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Brasileira cria biotecido que substitui testes em animais


Um salve para a tecnologia! Você já deve ter visto, recentemente, a história de um bebê que teve a vida salva por um coração impresso em 3D. Notícias como essa, que aliam a tecnologia a procedimentos ligados à saúde, são cada vez mais comuns.

Uma das inovações são as bioimpressoras, capazes de produzir tecidos vivos. Sim, é isso mesmo! Essa técnica recapitula o processo natural de formação de tecido por células para montar “arcabouços sintéticos” que imitem o microambiente natural do tecido. Os chamados biotecidos têm sido úteis na indústria, pois substituem o uso de pele humana e animal para testes dermatológicos e cosméticos, por exemplo.

Solange e as filhas, suas inspirações

Tem uma moradora de Cotia que desenvolveu um projeto desses. Solange Rodrigues tem 34 anos, mora no Jardim Empíreo e é mãe de duas filhas de criação, Sofia (5) e a Raquel (4), suas inspirações de vida. Trabalha como corretora de imóveis, mas sonha em se formar em engenharia e exercer a profissão. É bolsista da PUC-SP e está no último ano de Engenharia Biomédica.

Ela desenvolveu uma “alternativa aos testes de animais para avaliações de segurança toxicológica de cosméticos”, como explica. Solange faz questão de ressaltar que “mimetiza diversos tons de pele, dispensa o uso de animais em testes e reduz cobaias humanas”.

Chamada de Organa Kypséli (organa, em latim, significa órgãos e Kypseli é colméia em grego em tradução), a ideia é tão bacana e inovadora que foi contemplada pelo programa de mentoria AWC (Academic Working Capital), do Instituto Tim, para transformar o projeto de impressão de biotecidos em uma startup de inovação no assunto.

Neste vídeo, Solange Rodrigues explica mais sobre o projeto:



Congresso de Oncologia

Mas este não é o primeiro projeto de Solange. Em 2019, junto com Rafaela, uma colega também de Cotia, ela desenvolveu um dispositivo de liberação de medicamento controlado para tratar câncer de mama diretamente no tumor, “evitando os efeitos colaterais da ingestão do medicamento”, ressalta. Chegou a ser apresentado em Brasília, em um Congresso de Oncologia. Tem também o Baby Watching que “detecta o posicionamento do recém-nascido no berço, verificando temperatura, saturação e batimentos cardíacos”, explica. Solange pretende ainda patentear o produto que, de acordo com ela, evitar morte prematura de bebês.Solange e a colega Rafaela com os professores Jarjura Júnior e Sérgio

Planos para o futuro? Fazer doutorado em engenharia de tecidos e dar sequência aos seus projetos. “Não é uma questão de dinheiro, é uma questão de mudar a vida de alguém com isso”, sonha.

Para finalizar, Solange dá a dica: “dificuldades, você pode encontrar em qualquer momento. Mas tenha fé em você, no seu trabalho, no seu projeto e no seu potencial. Veja: eu nunca pensei que eu iria estudar na PUC, quem diria me apresentar em um congresso cientifico ou desenvolver um projeto assim. Dei um passo de cada vez, sempre com muita resiliência. E está dando certo”.

Inspirador, não? E revolucionário!

Revista Circuito