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PF no ES terá especialista na luta contra o tráfico internacional de drogas

Delegado Eugênio Ricas será o novo superintendente da Polícia Federal do Espírito Santo com previsão de posse no dia 3 de agosto

A Polícia Federal no Espírito Santo vai ter um delegado especialista em combate ao tráfico internacional de drogas. É o que está nos planos do novo superintendente da força de segurança no Estado, o delegado Eugênio Ricas.

"Estou levando comigo o delegado Ivo Roberto Costa da Silva, que trabalhou na fronteira entre os Estados Unidos e o México, na cidade de El Paso. É um profissional qualificado com experiência em combate às quadrilhas internacionais de drogas. É a grande novidade para a superintendência, pois ele será o delegado do núcleo de repressão ao crime organizado no Estado. Será o '03' da Polícia Federal no Estado", revelou.

Ricas foi nomeado na última semana o novo superintendente Regional de Polícia Federal do Espírito Santo. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União de sexta-feira (16), pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública. Antes, estava desde 2018 atuando como adido da Polícia Federal, espécie de embaixador, em Washington, nos Estados Unidos.

Além deste nome na equipe, com o histórico de ter passado pela pasta de Controle e Transparência como secretário estadual, Ricas acredita que terá mais conhecimento para conduzir o trabalho da Polícia Federal no combate à corrupção que, no seu entender, é um dos piores crimes e que também estará na mira da organização.

"Iremos continuar nosso trabalho de combate ao crime mas tamb´´em para descapitalizar essas quadrilhas, deixá-las sem recursos financeiros. Corruptos em geral, ponham as suas barbas de molho, porque estaremos atentos e iremos agir!", avisou.

Outro assunto no radar da Federal será o bloqueio da chegada criminosa de armamento pesado, que alimenta as quadrilhas de traficantes atuantes no Espírito Santo.

"É o que contribuiu para a violência e a guerrilha que estamos observando, principalmente na Região Metropolitana. São grupos cada vez mais fortemente armados e que promovem guerrilhas, disputando o poder em relação ao campo de alcance do tráfico de drogas. É nosso papel fazer a apreensão dessas armas e investigar para que esse fluxo desse tipo de armamento pare de chegar ao Espírito Santo", planeja.

A posse do novo superintendente está prevista para 3 de agosto.

Confira a entrevista:

A sua gestão à frente da regional capixaba irá destacar alguma vertente do serviço da Polícia Federal no Espírito Santo?

Acredito que a Polícia Federal não pode se afastar da sua maior vocação que é o combate a toda e qualquer corrupção. Será um pilar da Polícia Federal no Espírito Santo. Outro pilar será o combate ao tráfico de armas e narcotráfico de drogas e entorpecentes.

Temos acompanhado a quantidade de tiroteios entre os inúmeros grupos criminosos que atuam principalmente na Região Metropolitana do Estado, gerando pânico e mortes, assustando as pessoas e as comunidades. Esses criminosos fazem tática de guerrilha, estão em disputa de território, querem poder. E temos notado que esses grupos estão de posse de armamento cada vez mais pesado, de enorme letalidade.

A Polícia Federal vai intensificar e fazer um trabalho de apreensão dessas armas, bem como de investigação para desbaratar e conter a chegada dessas armas no Espírito Santo.

A partir de sua experiência nos Estados Unidos, o que você trará para a superintendência capixaba?

Tudo o que aprendi e vivenciei nos últimos três anos nos Estados Unidos eu vou usar pra incrementar, para melhorar ainda mais o trabalho e o cotidiano da Polícia Federal no Espírito Santo. Estou levando comigo o delegado Ivo Roberto Costa da Silva, que trabalhou na fronteira entre os Estados Unidos e o México, na cidade de El Paso. É um profissional qualificado com experiência de campo em matéria de investigação e combate à quadrilhas internacionais de drogas.

É a grande novidade para a superintendência, pois ele será o delegado do núcleo de repressão ao crime organizado no Estado. Será o "03" da Polícia Federal no Estado. O que funcionava nos Estados Unidos iremos utilizar aqui também.

Qual os grandes desafios enfrentados pela Polícia Federal no Espírito Santo?

Nunca esqueça disso: a corrupção. Ela é um dos piores crimes da sociedade e precisa ser combatido tanto quanto os outros.

Iremos continuar nosso trabalho de combate ao crime mas tamb´´em para descapitalizar essas quadrilhas, deixá-las sem recursos financeiros, iremos estar atentos a esses movimentos de corrupção.

