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Poupança tem a maior perda de poder aquisitivo em 30 anos

Investidor que deixou dinheiro na poupança perdeu da inflação - MOHAMED HASSAN/PIXABAY

A poupança acumulou um rendimento negativo em 12 meses de -6% até maio deste ano, a maior perda de poder aquisitivo da aplicação desde 1991, segundo levantamento da plataforma de informações financeiras Economatica.

"Não registrávamos queda de poder aquisitivo em níveis de -6% desde o mês de outubro de 1991, quando o pupador perdeu -9,72% em 12 meses", diz o relatório da Economatica.

O levantamento foi feito com base no resultado divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), que apontou que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) teve alta de 0,83% no mês de maio, a maior taxa para o mês desde 1996. No ano, o IPCA já acumula alta de 3,22%, e subiu 8,06% em 12 meses.

Poupador acumula perdas consecutivas

Esta é a nona vez consecutiva que quem aplica na caderneta de poupança amarga uma queda no poder de compra. O poupador vem acumulando perdas desde o mês de setembro de 2020.

A maior sequência de meses em queda de poder aquisitivo, dentro da amostra, aconteceu entre fevereiro de 2015 e setembro de 2016 com 20 meses de perda de poder aquisitivo em 12 meses.

Mesmo com rendimento negativo, a poupança registrou captação positiva de R$ 72,6 milhões em maio, informou o Banco Central nesta segunda-feira (7). O valor representa o segundo saldo mensal positivo em 2021.

O rendimento da poupança está atrelado às taxas de juros do país. Pelas regras atuais, a poupança rende 70% da taxa Selic, que é a taxa de juros básica da economia.

Esta taxa estava, até metade de março deste ano, no seu menor nível histórico — 2% ao ano, mas o Comitê de Política Monetária (Copom) já aumentou a taxa duas vezes consecutivas na tentativa de frear a alta da inflação. A Selic está agora em 3,5% ao ano. A próxima reunião que decidirá o novo valor da taxa Selic está marcada para os dias 14 e 15 de junho.

ECONOMATICA

Bolsa em alta em 2021

Em 2021, apenas o Ibovespa, índice que reúne as ações mais negociadas da B3, a bolsa de valores brasileira, teve ganho real (valorização acima da inflação medida pelo IPCA), com valorização de 2,74%.

Todas as demais aplicações registraram perdas do poder aquisitivo. O índice de fundos imobiliários registra a maior queda com -4,93%, seguido pelo IMA-B Total com queda de -4,22% e pelo ouro, com -3,12%. O IMA-B (Índice de Mercado da Anbima - B) é formado por títulos públicos indexados à inflação medida pelo IPCA.

ECONOMATICA

Rentabilidade em 12 meses (até 31 de maio)

Em 12 meses, o Ibovespa também teve o melhor desempenho dentre as aplicações analisadas, com ganho de poder aquisitivo de 33,64% acima do IPCA, seguido pelo IHFA (sigla para o Índice de Hedge Funds da Anbima) com 2,99%.

O dólar acumulou a maior perda do período, com -10,77%, e a poupança ficou com o segundo pior desempenho, com queda de -6%.

Rentabilidade no mês de maio

No mês de maio deste ano, o Ibovespa teve, de novo, o melhor desempenho com valorização acima do IPCA de 5,28%, seguido pelo ouro, com alta de 2,59%. O dólar teve o pior desempenho do período com queda de -3,97%, seguido pelo euro, com perda de -2,37 e pelo IFIX (Índíce de Fundos de Investimentos Imobiliários da B3), que também caiu -2,37%.


R7