MPT processa rede de supermercados por suspeita de assédio eleitoral contra trabalhadores


Órgão afirma que funcionários eram obrigados a usar camisas com número igual ao de um candidato. Empresa teria mantido prática mesmo após recomendação para interrompê-la.

MPT processa rede varejista por suspeita de assédio eleitoral contra trabalhadores na Bahia — Foto: Divulgação

O Ministério Público do Trabalho (MPT) entrou com uma ação na Justiça contra a empresa varejista Rede Mix, nesta sexta-feira (23), por suspeita de assédio eleitoral contra trabalhadores na Bahia.

O órgão afirma que funcionários eram obrigados a usar uniformes com um número igual ao de um dos candidatos que disputam o segundo turno das eleições de 2026.

O MPT pediu uma decisão liminar para suspender imediatamente o uso das camisas ligadas à campanha de aniversário da rede de supermercados. O órgão considera que a iniciativa pode constranger os empregados e interferir na liberdade de escolha política e no direito ao voto.

Segundo a procuradora do Trabalho Manuella Gedeon, responsável pela ação, o caso começou a ser investigado após denúncias de que funcionários eram obrigados a vestir as camisas durante o expediente.

Por meio de nota, a RedeMix informou que número presente nas camisetas utilizadas por seus colaboradores faz referência exclusivamente ao aniversário da empresa, celebrados em 2026. (Confira nota na íntegra ao final da matéria)

Em outro comunicado, a empresa disse que atendeu à solicitação do Ministério Público do Trabalho (MPT), apresentando a documentação referente às campanhas institucionais de aniversário realizadas em anos anteriores.

De acordo com o MPT, o órgão também recebeu fotografias que mostrariam trabalhadores usando as peças diante de colegas, clientes e outras pessoas.

Após receber as primeiras denúncias, o MPT enviou uma recomendação à Rede Mix para que interrompesse qualquer prática que pudesse configurar assédio eleitoral e revisasse campanhas promocionais com referências que pudessem ser interpretadas como mensagens políticas.

Segundo o órgão, a recomendação foi entregue pessoalmente à empresa. Mesmo assim, novas denúncias apontaram que os funcionários continuavam usando os uniformes.

O MPT afirma ainda que uma fiscalização realizada por servidores da área de segurança institucional constatou a continuidade do uso das camisas com o numeral.


O que o MPT pede à Justiça

Além da suspensão imediata do uso das camisas, o Ministério Público do Trabalho quer que a Rede Mix substitua os uniformes por roupas neutras até o fim do processo eleitoral.

O órgão também pede que a empresa divulgue um comunicado interno para garantir aos funcionários a liberdade de orientação política e o direito ao voto livre e secreto. Outro pedido é a aplicação de multa diária de pelo menos R$ 50 mil para cada obrigação descumprida.

O MPT solicita ainda que a empresa adote medidas para garantir que os trabalhadores escalados para trabalhar no dia da votação tenham tempo suficiente para votar.

Com informações do G1




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