Adolescente que baleou amigo de 14 anos estava com colegas e se irritou com bagunça, diz polícia


Vítima socorrida em estado grave passou por procedimento neurocirúrgico em Chapecó. Responsável pelo disparo foi internado provisoriamente.

Arma usada por adolescente para atirarem amigo de 14 anos em Chapecó e janela atingida por disparo — Foto: Polícia Civil/Divulgação

O adolescente de 13 anos que baleou o amigo de 14 anos em Chapecó, no Oeste de Santa Catarina, disparou a arma após se irritar com a bagunça na residência, segundo a Polícia Civil. A vítima foi atingida na cabeça e segue internada em estado grave nesta segunda-feira (12).

A polícia aguarda atualizações médicas para entender se o projétil atingiu diretamente o jovem ou se ricocheteou em direção à vítima.

O caso ocorreu no sábado (10), quando um grupo de amigos estava reunido na residência. Outros detalhes sobre a dinâmica do fato não foram divulgados.

"O menino autor estava com amigos, irritou-se com a bagunça no local, pegou a arma de fogo e acertou um dos colegas", disse a Polícia Civil.

O pai do garoto é colecionador, atirador desportivo e caçador (CAC). Proprietário da pistola, ele não estava na residência no momento da ocorrência, mas teria deixado a arma em um local de fácil acesso aos meninos. O homem foi autuado por omissão de cautela.

Em nota, a defesa da família do garoto responsável pelo tiro informou que ele e a vítima eram melhores amigos e que o disparo foi acidental. Disse ainda que o "fato trágico aconteceu em um momento de brincadeira" (leia íntegra no fim do texto).

O menino baleado foi socorrido pelo Serviço Aeropolicial (Saer) e levado ao Hospital Regional do Oeste, onde passou por cirurgia.

Nesta segunda-feira (12), a Secretaria de Saúde informou que ele passou por procedimento neurocirúrgico e permanecia internado em estado grave, porém estável.

O garoto que teria disparado o tiro foi internado provisoriamente. Ele é investigado por ato infracional análogo à tentativa de homicídio.

➡️ O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) fixa que todas as pessoas menores de 18 anos de idade são penalmente inimputáveis. A legislação estabelece uma responsabilização para casos envolvendo crianças e adolescentes: o ato infracional.


O que diz o Ministério Público

Após o caso, o MP solicitou a internação do adolescente autor do disparo e sustentou que há indícios de autoria e materialidade para o enquadramento do caso. O órgão também destacou a gravidade do crime, a necessidade de proteção integral dos envolvidos e a insuficiência de medidas mais leves diante das circunstâncias.

Além da internação provisória, o MP pediu uma avaliação psicossocial e o acompanhamento psicológico do adolescente internado, além de atendimento psicológico para os pais.

O órgão também solicitou a continuidade das investigações, exames periciais e o prontuário médico da vítima. Todos os pedidos foram aceitos pela Justiça.

"Na decisão, a magistrada apontou a existência de indícios de autoria e materialidade, a extrema gravidade do fato e a necessidade da medida diante das circunstâncias concretas da ocorrência", informou o MP.

Durante as diligências, a polícia apreendeu uma pistola Taurus PT92, uma carabina Puma calibre .357, carregadores e centenas de munições.

Adolescente de 14 anos é baleado no rosto após garoto de 13 acessar arma do pai no Oeste de SC — Foto: Saer SC


O que disse a defesa da família do adolescente

A defesa do adolescente envolvido no episódio ocorrido em 10 de outubro de 2026, no qual o disparo acidental de uma arma de fogo atingiu outro adolescente, vem a público manifestar-se.

Em primeiro lugar, a defesa e a família expressam sua solidariedade ao adolescente atingido e a seus familiares, a quem dirigem todo o respeito neste momento de profunda dor.

Os dois jovens eram melhores amigos, confidentes e inseparáveis. Em nenhum momento se quis ou se imaginou que algo assim pudesse acontecer. O fato trágico aconteceu em um momento de brincadeira entre os amigos, inimaginando-se que o acidente pudesse acontecer. Logo após o ocorrido, foi o próprio adolescente que manuseava a arma quem, desesperado, chamou os vizinhos em busca de socorro. Desde então, ele se encontra em estado de choque e inconsolável.

A família recebe com serenidade a decisão que determinou a internação provisória e confia no Poder Judiciário, perante o qual todos os esclarecimentos serão prestados no momento oportuno. Por fim, pedimos a Deus pela pronta recuperação do adolescente atingido".


O que disse a Secretaria de Saúde

O paciente passou por um procedimento neurocirúrgico e permanece internado no Hospital Regional do Oeste, em estado grave, porém estável.

A Secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina (SES/SC) segue a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), Lei nº 13.709/2018, que protege os dados pessoais de saúde considerados dados sensíveis. A lei estabelece regras para o tratamento de dados pessoais, tanto físicos quanto digitais, e tem como objetivo garantir os direitos de privacidade e liberdade dos cidadãos.

Com informações do G1





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