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Rio tem mais mortes do que nascimentos pelo 6º mês seguido


Dados do Portal de Transparência do Registro Civil mostram que, por seis meses seguidos, o Município do Rio registrou mais mortes do que nascimentos.

No início da pandemia, em 2020, a capital fluminense contou mais mortos em abril e maio. De junho a setembro, os nascimentos voltaram a ultrapassar os óbitos, mas desde outubro há mais falecimentos do que recém-nascidos.

Somando os 14 meses de março de 2020, quando houve a primeira morte de Covid no RJ, até esta terça (13), o Rio tinha 76.541 nascimentos e 85.166 óbitos.

O cálculo foi feito comparando-se, mês a mês, o volume de atestados de óbitos e o de certidões de recém-nascidos. Veja os números detalhados:

O infectologista Bruno Scarpellini, professor e pesquisador na MedPUC Rio de Janeiro, aponta o aumento dos óbitos por Covid e a tendência de diminuição da natalidade no país como circunstâncias que explicam esse cenário.

“Um primeiro fato é que a taxa de natalidade já vem caindo no país há bastante tempo. Essa tendência de diminuição do número de nascimentos vem sendo observada e pode ter relação com questões econômicas", explicou.

"E é uma tendência que se intensifica, porque as pessoas podem ter evitado ter filhos na pandemia. Pensando nas inseguranças, por gravidez ser grupo de risco, questões financeiras, dúvidas sobre o ambiente hospitalar e a infraestrutura médica", emendou.

"Junto a isso, o que vemos todos os dias, esse aumento alarmante no número de mortes por Covid. Então a balança fica desestabilizada, e os números tendem a demonstrar isso”, afirmou Scarpellini.

O especialista fala ainda sobre as possíveis consequências disso para a população e para economia.

"O maior impacto é na pirâmide etária da população. E isso pode ter consequências no sistema previdenciário. Com muitos idosos e poucas pessoas na idade economicamente ativa, a contribuição tende a cair e gerar sérios problemas para o orçamento", diz o epidemiologista.

A base de dados onde foi realizado o levantamento é abastecida em tempo real pelos atos de nascimentos, casamentos e óbitos praticados pelos Cartórios de Registro Civil do país.

A Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen-Brasil) cruza os números com os dados históricos do estudo Estatísticas do Registro Civil, promovido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O economista Sérgio Besserman pontua, porém, que pode haver defasagem nos números.

"Pela tragédia da pandemia, temos mais óbitos do que nascimentos. Mas isso é um tipo de informação, é um registro civil. O atestado de óbito é imediatamente necessário — para fazer as despedidas, enterro, inventário. O registro da certidão de nascimento pode esperar. Se eu tivesse tido um filho sete meses atrás, ele estaria sem registro até hoje", explicou Besserman.


G1