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Grupos de supremacia branca utilizam gestos para se identificarem; entenda sinais

Homem identificado como integrante do grupo racista Proud Boys faz gesto associado à supremacia branca durante invasão ao Capitólio dos EUA, em 6 de janeiro — Foto: By Elvert Barnes from Silver Spring MD, USA - 24.ProudBoys.USSC.WDC.6January2021, CC BY-SA 2.0

Grupos de supremacia branca e outras organizações nazistas se valem de diferentes símbolos para que os extremistas se identifiquem uns aos outros. São desenhos, tatuagens e inclusive gestos com a mão.

No caso dos gestos, muitas vezes eles são usados como uma tática subliminar, para que a mensagem não seja captada por todas as pessoas. Por isso, a organização americana Liga Antidifamação (ADL, na sigla em inglês) criou uma lista de sinais associados a essas facções supremacistas. Veja abaixo algumas delas.

Gestos mencionados como ligados a grupos supremacistas brancos pela organização ADL — Foto: ADL/Reprodução

Da esquerda para a direita, os gestos significam o seguinte:

Braço erguido e 'K' feito com a mão — referência à organização supremacista Ku Klux Klan, por trás de ataques terroristas e perseguição às populações negras nos EUA.

Saudação nazista — é a mesma saudação que se fazia ao ditador nazista alemão Adolf Hitler, responsável pelo extermínio de milhões de pessoas na Europa nas décadas de 1930 e 1940.

Aryan Circle — o gesto com a mão serve para evidenciar os números 1 e 3, correspondentes às iniciais do Aryan Circle, uma das maiores facções supremacistas nos presídios americanos.

88 — com as mãos, o criminoso faz menção ao número correspondente à letra H; ou seja, HH, da saudação nazista Heil, Hitler.

2 e 3 — com as mãos, o 23 faz referência à letra W, de white (branco), e também é usada em grupos racistas nos EUA

WP — outra forma de se fazer as iniciais de white power, ou seja, poder branco.

A lista completa da ADL também contempla tatuagens com números (como o 88, de Heil Hitler), bandeiras como a suástica ou determinadas runas antigas como símbolos usados por grupos criminosos caráter nazista.

No Brasil, é crime praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional. A pena pode chegar a cinco anos de reclusão.

E o símbolo do OK?
A ADL também menciona, dentre os gestos citados, o símbolo que era conhecido como 'OK': um ato de pinça com o polegar e o indicador, deixando os demais dedos erguidos.

Um movimento igual a esse foi feito pelo assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência, Filipe Martins, durante audiência com senadores. O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, ordenou a abertura de uma investigação na Polícia Legislativa. Martins, por outro lado, diz que fez o gesto para ajeitar o paletó. Segundo o blog de Gerson Camarotti, o presidente Jair Bolsonaro vai afastar o assessor do Planalto.

A associação explica que o uso do OK com conotação de supremacia racial surgiu de um boato plantado na internet para que grupos progressistas se enganassem sobre pessoas fotografadas fazendo o gesto. No entanto, o gesto realmente acabou apropriado por organizações racistas nos EUA para designar as letras W e P — de White Power, ou Poder Branco, em inglês.

Isso ficou ainda mais evidente quando o assassino que matou 51 pessoas em mesquitas na Nova Zelândia fez o gesto durante uma audiência criminal em Christchurch. Ele foi condenado à prisão perpétua.

Por isso, a ADL alerta que esse símbolo foi apropriado por grupos extremistas recentemente e pede cautela ao avaliar se alguém fez o gesto por razões racistas. "Não se pode presumir que alguém fazendo esse sinal esteja fazendo de brincadeira ou por um supremacia branca — a não ser que haja outras evidências contextuais que sustentem a acusação", pondera a associação.


G1