Clube pede vitória por 3 a 0 contra o Estudiantes, mas enfrenta um obstáculo: o defensor entrou em campo autorizado pelo TAS
Marcos Rojo durante semifinal entre Flamengo e Estudiantes — Foto: Pablo PORCIUNCULA / AFPO Flamengo ainda tenta chegar à final da Libertadores, mas depende de uma decisão que altere o resultado da semifinal contra o Estudiantes. Eliminado nos pênaltis, o clube pediu à Conmebol que considere irregular a escalação do lateral-esquerdo Marcos Rojo e lhe conceda a vitória por 3 a 0. O pedido não foi acolhido até aqui: a classificação continua com os argentinos.
O caso tem uma particularidade decisiva. Rojo jogou no Maracanã amparado por uma autorização provisória do Tribunal Arbitral do Esporte, conhecido pelas siglas TAS e CAS. O Flamengo sustenta que essa autorização não impediria uma punição posterior. Já o Estudiantes se apoia justamente na decisão que permitiu a participação do defensor. O TAS ainda não se manifestou oficialmente sobre uma possível punição retroativa após o julgamento do mérito. Entenda a disputa e o que precisaria acontecer para a vaga mudar de dono.
O Flamengo tem chance de recuperar a vaga na final?
Existe um pedido com esse objetivo, mas sua apresentação não significa que a reversão seja provável. Para chegar à final, o Flamengo precisa obter uma decisão que reconheça a escalação irregular e aplique uma punição capaz de mudar o resultado da semifinal.
O principal obstáculo é a autorização que Rojo tinha para jogar. Não basta, portanto, demonstrar que a Conmebol havia recusado sua inscrição: será necessário resolver também quais efeitos a decisão provisória do TAS produz sobre a partida já disputada.
Por que a inscrição de Rojo foi contestada?
O Estudiantes contratou o defensor do Racing e tentou incluí-lo na Libertadores utilizando a vaga de Gabriel Neves, afastado por lesão. A discussão envolve a possibilidade de registrar um reforço fora do período habitual de transferências. Segundo a TyC Sports, o clube havia obtido autorização da associação argentina, a AFA, mas encontrou resistência na Conmebol.
Na cronologia apresentada pelo Flamengo, a janela argentina terminou em 2 de setembro, Rojo ainda disputou uma partida pelo Racing em 27 de setembro, e o pedido de inclusão foi feito em 9 de outubro. O clube afirma que a Conmebol consultou a Fifa e recusou a inscrição em 14 de outubro, mantendo a decisão no dia seguinte.
Se a Conmebol recusou, como ele conseguiu jogar?
O Estudiantes recorreu ao TAS e conseguiu uma medida cautelar em 21 de outubro, véspera da partida no Maracanã. Essa medida permitiu a inclusão de Rojo na lista da Libertadores enquanto a discussão seguia em análise.
Uma cautelar é uma decisão provisória. Ela pode autorizar uma situação imediatamente, sem encerrar o julgamento sobre todos os argumentos envolvidos. Rojo foi titular na volta da semifinal e saiu aos 30 minutos do segundo tempo, antes da disputa de pênaltis.
O que o Flamengo alega para contestar uma escalação autorizada?
Segundo o Flamengo, o TAS permitiu a participação de Rojo, mas rejeitou outro pedido do Estudiantes: o de afastar possíveis consequências esportivas e disciplinares de uma decisão definitiva desfavorável.
O clube brasileiro entende que essa ressalva preservou a possibilidade de punição. É uma interpretação apresentada pelo Flamengo, não uma condenação já imposta ao adversário. Autorizar provisoriamente um atleta e garantir que sua escalação jamais poderá ser questionada são coisas diferentes. A disputa está justamente nas consequências dessa diferença.
O Flamengo quer outro jogo ou uma vitória administrativa?
O pedido noticiado é de vitória administrativa por 3 a 0, e não de repetição da partida. Essa é a punição que o Flamengo pretende ver aplicada por escalação irregular.
Como os dois jogos terminaram em 0 a 0, uma decisão que substituísse o resultado da volta por uma vitória rubro-negra daria a classificação ao Flamengo, tornando desnecessário o desempate nos pênaltis. Em campo, o Estudiantes venceu as cobranças por 3 a 2.
O Flamengo só reclamou depois de ser eliminado?
A reclamação formal contra o resultado foi apresentada depois do jogo, mas o Flamengo afirma que já participava do processo e havia avisado que contestaria a escalação.
Segundo o clube, o próprio Estudiantes o incluiu como parte no recurso ao TAS. Antes da semifinal, o Flamengo comunicou que apresentaria uma reclamação caso Rojo atuasse. O regulamento prevê prazo de 24 horas após a partida para esse tipo de protesto, e o clube sustenta que o cumpriu.
Qual é o argumento do Estudiantes?
O argumento central é simples: Rojo entrou em campo porque o TAS autorizou. Em comunicado anterior ao jogo, o Estudiantes informou que o tribunal havia determinado sua inclusão na lista de inscritos.
Segundo a TyC Sports, essa autorização será a principal peça da defesa. Há duas questões distintas: se a inscrição poderá ser mantida definitivamente e se uma decisão contrária deverá mudar o resultado de uma partida disputada sob uma cautelar válida. Uma resposta desfavorável ao Estudiantes na primeira questão não resolve automaticamente a segunda.
Quem decide e quando haverá uma resposta?
O TAS analisa a controvérsia sobre a autorização do jogador. A Conmebol recebeu a reclamação que busca uma punição esportiva e a alteração do resultado. São procedimentos relacionados, mas não equivalentes.
A imprensa argentina informou que o prazo para a defesa do Estudiantes termina nesta segunda-feira, 26 de outubro, às 18h. Isso não significa que haverá sentença nesse horário. O Flamengo pediu uma solução antes da final de 28 de novembro e o prazo da defesa não deve ser confundido com uma data de julgamento.
Já houve um caso parecido na Libertadores?
Sim. Em 2018, o Santos utilizou Carlos Sánchez contra o Independiente quando o uruguaio ainda tinha uma suspensão a cumprir. O empate por 0 a 0 foi transformado pela Conmebol em derrota santista por 3 a 0.
O precedente mostra que um resultado pode mudar por escalação irregular, mas não garante o mesmo desfecho agora. Naquele caso, a punição decorreu do descumprimento de uma suspensão. No atual, o ponto decisivo é que Rojo recebeu autorização provisória do TAS para jogar. Essa diferença precisa ser considerada antes de tratar os episódios como equivalentes.
Fonte: O Globo

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