.
Essas características, porém, não estão necessariamente ligadas ao envelhecimento. "As bolsas, inclusive, não aparecem necessariamente apenas por causa do envelhecimento. Características anatômicas e genéticas podem fazer com que algumas pessoas apresentem essa alteração desde jovens. Fatores como retenção de líquido também podem acentuar temporariamente o aspecto da região", pondera Mônica.
A diferença entre uma alteração causada pela passagem do tempo e uma característica individual é importante na avaliação. "É uma área em que precisamos diferenciar muito bem o que é alteração de pele, o que é flacidez e o que é uma característica anatômica, como a protrusão das bolsas de gordura. Cada situação exige uma estratégia diferente", acrescenta.
4. Pele opaca, poros e textura irregular
Nem toda mudança relacionada à idade aparece como uma linha bem definida. A pele também pode perder uniformidade, viço e luminosidade, enquanto poros e pequenas irregularidades de textura ficam mais perceptíveis.
"Com o passar dos anos, a renovação celular e a organização da matriz extracelular se modificam, e a pele pode adquirir uma aparência menos uniforme, com perda de viço, irregularidades de textura e linhas finas. Às vezes o paciente não tem uma ruga profunda, mas olha no espelho e sente que a pele perdeu aquele aspecto descansado e luminoso. Isso também faz parte do envelhecimento e precisa ser considerado no planejamento", diz a dermatologista.
Nessas situações, os cuidados podem ser direcionados à qualidade da pele, de acordo com as características e necessidades de cada caso. A avaliação individual é importante porque uma textura irregular pode ter diferentes causas e não necessariamente está relacionada apenas à idade.
5. Mudanças no contorno do rosto
Outro aspecto que pode passar despercebido é a alteração do desenho facial. A perda de definição da mandíbula, mudanças na região das maçãs do rosto e a flacidez no terço inferior podem modificar a percepção das proporções da face.
"Quando há perda de definição mandibular, flacidez no terço inferior ou alterações na região malar, precisamos de um rejuvenescimento planejado de maneira tridimensional", avalia Mônica.
Isso ajuda a explicar por que o envelhecimento facial não pode ser resumido ao aparecimento de rugas. Diferentes estruturas se transformam ao longo do tempo, e essas mudanças podem acontecer em ritmos distintos.
Mais do que tentar apagar sinais isolados, a proposta, segundo a dermatologista, é observar o conjunto e respeitar as características de cada rosto. "O objetivo deve ser preservar a identidade do rosto e melhorar a qualidade da pele e o contorno sem transformar as características individuais do paciente", finaliza Mônica Aribi.
Com informações do O Globo

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