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Documento confidencial confirma: China ocultou dados sobre covid-19

 


A história que o governo chinês fez correr o mundo em 10 de fevereiro de 2020, dava conta de que um novo coronavírus fora detectado em um mercado na cidade mais populosa da China central – Wuhan – e que havia contaminado 2.478 pessoas. A revelação visava alertar o mundo sobre um surto que poderia se espalhar e atingir outras nações com as quais, supostamente, a China estava preocupada.

Porém, de acordo com um relatório de 117 páginas classificado como “documento interno, por favor, mantenha confidencial” – ao qual a CNN Internacional teve acesso após um vazamento – as autoridades chinesas mentiram, confirmando as acusações dos Estados Unidos de que a China subnotificou casos, minimizou a pandemia e ocultou informações.

Segundo o documento, o número real de contaminados já passava dos cinco mil, mais que o dobro do admitido pelo governo chinês. Além disso, em dezembro de 2019 haviam sido detectados diversos casos em outras duas cidades antes que o novo coronavírus chegasse a Wuhan. A ideia de que a China estaria preocupada com o resto do mundo também não se sustenta, uma vez que os voos domésticos foram restringidos enquanto qualquer pessoa podia deixar o país livremente rumo ao destino internacional que quisesse.

Em entrevista concedida à BBC, o cientista Yuen Kwok-yung, professor da Universidade de Hong Kong convocado a trabalhar nas investigações da origem da pandemia, disse que o governo chinês “encobriu” casos de coronavírus e ocultou a informação sobre a transmissão humana por uma semana, justamente durante um período em que milhões de pessoas viajam por ocasião do Ano Novo Chinês. Segundo Andrew Tate, professor da Universidade de Southampton, no Reino Unido, a época equivale ao nosso Natal e “é a maior movimentação de seres humanos do planeta”.

Mas o desencontro de informações havia começado antes. Em 18 de janeiro, por exemplo, enquanto a China divulgava oficialmente apenas 45 casos confirmados de coronavírus, especialistas britânicos calculavam mais de quatro mil. 

De acordo com Kwok-yung, provas físicas foram destruídas pela China e cientistas foram instruídos a permanecer em silêncio, enquanto o anúncio das descobertas demorou a ser feito e, ainda assim, maquiando a situação. O cientista afirma que, ao visitar o mercado em Wuhan, suposto epicentro da doença, o local havia sido fechado e desinfectado semanas antes. “Quando fomos ao mercado, não havia nada para ver porque estava limpo, a ‘cena do crime’ já estava alterada, portanto, não pudemos identificar nenhum hospedeiro que tivesse potencial para transmitir o vírus a humanos.”

Ele ainda revela que “as autoridades locais deveriam transmitir informações, mas não fizeram isso tão rapidamente quanto deveriam. Se tivessem feito mais rápido, esse desastre seria 100 vezes menor.”


R7