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Casal com 2 filhos adota outros 21 e abriga mãe e 3 crianças de pai abusivo

Casal adotou 21 filhos e formou uma 'superfamília' em Itatiba (SP) — Foto: Arquivo pessoal

O casal de Itatiba (SP) que tem dois filhos biológicos e adotou mais 21 nas últimas duas décadas também acolhe uma família desde 2019. Segundo Silvio de Andrade e Marlene Steagall, eles ajudam uma mulher e seus três filhos que sofriam com ameaças de violência feitas pelo pai. O homem também tinha problemas com bebida alcoólica.

Ao G1, Silvio afirmou que soube da história porque uma das crianças ameaçadas é afilhada de sua filha biológica mais nova. Foi quando ao visitar a cidade onde a mãe e os três filhos moravam, que ele viu a triste realidade.

"Minha mulher ligou e pediu para que fosse até a casa da família, pois eles estavam tendo problemas com o pai. Ele estava embriagado e ameaçando bater nelas. Coloquei todo mundo no carro e levei para a minha casa", diz.

Silvio diz que não faria nada diferente e que, quando chegou com a nova família em casa, em um domingo, soube que as crianças não tinham uma refeição completa havia quase quatro dias.

"Comiam só pão duro e besteira. De verdade, isso me deixou acabado. São crianças e a mulher, que têm dificuldades. Tudo o que eu queria era dar segurança, paz, conforto. O primeiro sentimento que veio foi trazer elas para casa, dar um banho, uma refeição, uma cama quentinha, trocar de roupa, tudo isso", explica.

Casal que adotou 21 filhos diz que também acolheu outra família de quatro integrantes em Itatiba — Foto: Arquivo pessoal

Desde então, Silvio e sua esposa, Marlene Steagall, abrigam a mãe e seus três filhos, de 7, 8 e 12 anos, respectivamente. Todos vivem em uma casa doada que tem 8.300 metros quadrados. São sete quartos, sendo um para as meninas, quatro para os meninos, um para o casal e um para a família acolhida.

Com tanta gente dentro do imóvel, Silvio e a esposa Marlene decidiram delegar funções para que não ficasse pesado para ninguém. "Cada um tem uma lista. Lavar a louça, preparar a refeição, preparar o café, arrumar a mesa, coisas assim", explica.

O pai diz que, com a ajuda de todos, tarefas como preparar o almoço não levam muito tempo. "Começam umas 11h30 e quando são 13h já está tudo pronto", conta.

Trabalho em equipe

Para arcar com as finanças da casa, a família conta com doações e a renda obtida através da venda de doces e bolos em um food truck. Esta foi a forma que Silvio encontrou para conseguir trabalhar e, ao mesmo tempo, estar perto dos filhos, que só recebem ajuda financeira na infância.

"Nós ganhamos muita coisa, mas nós temos as despesas, como luz, farmácia, combustível, despesas de mercado", diz.
São seis filhos envolvidos no projeto. O responsável pelos bolos é o filho Walber, de 20 anos. Ele começou a cozinhar com 14 anos e, desde então, não parou mais. O jovem se formou na faculdade em gastronomia com o dinheiro arrecadado com as vendas no food truck.

Além de doações, casal de Itatiba (SP) com 23 filhos se mantém com venda de bolos em food truck — Foto: Reprodução/TV TEM

Segundo o pai, além do trabalho realizado no local, a família ainda possui outro ponto onde a esposa e um filho também trabalham com a venda dos doces.

Para Silvio, o trabalho em equipe realizado pela família é um sonho realizado. "O que eu sonhava eu consegui. A gente está trabalhando junto", comemora.

Gastos

Com uma "superfamília" em casa, o consumo de alimentos é alto, assim como o uso de materiais de limpeza. Silvio conta que quilos de comida são preparados por dia ou por mês no local. Confira alguns dos produtos utilizados:

Arroz - média de um pacote por dia, se toda a família estiver em casa;
Feijão - média de dois quilos por dia;
Mistura - não comem todos os dias, apenas uma vez por semana. Média de 3,5 quilos por refeição. Se forem ovos, são 20 por refeição;
Sabonete – média de 12 a 15 por semana;
Creme dental – média de seis a oito tubos por semana;
Detergente – duas caixas por mês;
Água sanitária – média de seis litros por semana.

'Superfamília'

Silvio e Marlene já eram conhecidos na cidade por realizarem trabalhos voluntários com pessoas em situação de rua. Foi então que decidiram ajudar o próximo de uma forma diferente: através da adoção.

Há 20 anos, o casal mudou o futuro de algumas crianças e adotou, ao longo destas duas décadas, 21 filhos. Segundo Marlene, que tem duas filhas biológicas com o marido, a decisão foi tomada após o casal ter observado a falta de estrutura familiar de vários jovens na cidade.

"A gente vê muitas crianças na rua por conta de não terem uma estrutura dentro de casa, de não terem um pai e nem uma mãe. Então, a gente decidiu fazer isso para ajudar, para eles sentirem mesmo o que é uma família", diz.

Atualmente, 16 filhos vivem na casa, além da segunda família acolhida no fim de 2019. Outros já se casaram ou foram morar sozinhos.

Para Marlene, a adoção de todos foi um simples ato de amor após perceber o desejo dos jovens de permanecer com o casal.

"Eles sentiram a gente como parte deles. E aí foi que a gente falou: 'então vamos adotar', porque a gente arrumava lugar para eles irem embora e eles não iam. Eles queriam ficar", finaliza.


G1