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Após denúncia de trabalho escravo, secretária de Saúde de Vila Valério é exonerada


A secretária de Saúde de Vila Valério, Cazuza Zorzanelli Rossini, foi exonerada de seu cargo na prefeitura, após recomendação do Ministério Público Estadual (MPES). O órgão afirmou que a agora ex-secretária foi omissa com as condições de moradia e trabalho de 77 trabalhadores, encontrados na fazenda do marido dela. Segundo o MPES, eles viviam em situação análoga à escravidão.

De acordo com o MPES, a Promotoria de Justiça de Vila Valério encaminhou, no dia 17 de maio, uma notificação à prefeitura do município, recomendando a exoneração da servidora.

No entanto, a administração municipal respondeu ao Ministério Público, no dia seguinte, que os fatos relatados envolviam apenas o marido da então secretária de Saúde. Argumentou ainda que, no entendimento da prefeitura, os fatos ainda não foram comprovados e, por essa razão, não mostram embasamento para a exoneração.

Diante dessa resposta, o MPES reiterou ao município a notificação recomendatória, encaminhada no dia 20 de maio. A exoneração da secretária foi publicada uma semana depois, no dia 27. Segundo o decreto, a exoneração ocorreu a pedido da própria secretária. Para o lugar dela, foi nomeada, no dia seguinte, Katiucy Leonardi Tetzner Muller.

A reportagem não conseguiu contato com a ex-secretária de Saúde de Vila Valério, Cazuza Rossini. A prefeitura do município, procurada desde o dia 3 de junho, também não se posicionou ainda sobre a exoneração da servidora.

Relembre o caso

Os trabalhadores encontrados na fazenda do marido da ex-secretária foram liberados no dia 7 de maio, por auditores fiscais do Trabalho, em uma operação com apoio da Polícia Federal. Segundo o MPES, eles não recebiam remuneração ou outros direitos trabalhistas, e estavam em condições de saúde precárias. Além disso, 71 dos 77 testaram positivo para a covid-19.


“O MPES entende que tais fatos são incompatíveis com o princípio da moralidade da Administração Pública e que com tal conduta omissa e imoral, demonstrou não ter idoneidade para exercer um cargo técnico de extrema importância no âmbito da saúde municipal, principalmente agora, com risco à saúde pública decorrente da pandemia da Covid-19", apontou o órgão.


FV