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Está desempregado? Aprenda a usar e investir o dinheiro da rescisão



O desemprego bateu recorde no Brasil em 2020 e atingiu 13,4 milhões de pessoas. A taxa média anual no país foi de 13,5%, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Se você é uma dessas pessoas que estão na fila por um trabalho, deve ter recebido algum dinheiro de rescisão. Mas como usar esse dinheiro e onde investir até sair do sufoco?

A lista das indenizações pagas para trabalhadores formais que perdem o emprego sem justa causa é longa: seguro-desemprego, FGTS, multa rescisória do FGTS, férias proporcionais e vencidas, 13º salário proporcional e aviso prévio indenizatório.

Consultores financeiros recomendam estimar que o novo emprego vai demorar seis meses, pelo menos, para vir. Dependendo da sua atividade profissional, pode levar mais tempo. Durante esse período, será preciso ser mais conservador com os gastos para fazer o dinheiro durar mais.

A primeira coisa a fazer, portanto, após a demissão deve ser pegar o extrato da conta bancária e a fatura do cartão de crédito do último mês e olhar item por item para identificar o que reduzir ou cortar.

Pode ser cortar canais do plano de TV por assinatura ou a internet do plano de celular, trocar o financiamento de banco para ter juros mais baratos ou buscar aplicativos para fazer as compras do supermercado com desconto. Também dá para tentar outros jeitos de gerar renda, como dar aulas de algo que você sabe fazer ou cozinhar, desde que você não precise gastar nada com isso.

Se você você não tem nenhuma outra reserva financeira além da rescisão, Michael Viriato, coordenador do Laboratório de Finanças do Insper, indica tomar medidas drásticas como vender o carro ou mudar de endereço para pagar um aluguel mais barato. “Mas se você tem uma reserva, espere uns três meses. Não saia queimando ativos imediatamente, vai que você se recoloca no mercado e precisa do carro”, diz.

E se tiver dívidas?

Mesmo que você esteja com tudo planejado, segure os gastos até que o orçamento volte a girar normalmente com receitas e despesas programadas. E se tiver dívidas, quitar todas de uma vez para pagar menos juros neste momento de desemprego não é o melhor caminho. “Como você ficou sem renda, ter fluxo de caixa é importante”, diz André Massaro, consultor financeiro.

Um financiamento imobiliário, por exemplo, que tem taxas mais baixas e está organizado, pode ser mantido. É melhor continuar pagando as parcelas e ter mais dinheiro para usar no dia a dia. Mas uma dívida no cheque especial ou no cartão de crédito, por exemplo, deve ser renegociada, porque os juros altíssimos vão drenar a rescisão rapidamente e o dinheiro vai durar muito pouco.

Onde investir a rescisão?

A função da rescisão é dar liquidez para o seu dia a dia, ou seja, a grana precisa estar disponível e segura. Chegaram as contas do cartão de crédito, da luz, do gás? É com esse dinheiro que você vai pagá-las. A ideia é que você invista todo o valor assim que recebê-lo e faça resgates uma vez por mês.

Para isso, planeje os seus gastos mensais e organize o pagamento de todas as contas para o mesmo dia. Até o cartão de crédito, famoso vilão das finanças, pode ajudar nisso. Se você fizer todas as compras previstas para o mês (e somente elas!) com o cartão, consegue pagar tudo de uma vez só, sem precisar ficar resgatando dinheiro investido toda hora.

A rentabilidade do investimento durante apenas alguns meses, até você ter um emprego de volta, é pequena, mas é melhor ter algum retorno do que nenhum. Os investimentos que têm mais liquidez e são mais seguros, ideais para investir a rescisão, rendem o equivalente à Selic, a taxa básica de juros, que está atualmente em 2,75% ao ano. Alguns deles podem render um pouquinho menos que a Selic e outros, um pouquinho mais.

Nesses investimentos, você pode resgatar seu dinheiro a qualquer momento, sempre com retorno positivo. Em todos eles, com exceção da poupança, que é isenta, você vai pagar Imposto de Renda sobre os rendimentos de forma regressiva. Ou seja, quanto maior o tempo de investimento, menor o valor cobrado.

Não há muito o que inventar. Algumas opções são:

CDBs

O CDB é o nome dado a esse empréstimo de investidores para uma instituição financeira e que se caracteriza como uma aplicação de renda fixa. Sua rentabilidade mais comum é aquela atrelada ao rendimento do CDI (Certificado Depósito Interfinanceiro), que por sua vez é colado na taxa Selic.

Geralmente, bancos maiores oferecem remuneração abaixo de 100% do CDI, por terem menor risco, enquanto bancos pequenos e médios podem pagar até mais de 120% do CDI. Essa rentabilidade é pré-determinada, ou seja, você sabe o tamanho da parcela que receberá sobre o CDI no momento em que investir. Leia mais aqui

Fundo simples

Fundo simples, um subcategoria dos fundos DI, é um tipo de investimento que reúne os recursos financeiros de diferentes pessoas e investe pelo menos 95% do seu patrimônio em papéis de renda fixa de baixíssimo risco de calote, como títulos públicos federais ou títulos de renda fixa emitidos por instituições financeiras com classificação de risco semelhante à dos títulos públicos (como CDBs de grandes bancos). Eles rendem 100% do CDI, mas alguns cobram taxa. Prefira os fundos simples com taxa zero. Leia mais aqui.

Tesouro Selic

O Tesouro Direto é um programa de venda de títulos públicos a pessoas físicas pela internet. Foi criado pelo Tesouro Nacional, que é quem emite os títulos públicos, em parceria com a B3 (antiga BM&FBovespa), a bolsa de valores brasileira, responsável pela custódia e liquidação das operações.

Os títulos públicos são papéis de dívida que o governo (Tesouro) emite para financiar suas atividades, que são muitas. Na prática, ao comprar um desses papéis, você empresta dinheiro para o governo brasileiro em troca de uma remuneração no futuro. O Tesouro Selic é considerado o título mais conservador entre aqueles disponíveis no Tesouro Direto. Ele rende a taxa básica de juros, a Selic.

Em julho, a B3 e o Tesouro Nacional zeraram a taxa de custódia para aplicar até R$ 10 mil em títulos do Tesouro Direto indexados à Selic. Para investimentos acima desse valor, existe uma taxa de 0,25% ao ano. Leia mais aqui sobre o Tesouro Direto.


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