Ônibus de excursão que tombou na BR-262 tinha freios comprometidos, aponta perícia


Laudo identificou desgaste completo das lonas de freio de um dos eixos do ônibus que tombou em Ibatiba, deixando três mortos e 45 feridos. Segundo perito, veículo não deveria ter iniciado a viagem nessas condições.

Acidente com ônibus de excursão deixou  03 mortos e 45 feridos na BR 262 no dia 27/09 / Imagem: gabriel__leocadio

Uma falha grave no sistema de freios e o excesso de velocidade estão entre os fatores identificados pela perícia no acidente com um ônibus de excursão que deixou três mortos e 45 feridos na BR-262, em Ibatiba, no Sul do Espírito Santo. O veículo tombou no dia 27 de setembro, na região conhecida como Curva da Ferradura.

De acordo com os exames realizados pela Polícia Científica, as lonas de freio de um dos eixos estavam completamente desgastadas, comprometendo a capacidade de frenagem do coletivo. A investigação técnica também apontou que o ônibus trafegava em velocidade excessiva para as condições do trecho.

Segundo o perito criminal Temístocles Macedo, chefe do Departamento de Engenharia Forense da Polícia Científica, a falha não deixou o veículo totalmente sem freios, mas reduziu sua capacidade de diminuir a velocidade e contribuiu para a perda de controle.

A análise complementar do ônibus durou aproximadamente cinco horas e foi realizada após os levantamentos iniciais no local do acidente.


Ônibus apresentava problemas antes da viagem

Para o perito, o nível de desgaste dos componentes do sistema de frenagem indica que o veículo já teria iniciado o trajeto com problemas mecânicos. A avaliação considera também a distância percorrida entre Belo Horizonte, em Minas Gerais, e Itaoca, distrito de Itapemirim, no litoral sul capixaba.

Macedo destacou que o coletivo não deveria ter sido liberado para a viagem nas condições identificadas pelos exames. A perícia também encontrou indícios de falhas nos procedimentos de manutenção e de controle para a liberação do veículo.

O laudo definitivo ainda está em fase de conclusão.


Polícia investiga responsabilidades

A Polícia Civil instaurou um inquérito para esclarecer as circunstâncias do acidente e apurar eventuais responsabilidades. O caso é investigado como homicídio culposo, quando não há intenção de matar, e lesão corporal culposa.

De acordo com o delegado Hélio Flávio Martins, titular da Delegacia de Muniz Freire e representante do chefe da 8ª Delegacia Regional de Ibatiba, representantes da empresa envolvida ainda não haviam sido ouvidos pela polícia até a divulgação das informações.


Três pessoas morreram no acidente

O ônibus, registrado em Contagem, Minas Gerais, transportava 48 pessoas que retornavam de uma excursão em Itaoca, distrito de Itapemirim. O tombamento aconteceu no quilômetro 151 da BR-262, em um trecho conhecido como Curva da Ferradura.

As vítimas fatais foram identificadas como o motorista Douglas Rodrigues de Souza Oliveira, de 38 anos, morador de Contagem, e as passageiras Vera Lúcia de Andrade, de 44 anos, e Maria Aparecida Martins Barbosa, de 54 anos, ambas moradoras de Belo Horizonte.

Os outros passageiros ficaram feridos e foram encaminhados para hospitais da região e da Grande Vitória.


Ônibus tinha irregularidade no trajeto

Na época do acidente, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) informou que o ônibus operava de forma irregular em relação à licença de viagem. O documento estava autorizado apenas para o percurso entre Santa Bárbara, em Minas Gerais, e São Paulo, enquanto o deslocamento realizado era diferente.

Apesar da irregularidade no trajeto, a agência informou que o veículo atendia às exigências técnicas e legais de circulação.

O responsável pela empresa GOJ Transporte e Turismo Ltda., à qual o ônibus estava vinculado, declarou que o veículo havia sido vendido antes do acidente, mas a transferência ainda não tinha sido formalizada.

Segundo ele, o atual proprietário utilizou o coletivo para substituir outro ônibus que apresentou problemas mecânicos antes da viagem.

O atual proprietário ainda não se manifestou sobre o caso.


Da Redação / Com informações A Gazeta




Postagem Anterior Próxima Postagem