O ministério
da Educação (MEC) lançou ontem (05) o programa “Conta pra Mim”, que estimula a
leitura de livros infantis no ambiente familiar. Alunos da rede pública que
cursam o 1º e o 2º ano do ensino fundamental é o público-alvo da iniciativa. O
programa faz parte da Política Nacional de Alfabetização e, além do estímulo da
leitura diária, criará “cantinhos de leitura” para narração de histórias,
atividades lúdicas e estímulo à atividade intelectual em creches, pré-escolas,
museus e bibliotecas.
“Eu
acredito que esse programa é revolucionário. Pela primeira vez no Brasil existe
um programa de valorização da leitura em família. Crianças, pais, mães, avós,
padrinhos, tios ou tias podem fazer parte. Eu verdadeiramente acredito na
capacidade brasileira de se adaptar e buscar soluções. Cientificamente, os
resultados são muito robustos para famílias que leem com seus filhos”, afirmou
o ministro da Educação Abraham Weintraub.
O
programa prevê o treinamento de “tutores” de leitura, que serão capacitados
pelo MEC a partir de janeiro de 2020. Esses tutores receberão uma bolsa de
incentivo de R$ 300 a R$ 400 para colaborar com os cantinhos de leitura. O
treinamento desses tutores deve acontecer pela plataforma de ensino à distância
do MEC, mas também será feito por aulas presenciais ministradas por técnicos da
secretaria de Alfabetização do ministério. “Os dados mostram que o quadro de
alfabetização não é bom. Nas duas últimas provas da Avaliação Nacional de
Alfabetização (ANA) tivemos mais de 50% dos alunos com desempenho muito abaixo
do esperado. Isso significa que esses alunos não são leitores proficientes. Esse
programa é a nossa resposta para mudar isso”, afirmou o secretário de
Alfabetização do MEC, Carlos Nadalim.
O
custo da iniciativa será de cerca de R$ 45 milhões. Destes, R$ 20 milhões serão
usados para a bolsa de incentivo aos tutores, R$ 17 milhões serão usados na
impressão do material e dos kits de leitura, e R$ 8 milhões para a logística do
programa.
O
secretário citou, ainda, o resultado do Programa Internacional de Avaliação de
Estudantes, o Pisa, que mostrou estagnação no índice de compreensão de leitura
na última década no Brasil. “Estamos abaixo da média. O problema é que
descobrimos que 50% dos estudantes estão bem abaixo da média na proficiência de
leitura. Apenas 0,2% dos estudantes atingiram o nível mais elevado. E isso é
assustador”, explicou.
A
idéia do programa, segundo Nadalim, é que as crianças levem para casa as
práticas de contação de histórias, leitura, diálogo familiar e motivação da
oralidade entre pessoas da mesma família. Professora de uma escola pública do
Plano Piloto, em Brasília, Cíntia Pereira de Paula afirmou estar entusiasmada
com a iniciativa. “Esse projeto é muito importante. Deparamos-nos muito com
crianças que possuem pais ou mães analfabetos, e essas crianças levam uma
cultura de conversa, de leitura, de diálogo e de amor pelo conhecimento para um
lar onde nada disso existe. É uma forma de inverter o aprendizado: é o pequeno
ensinando o grande”.
O
projeto prevê a distribuição de “kits de literacia”, compostos de uma “mini
biblioteca” de livros infantis da Turma da Mônica - confeccionados
especialmente para o programa -, caderno de desenho, giz de cera e um guia de
orientações pedagógicas para o estímulo das crianças. Uma parte do conteúdo
estará disponível no portal criado para a iniciativa.
A
iniciativa do programa segue o princípio da Curva de Heckman, formulada pelo
vencedor do Prêmio Nobel de Economia de 2000, James Heckman. De acordo com o
economista, investimentos feitos nas camadas mais jovens da população têm maior
retorno social.
Fonte: Noticias Ao Minuto


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