Campanha surgiu na Austrália, ganhou dimensão internacional e chegou ao Brasil para combater o câncer de próstata e incentivar os homens a cuidar da saúde durante todo o ano

Todo novembro, a campanha busca quebrar estigmas e preconceitos em nome da prevenção e diagnóstico precoce de doenças como câncer de próstata. (Ruty Romero/Canva)
Omês de novembro é marcado por campanhas de conscientização sobre a saúde masculina, especialmente a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de próstata. Conhecido como Novembro Azul, o movimento tem origem na Austrália e surgiu com uma proposta simples: usar o bigode como símbolo para chamar a atenção dos homens para a importância dos cuidados com a saúde.
A iniciativa começou em 2003, na cidade de Melbourne, quando os amigos Travis Garone e Luke Slattery tiveram a ideia de incentivar homens a deixar o bigode crescer durante o mês.
O movimento recebeu o nome de Movember, uma combinação das palavras inglesas moustache (bigode) e November (novembro). No ano seguinte, a mobilização ganhou uma organização formal e passou a arrecadar recursos para projetos relacionados à saúde masculina.
A escolha de novembro também coincide com o Dia Mundial de Combate ao Câncer de Próstata, celebrado em 17 de novembro. A data contribuiu para consolidar o período como referência internacional de conscientização sobre a doença.
Quando o Novembro Azul chegou ao Brasil?
No Brasil, a campanha ganhou força por meio do Instituto Lado a Lado pela Vida. Em 2008, a organização lançou a iniciativa Um Toque, Um Drible, que buscava combater o preconceito e ampliar o acesso à informação sobre o câncer de próstata.
Em 2011, a mobilização passou a ser conhecida como Novembro Azul, inspirada no movimento australiano e na experiência do Outubro Rosa, voltado à conscientização sobre o câncer de mama. A proposta era ampliar o alcance das ações e estimular uma mudança de comportamento entre os homens, incentivando a procura pelos serviços de saúde.
Por que a campanha é importante
A conscientização é necessária diante dos números da doença. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deve registrar 77.920 novos casos de câncer de próstata por ano no triênio de 2026 a 2028. Sem considerar os tumores de pele não melanoma, esse é o tipo de câncer mais incidente entre os homens brasileiros.
A idade é um dos principais fatores de risco, especialmente a partir dos 60 anos. Histórico familiar da doença e obesidade também estão associados ao aumento das chances de desenvolver o tumor.
Um dos desafios é que o câncer de próstata pode evoluir sem apresentar sintomas nas fases iniciais. Quando aparecem, os sinais podem incluir dificuldade para urinar, redução do jato urinário, necessidade de urinar com maior frequência e presença de sangue na urina. Esses sintomas também podem estar relacionados a outras condições, por isso precisam ser avaliados por um profissional de saúde.
Além do câncer de próstata
Embora a doença seja o principal símbolo da campanha, a saúde masculina envolve uma série de outros cuidados. O Ministério da Saúde mantém a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem (PNAISH), que busca ampliar o acesso dessa população aos serviços de saúde e incentivar ações de prevenção.
A política contempla cinco eixos: acesso e acolhimento nos serviços de saúde; saúde sexual e reprodutiva; paternidade e cuidado; prevenção e acompanhamento de doenças prevalentes; e prevenção de violências e acidentes.
Também entram nessa abordagem o controle da pressão arterial e da diabetes, a alimentação equilibrada, a prática de atividades físicas, a saúde mental e a prevenção de infecções sexualmente transmissíveis.
A necessidade de ampliar esse cuidado aparece nos próprios indicadores do Ministério da Saúde: os homens vivem, em média, 7,1 anos a menos que as mulheres e apresentam maior risco de morte por diversas doenças crônicas, especialmente cardiovasculares e respiratórias.
É preciso fazer exame todo ano?
Um cuidado importante durante o Novembro Azul é evitar informações equivocadas sobre o rastreamento do câncer de próstata. O Ministério da Saúde e o INCA não recomendam a realização de exames de rotina em toda a população masculina sem sintomas.
Isso porque exames como o PSA, feito por meio de análise de sangue, e o toque retal podem levar a investigações e tratamentos desnecessários em casos de tumores que talvez nunca representassem ameaça à saúde. Por outro lado, a avaliação médica é fundamental quando existem sintomas, fatores de risco ou suspeita da doença.
Fonte: Revista Fórum

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