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Pandemia diminui expectativa de vida de morador do ES


No Brasil, mais de 380 mil pessoas morreram vítimas da covid-19. Além do alto número de vidas perdidas, a pandemia pode impactar diretamente na expectativa de vida da população brasileira, que não sofre uma queda desde 1940. Conforme pesquisa de Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, os brasileiros nascidos em 2020 têm a esperança de viver quase dois anos a menos, em média.

De acordo com informações do Portal R7, a situação fica ainda mais grave quando as regiões brasileiras são analisadas separadamente. O Espírito Santo, por exemplo, é o estado mais afetado no Sudeste. A perda estimada entre os moradores do Estado é de 3,01 anos. O Rio de Janeiro vem em segundo, com queda de 2,62; em São Paulo, o terceiro, a redução chega a 2,17.

Segundo a pesquisa, essa geração deve viver até os 74,8 anos. Em 2019, esse índice foi de 76,6, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Os pesquisadores, liderados pela demógrafa brasileira Márcia Castro, desenham um cenário ainda pior. Concluíram que as condições sanitárias durante a pandemia podem levar o Brasil ao retrocesso de sete anos. Uma vez que em 2013, pela pesquisa do IBGE, a esperança de vida era 74,9 anos.


Diferenças regionais

O Distrito Federal é o lugar mais afetado, com uma redução estimada de 3,68 anos. Os estados da região Norte aparecem logo em seguida. Segundo a pesquisa, o Amapá pode ter a pior condição com uma redução de 3,62 anos; seguido por Roraima, 3,43; e Amazonas, 3,28.

O Nordeste é a segunda região mais atingida. Sergipe lidera a queda e a estimativa de diminuição da expectativa de vida é de 2,21 anos; no Ceará, o recuo é de 2,09; e em Pernambuco, a queda é de 2,01.

Na região Sul, a pesquisa apontou que a perda de expectativa de vida deve ficar abaixo dos dois anos no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.


Brasileiros acima dos 65 anos

Os pesquisadores verificaram que a esperança de vida entre os idosos com mais de 65 anos deve cair, em média, de 1,58 ano, o que leva o Brasil de volta aos níveis de 2009.

O estudo, que ainda precisa ser analisado por outros cientistas, alerta que essa queda pode ser ainda maior, já que os números de mortes por covid podem estar subnotificados.

"O número real de mortes tende a ser maior devido à vigilância deficiente, testes limitados que impediram o diagnóstico adequado, problemas com o cumprimento dos protocolos de notificação de uma suspeita de morte por covid-19 e local da morte", afirmaram os pesquisadores no estudo publicado no MedRxiv, site da Universidade de Yale com pré-publicação de artigos científicos sobre ciências da saúde.

O ensaio explica que a diminuição da expectativa de vida é comum diante de grandes choques, como pandemia e guerras. Mas, a tendência é que os números melhorem rapidamente.

Porém, no caso do Brasil, os pesquisadores não acreditam que a retomada do crescimento será rápida e apontam cinco razões para essa conclusão.

A primeira delas é que, um ano após o começo da pandemia, o Brasil vive a pior fase, com recordes de novos infectados, número de óbitos e lotação de hospitais. Em contrapartida, o programa de imunização segue lento.

Outro motivo apresentado é a interrupção dos serviços de atenção primária para atender às necessidades da covid, o que comprometeu o rastreamento e diagnósticos do câncer, a imunização infantil, os tratamentos e diagnósticos da tuberculose e do HIV. Tudo isso pode aumentar a mortalidade brasileira nos próximos cinco anos.

A terceira razão são as sequelas da covid-19, o que não afeta só o Brasil. Os pesquisadores lembram que ainda não existem estudos que mostrem se elas afetarão ou não a expectativa de vida da população mundial.

A crise econômica do Brasil desde 2015 e a redução de investimentos na saúde foram as outras razões apontadas pela pesquisa.

Para chegar a essa conclusão, os cientistas analisaram em conjunto dados do IBGE, dos boletins epidemiológicos das 27 Secretarias Estaduais de Saúde desde o começo da pandemia e do SIVEP-Gripe (Sistema de Informação de Vigilância Epidemiológica da Gripe).

Futuro incerto

Os cientistas de Harvard acreditam que o crescimento do número de casos e mortes com a covid-19 devem manter a expectativa de vida em queda também em 2021.

"Depois que mais de 195 mil vidas foram relatadas como perdidas, em 2020 para a covid-19, nenhuma mudança significativa aconteceu em 2021. Muitos países aceleraram a cobertura de vacinação e testemunham declínios em casos e mortes. O Brasil se move na direção oposta. As consequências, infelizmente e inaceitavelmente, continuarão a ser medidas em vidas humanas perdidas, e as consequências demográficas futuras podem ser ainda piores do que as relatadas", alertaram.


Fonte: Portal R7