Bolsonaro recebe marcha de tanques no Planalto


O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) acompanhou hoje, ao lado dos chefes militares, a passagem de tanques pelo Palácio do Planalto, em Brasília. As imagens foram exibidas em uma live transmitida pelo Facebook de Bolsonaro e durou menos de 9 minutos.

Ontem, Bolsonaro usou as redes sociais para convidar autoridades para o desfile. Nenhuma compareceu. Entre eles estavam o presidente do STF, ministro Luiz Fux, o presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ministro Luís Roberto Barroso, e o presidente da Câmara.

Mesmo que não nominalmente, o chefe do Executivo estendeu o convite aos presidentes do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), do TCU (Tribunal de Contas da União), ministra Ana Arraes, do STJ, ministro Humberto Martins, e do TST (Tribunal Superior do Trabalho), ministra Maria Cristina Peduzzi. Também convidou deputados e senadores, dizendo que se "honraria" com a presença de cada um deles.

Em vez deles, estavam ao lado do chefe do Executivo, na porta do Palácio, o ministro da Defesa, Walter Braga Netto, e os chefes militares da Aeronáutica (Carlos de Almeida Baptista Júnior), Exército (Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira) e Marinha (Almir Garnier Santos). O presidente acenou durante a passagem do comboio, enquanto seguidores gritavam ao fundo.

Enquanto durou o desfile, nem o presidente, nem os comandantes militares usavam máscara. O Brasil já ultrapassou mais de 564 mil mortes em decorrência da pandemia do novo coronavírus.

O desfile ocorre em um momento de forte tensão entre o governo Bolsonaro e o Poder Judiciário. Segundo nota da Marinha divulgado ontem, "um comboio com veículos blindados, armamentos e outros meios da Força de Fuzileiros da Esquadra, que partiu do Rio de Janeiro", passaria por Brasília" ao longo desta manhã. O destino final é o CIF (Campo de Instrução de Formosa), onde é feito anualmente, desde 1988, um grande treinamento da Marinha, a chamada Operação Formosa. A parada no Palácio do Planalto teve como justificativa a entrega do convite a Bolsonaro para o treinamento.


No trajeto, o comboio passou em frente ao Palácio do Planalto, que fica na Praça dos Três Poderes, junto com o Congresso Nacional e o STF. Um ato deste tipo em pleno dia útil é inédito.

Marcado para acontecer no mesmo dia em que a PEC (proposta de emenda à Constituição) 135/19, que estabelece o voto impresso, irá para votação no plenário da Câmara dos Deputados, o desfile gerou incômodo entre parlamentares.

O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), lamentou o que definiu como uma "trágica coincidência" o desfile de blindados, horas antes da votação da PEC na Casa.

Em nota divulgada à imprensa, a Marinha tentou minimizar o desgaste gerado com outras Forças e também no meio político, e afirmou que o ato "simbólico" não tem relação com o projeto do voto impresso.

Ameaça democrática

Posicionado à esquerda do presidente, o ministro da Defesa, Braga Netto, teria, segundo informou o jornal O Estado de S. Paulo, ameaçado a democracia e condicionado o processo eleitoral ao voto impresso.

Segundo a reportagem, a ameaça foi endereçada ao presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), por meio de um interlocutor, que não teve o nome revelado.

Em nota divulgada à época, Braga Netto negou a ameaça e afirmou que "não se comunica com os Poderes por meio de interlocutores", mas no mesmo documento voltou a defender o voto impresso.

Hoje, o plenário da Câmara dos Deputados deverá se reunir para decidir sobre a PEC 135/19, da deputada bolsonarista Bia Kicis (PSL-DF), que tenta instituir no Brasil o voto impresso.

Na semana passada, o projeto foi rejeitado pela comissão especial criada para debater o tema.

Ao UOL, a assessoria de imprensa de Luiz Fux informou que o ministro não compareceria ao evento, alegando que o presidente do STF não está em Brasília, mas no Rio de Janeiro. Alvo de frequentes ataques de Bolsonaro, Barroso também foi convidado (não nominalmente). Recentemente, o presidente da República chamou o presidente do TSE de "filha da p***".


Uol


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