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Preço futuro de café sobe com preocupações sobre o clima


A preocupação com o clima em regiões produtoras de café no Brasil contribuiu com a elevação dos valores de contratos futuros do produto, que tiveram semana positiva nos mercados internacionais. A atenção de especialistas está voltada ao clima nos países produtores, principalmente no cinturão cafeeiro do Brasil.

Na Bolsa de Nova York, o vencimento mar/21 do café arábica subiu 500 pontos, encerrando a sessão de ontem (17) a US$ 1,2660 por libra-peso. Na ICE Europe, o vencimento jan/21 do robusta fechou a US$ 1.365 por tonelada, com ganhos de US$ 30.

Segundo a Somar Meteorologia, o verão, que tem início oficialmente às 7h02 da próxima terça-feira no Hemisfério Sul, será marcado pelo fenômeno La Niña no Oceano Pacífico, que pode ser o terceiro mais forte nas últimas duas décadas e implicar chuvas abaixo da média no Sul do país.

Para a Região Sudeste, responsável pela maior parte da safra cafeeira no Brasil, a previsão é de chuva acima do normal no sul do Espírito Santo, litoral de São Paulo e no Rio de Janeiro.

ANO COMPLICADO – Especialistas no mercado cafeeiro alertam que 2021 será um ano com menos café arábica, e há ainda a expectativa quanto a cotação do dólar, frente ao real, e as variações de bolsas de valores. Marcus Magalhães, do Grupo MM e consultor de café, confirmou a menor produção de arábica e a expectativa do mercado futuro.

“Importantes regiões produtoras de café de Minas Gerais vão sofrer com a bienalidade das lavouras e com uma seca muito complicada em regiões mineiras, que abortaram floradas e expectativas para 2021. Alguns operadores falam em quebra de 15 a 30% na produção, fora a redução por conta da bienalidade, e isso reflete nos preço, visto que a bolsa tem subido nos últimos dias”, informou.

Segundo ele, é importante frisar que a formação do preço do café é baseado em um tripé: demanda, dólar e bolsa. “Não adianta a bolsa subir muito em função de quebra de safra brasileira e fraca oferta, se o dólar cair. Assim, em reais, não se consegue manter os preços praticados. O melhor dos mundos é quando temos alta de bolsa, de dólar e de demanda”, afirmou.

Entretanto, ele destaca que a previsão é uma alta na bolsa de valores, uma insegurança de demanda, principalmente por conta da pandemia global e o dólar caindo. “Em reais, os valores estão entre os atuais intervalos de preço. Em dólar, o café pode subir, porque o dólar tende a cair, e a bolsa pode subir. Mesmo assim, não dá para afirmar que o preço no Brasil pode subir, mas o cenário é firme e veio para ficar”, enfatizou.

Essa semana, após uma guinada na segunda-feira (14), o dólar comercial veio devolvendo parte dos ganhos, mas ainda encerrou a semana com valorização de 0,6%, cotado a R$ 5,0788.

O recuo passou a ocorrer com a melhora do ânimo de investidores devido à possibilidade de um pacote de estímulo fiscal nos Estados Unidos e ao avanço das negociações comerciais entre Reino Unido e União Europeia. No Brasil, a divisa norte-americana foi pressionada pela entrada de fluxo.

No mercado físico, mesmo com a alta internacional, a liquidez segue reduzida, com compradores e vendedores retraídos em função da proximidade das festas de fim de ano e, também, do alto volume de café já comercializado.

Os indicadores calculados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) para as variedades arábica e conilon ficaram em R$ 606,64/saca e R$ 403,01/saca, respectivamente com ganhos de 4,2% e 2,3%.


CNC / Julio Huber/Revista Negócio Rural