Portanto, pessoas que desviam recursos públicos, aqueles que atuam na esfera privada e que tentam também alcançar vantagens ilícitas em tratos escusos na esfera pública, enfim, corruptos em geral, que ponham as suas barbas de molho porque estaremos atentos e iremos agir.

Você atuou na Secretaria de Controle e Transparência do governo estadual, entre 2016 e 2017. Em que essa sua passagem por esta pasta lhe auxilia como superintendente de um órgão de investigação?

Toda experiência em uma gestão vai agregando por apresentar cenários desafiadores. Também fui secretário de Justiça na esfera estadual, o que me deu também mais repertório. O trabalho no Controle e Transparência, à primeira vista, pode parecer burocrático, mas é extremamente complexo, pois ali você está desafiado a prevenir a situação que pode gerar uma conduta ilícita e o consequente desvio de recurso público.

O que vivi no Controle e Transparência me qualificou para conhecer o que é realmente uma gestão eficiente e antenada com a boa prática de administração dos recursos públicos. Unindo isto ao que também vivi como secretário de Justiça é um grande ganho. Que só vai enriquecer o meu trabalho no combate ao crime. Estar desse lado, de combater o crime, de ser ativo na repressão à corrupção é o que me move agora. Me sinto muito estimulado e bem amparado pelo que vivi nessas outras funções.

Na última década, o trabalho da Polícia Federal de combate à corrupção esteve frequentemente associado ao universo político. Até que ponto é possível atuar nas apurações de crimes de parlamentares e gestores públicos sem cair no risco de se levantar bandeiras ou apoiar um ou outro partido em detrimento dos demais?

Essa alegação sempre vai acontecer, de que o trabalho de combate ao crime feito pela Polícia Federal beneficiou um determinado partido político. Mas, quando a gente revisa a história, vamos perceber que a Polícia Federal atuou indiscriminadamente nos últimos dez anos em todos os níveis e casos, de forma independente, e que incomodou quem deveria incomodar, ou seja, quem estava cometendo crimes no universo político. Chegou inclusive no meio empresarial. O recado foi bem claro: se você andar na linha, seja lá quem você for, político ou empresário, não há o que temer da Polícia Federal.

Ainda neste contexto, acha que a Operação Lava-Jato acabou se politizando?

Não. Não acho que houve politização. Essa operação foi um marco para história do Brasil. Foi a maior do mundo em combate à corrupção, tanto em duração de tempo quanto em resultados. Foram R$ 4 bilhões devolvidos aos cofres públicos. Pode ter acontecido alguns equívocos. Mas não posso afirmar, não sei se houve pois não trabalhei diretamente nela. E quanto à politização, a operação atingiu partidos políticos de todas as vertentes.

Na gestão do presidente Bolsonaro, a Polícia Federal enfrentou, em alguns momentos, a interferência do presidente, o que acarretou início de crises institucionais. Como lidar com esse tipo de situação? A Polícia Federal, na sua opinião, está fortalecida em matéria de independência em seus trabalhos?

Meu trabalho nunca sofreu nenhum tipo de interferência e acredito que assim continuará sendo. A Polícia Federal é, antes de tudo, uma instituição de Estado e não de um governo. Acredito que o trabalho dela está bem amparado e segue normalmente, independentemente de quem esteja ocupando o poder.
Eugênio Ricas foi secretário de Estado de Controle e Transparência entre 2016 até novembro de 2017

Perfil do novo chefe da Polícia Federal do ES

Eugênio Ricas é delegado de Polícia Federal, e ocupou o cargo de adido federal da Polícia Federal em Washington nos Estados Unidos nos últimos três anos

Tem 45 anos, é casado e tem dois filhos (um menino de 8 anos e uma menina de dois). Nascido em Belo Horizonte (MG), afirma que é capixaba de coração.

Formado em Direito pela PUC/MG em 1999, começou sua carreira na Polícia Federal como delegado em 2003 tendo atuado nos estados da Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais e no Distrito Federal. Tem mestrado em Gestão Pública pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES).

Atuando na Polícia Federal, em 2006, esteve à frente da "Operação Esfinge", responsável pela prisão de 17 pessoas acusadas de operação fiscal, entre elas o advogado tributarista Beline José Salles Ramos.

Cedido pela União ao governo estadual, Ricas foi secretário da Justiça de 2013 a 2016 e de 2016 até novembro de 2017 foi secretário de Controle e Transparência.

FV